O Teatro Político em Brasília: Do Enterro da “PEC da Blindagem” à Perseguição de Opositores
A rejeição unânime da PEC das Prerrogativas no Senado não representa um triunfo da moralidade, mas sim um ato calculado em um jogo de poder onde o verdadeiro alvo é a consolidação de um regime de exceção e a aniquilação da oposição.
A cena política brasileira foi palco, mais uma vez, de um espetáculo de ilusionismo. A rejeição unânime da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) das Prerrogativas pela CCJ do Senado, vendida pela imprensa aliada ao sistema como uma vitória da República, nada mais é do que uma cortina de fumaça. Sob a nossa perspectiva, trata-se de um movimento cínico e orquestrado, uma peça de teatro cujo roteiro visa legitimar a perseguição implacável a opositores enquanto se projeta uma falsa imagem de normalidade institucional para o mundo.
O que assistimos não é a defesa do Estado de Direito, mas sua subversão. A estrutura de poder, composta por uma juristocracia militante, um Executivo conivente e uma mídia que atua como braço de propaganda, opera em um conluio para manter seus privilégios e esmagar qualquer voz dissonante. O enterro da chamada “PEC da Blindagem” é apenas mais um capítulo desta farsa, um jogo de sombras que esconde a verdadeira agenda: a consolidação de uma oligarquia que utiliza as leis como arma contra seus inimigos.
A “PEC da Blindagem” e a Farsa da Moralidade
A decisão, capitaneada por Davi Alcolumbre (União-AP), foi celebrada como um ato de bravura. No entanto, é preciso questionar a súbita conversão de figuras do Centrão à causa da probidade. Como bem apontou o analista Darcio Bracarense, a realidade é que o sistema já possui seus próprios mecanismos de proteção, que funcionam à margem de qualquer PEC.
Com PEC da blindagem ou sem PEC da blindagem, não vai mudar nada, porque os criminosos continuarão blindados e aqueles que são alvos, ou seja, todo o resto, podem ser julgados pelo STF tendo ou não foro, porque isso é uma escolha do bandido mor.
A verdade é que bandidos não respeitam leis. A rejeição da proposta serve a um propósito maior: criar a ilusão de que o Congresso reage à “voz das ruas” — uma voz seletivamente ouvida, como veremos a seguir — e de que as instituições funcionam democraticamente. Trata-se de um simulacro para consumo externo e para enganar os incautos.
A Mídia como Braço de Propaganda do Regime
A análise oferecida por veículos como a GloboNews sobre o episódio é emblemática. Atribuir o arquivamento da PEC a uma manifestação de esquerda, organizada em poucos dias com o aparato governamental e a presença de artistas financiados com dinheiro público, é um insulto à inteligência do cidadão.
O jurista Enio Viterbo desmascara essa hipocrisia ao comparar a cobertura: quando a direita leva centenas de milhares às ruas, são “atos antidemocráticos”; quando a esquerda reúne um número muito inferior, é a “população” enviando um recado ao Congresso. Essa clara boa vontade com o governo e seus aliados revela o papel da grande imprensa: não o de informar, mas o de moldar a opinião pública e legitimar as ações do regime.
É uma narrativa fabricada para justificar a narrativa de que Alcolumbre, o mesmo que segura dezenas de pedidos de impeachment contra ministros do STF, é o “adulto na sala”. Ele é o adulto apenas quando serve para proteger o sistema e frear a oposição.
A Caçada a Eduardo Bolsonaro: O Próximo Alvo do Sistema
Enquanto o circo da PEC se desenrolava, a máquina de perseguição contra a oposição avançava sem freios. O caso do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) é a prova cabal da instrumentalização do aparato estatal para fins políticos.
Citação por “iFood” e a Banalização do Processo Legal
A dificuldade farsesca em notificar o deputado, que culminou na ordem de Alexandre de Moraes para que a intimação fosse feita via presidência da Câmara, expõe o desprezo pelo devido processo legal. É a inauguração de um “direito processual alexandrino”, onde as regras são criadas ao sabor da conveniência do julgador. Se Elon Musk pode ser “intimado” por uma postagem no X (antigo Twitter), por que não criar uma “citação via Arthur Lira”? O objetivo não é cumprir a lei, mas acelerar a condenação.
O Caminho Pavimentado para a Cassação
A cobrança de multas por faltas e a articulação para impedir que Eduardo Bolsonaro assumisse uma liderança na Câmara são sinais claros. O sistema, com a cumplicidade do presidente da Câmara, Arthur Lira, prepara o terreno para a cassação. Ignora-se que o deputado participa ativamente de comissões de forma remota, enquanto outros parlamentares, como Aécio Neves (PSDB-MG), registram 100% de presença sem sequer comparecerem ao Congresso. A régua é dupla, e o alvo é claro.
Lula em Nova York: A Dupla Face da “Soberania”
A performance de Lula na ONU completa o quadro de cinismo. Ao mesmo tempo em que defende uma “governança mundial” com poder para punir países que descumpram acordos climáticos — atropelando soberanias —, ele afirma que a soberania brasileira é “indiscutível” quando se trata de seus presos políticos.
Para Lula, a soberania é um conceito flexível. Ela não valeu quando a Bolívia, sob o governo de seu aliado Evo Morales, invadiu e tomou uma refinaria da Petrobras. Mas ela se torna um escudo sagrado para proteger os abusos cometidos pelo STF e justificar a perseguição a seus opositores. A “química” que ele alega ter sentido com Donald Trump é apenas uma tentativa patética de disfarçar sua covardia, fugindo de um encontro presencial onde certamente seria confrontado com a realidade da ditadura que se instala no Brasil.
Pontos-Chave da Análise:
- Teatro Político: A rejeição da “PEC da Blindagem” foi uma encenação para criar uma falsa percepção de normalidade democrática.
- Mídia Partidária: A grande imprensa atua com dois pesos e duas medidas, legitimando atos do governo e demonizando a oposição.
- Perseguição Institucional: O caso de Eduardo Bolsonaro demonstra o uso da máquina estatal e do Judiciário para eliminar adversários políticos.
- Hipocrisia da Soberania: Lula defende a intervenção em outras nações, mas invoca a soberania para blindar as violações de direitos humanos em seu próprio governo.
Conclusão
Os eventos recentes não são fatos isolados. Eles compõem um mosaico que revela a verdadeira face do regime atual: um sistema autoritário, disfarçado com as vestes esfarrapadas da democracia. A rejeição da PEC, a perseguição a Eduardo Bolsonaro e a retórica contraditória de Lula são peças do mesmo quebra-cabeça. O Brasil vive sob o domínio de uma oligarquia que não hesita em manipular leis, fabricar narrativas e destruir reputações para se perpetuar no poder. Ignorar este teatro é permitir que o último ato seja a morte definitiva de nossas liberdades.
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