A Farsa do Supremo: Denúncias no Senado Exporiam Fraudes de Moraes no Julgamento de Bolsonaro
Enquanto o STF conduzia um julgamento político contra Jair Bolsonaro, o Senado se tornava palco de denúncias explosivas que acusam o próprio ministro Alexandre de Moraes de forjar provas, revelando a farsa de um sistema em colapso.
O Brasil vive uma esquizofrenia institucional. De um lado, o Supremo Tribunal Federal (STF) encena um julgamento com veredito previamente sentenciado, transformando o devido processo legal em um espetáculo de retórica autoritária. Do outro, no Senado Federal, testemunhas e provas documentais expõem as entranhas de um esquema que, se comprovado, revela a fabricação de evidências para incriminar adversários políticos. A simultaneidade dos eventos não é coincidência; é o retrato de um regime que agoniza, tentando manter as aparências enquanto seus alicerces são corroídos por suas próprias ilegalidades.
A postura do ministro Alexandre de Moraes, que mistura acusações grandiloquentes com a supressão de direitos, contrasta de forma gritante com as denúncias apresentadas por Fernando Tagliaferro na Comissão de Segurança Pública do Senado. Enquanto Moraes discursava sobre uma “verdadeira organização criminosa” que tentava coagir o Judiciário, documentos com metadados eram exibidos a poucos quilômetros de distância, sugerindo que a verdadeira coação e fraude partiram de dentro do próprio tribunal. Este é o cenário de uma nação dividida entre a farsa televisionada e a verdade que luta para emergir dos porões do poder.
O Desembarque Oportunista do Centrão
Antes mesmo que o espetáculo no STF tomasse o centro do palco, a política tradicional dava seus sinais de movimentação. O anúncio do desembarque do Centrão, capitaneado pelo União Brasil e Progressistas, da base do governo Lula, não engana ninguém. Como bem pontuou o analista Eduardo Vieira, trata-se de um movimento previsível de um grupo político cuja principal característica é a ausência de espinha dorsal.
É uma característica do centrão, né? A ausência de espinha vertebral. […] Fica evidente para quem tem mais de um neurônio funcionando que isso aí é mais uma demonstração do oportunismo malemolente que define a política brasileira.
A análise é corroborada pelos fatos. Como explicou Douglas Garcia, a permanência na base governista se tornou insustentável para parlamentares que dependem majoritariamente do eleitorado de direita. No União Brasil, por exemplo, dos 59 deputados, 40 assinaram o projeto de lei da anistia. No Progressistas, o cenário é similar. A proximidade das eleições municipais acelera essa migração, não por convicção, mas por puro instinto de sobrevivência eleitoral. Eles precisam dos votos que, hoje, estão maciçamente com a oposição.
O Teatro do Supremo: Um Julgamento de Cartas Marcadas
O julgamento no STF, que mira o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras figuras, já começou com um roteiro definido. A fala inicial do ministro Alexandre de Moraes não foi a de um juiz, mas a de um acusador que adianta seu voto em um discurso político inflamado.
A Retórica de Moraes e a Resposta Internacional
Ao afirmar que “condutas dolosas e conscientes” de uma organização criminosa tentaram “coagir o Poder Judiciário”, Moraes projeta em seus adversários as práticas que ele mesmo é acusado de cometer. Essa narrativa, contudo, já não encontra eco apenas no Brasil. A pressão internacional, articulada por figuras como o deputado Eduardo Bolsonaro e o estrategista Jason Miller, eleva o tom. A resposta de Miller a Moraes foi direta e cortante, evocando um princípio da política externa americana: “Lembro a Alexandre de Moraes que os Estados Unidos não negociam com terroristas”.
O ex-chanceler Ernesto Araújo reforça que o arcabouço legal americano, como a Lei Magnitsky, não é simbólico. Ele possui mecanismos para rastrear e punir não apenas os alvos principais, mas toda a rede de cúmplices, familiares e operadores financeiros que sustentam regimes autoritários. O que o sistema corrupto brasileiro chama de “negociação”, os americanos enxergam de outra forma: conivência com o autoritarismo.
A Questão da Anistia e a Subserviência Jurídica
Em meio a esse caos, a discussão sobre a anistia para os presos do 8 de janeiro expõe outra faceta da crise moral brasileira. Eduardo Vieira classifica como uma “obscenidade” a vinculação da liberdade de centenas de presos políticos — muitos dos quais idosos e condenados a penas desproporcionais — a um cálculo político sobre a elegibilidade de Jair Bolsonaro. A prioridade ética e humana deveria ser a soltura de inocentes, e não a costura de um acordo que valida a existência de um processo viciado.
Enquanto isso, o julgamento foi marcado por cenas de subserviência patética, como a de um advogado que elogiou a aparência do ministro Luiz Fux, e pela militância togada da ministra Cármen Lúcia, que interrompeu a defesa para fazer um discurso em defesa das urnas eletrônicas, confundindo deliberadamente o debate técnico com a narrativa política que interessa ao tribunal.
A Bomba no Senado: Tagliaferro Expõe as Entranhas do Sistema
O verdadeiro terremoto político da semana, no entanto, ocorreu no Senado. Fernando Tagliaferro, ex-assessor do gabinete de Alexandre de Moraes, apresentou documentos que, segundo ele, provam a adulteração de provas e a forja de relatórios para incriminar empresários, jornalistas e parlamentares.
As denúncias são gravíssimas e apontam para a criação de uma estrutura de desinformação dentro do próprio TSE para perseguir opositores. Durante seu depoimento, Tagliaferro foi censurado em tempo real: seu canal no YouTube, que transmitia a audiência, foi derrubado. Um ato que, por si só, confere ainda mais veracidade às suas alegações.
A senadora Damares Alves, presente na comissão, foi enfática:
Aquele julgamento está contaminado, as provas estão contaminadas. […] Esse magistrado tinha que ser preso hoje. […] O ministro Barroso […] teria que interromper esse julgamento hoje.
A denúncia envolveu até mesmo Gisele Siqueira, nora da jornalista Míriam Leitão, que, segundo Tagliaferro, atuava como uma das operadoras do esquema de monitoramento e envio de denúncias para a equipe do ministro.
Pontos-Chave da Análise:
- Oportunismo do Centrão: A saída de partidos da base governista é motivada por cálculos eleitorais, não por princípios democráticos.
- Farsa Jurídica: O julgamento no STF é visto como um ato político com resultado predeterminado, desprovido de imparcialidade.
- Pressão Externa: A escalada da retórica de figuras ligadas a Donald Trump e a ameaça de sanções como a Lei Magnitsky indicam que o isolamento internacional do regime brasileiro está aumentando.
- Denúncias de Fraude: As provas apresentadas por Tagliaferro no Senado acusam diretamente Alexandre de Moraes de comandar um esquema para forjar evidências.
- Omissão da OAB: A Ordem dos Advogados do Brasil é criticada por seu silêncio e conivência diante dos flagrantes abusos cometidos pelo Judiciário.
Conclusão
O Brasil assiste a um embate entre duas realidades: a que o sistema quer impor pela força e pela propaganda, e a que vaza pelas fissuras de sua própria arrogância. O julgamento no STF é a tentativa de consolidar uma narrativa de golpe para justificar a perseguição de adversários. As denúncias no Senado são a prova de que essa narrativa pode ser uma fraude construída sobre crimes ainda mais graves.
A questão que permanece é se as instituições ainda possuem alguma força para reagir ou se já foram completamente cooptadas. A coragem de poucos, como Tagliaferro, expõe a covardia de muitos. Resta saber se o povo brasileiro e seus representantes restantes terão a decência de exigir que a verdade, e não a conveniência política, prevaleça.
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