Destaques
- Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que tratou com Ibaneis Rocha sobre a venda do Banco Master ao BRB, citando encontros em sua casa.
- Ibaneis Rocha confirmou encontros com Vorcaro, mas negou que o tema tenha sido a venda do Master ao BRB.
- O caso tramita em inquérito sigiloso no STF e envolve apurações sobre venda de carteiras de crédito ao BRB e eventuais irregularidades.
- O Banco Central barrou a operação em setembro de 2025 e determinou a liquidação extrajudicial do Master em novembro, após suspeitas de emissão irregular de créditos.
Tempo de leitura estimado: 4 minutos
Vorcaro disse à PF que tratou com Ibaneis sobre venda do Master ao BRB
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou em depoimento à Polícia Federal, prestado em 30 de dezembro de 2025, que tratou com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sobre a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB). A declaração é parte de apuração que corre sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF), segundo reportagens do g1 e do Metro1.
Vorcaro disse à PF que tratou com Ibaneis sobre venda do Master ao BRB: o que consta no depoimento
Conforme a publicação do Metro1, Vorcaro relatou à PF que conversou com Ibaneis Rocha sobre a operação envolvendo a venda do Banco Master ao BRB. A transcrição do depoimento, segundo o g1, menciona encontros institucionais entre o banqueiro e o governador entre janeiro de 2024 e 2025, ocorrendo tanto na casa de Vorcaro quanto na residência oficial ou casa do governador em Brasília.
A sequência dos relatos é relevante porque:
- Envolve um banco controlado pelo Distrito Federal (BRB), com potencial impacto sobre o setor público.
- O caso tramita em inquérito sigiloso no STF, elevando a exigência por clareza e responsabilidade institucional.
Ibaneis confirma encontros, mas nega ter discutido a venda do Master ao BRB
Em 23 de janeiro de 2026, o governador Ibaneis Rocha confirmou que se encontrou com Daniel Vorcaro, mas declarou que não discutiu a venda do Banco Master ao BRB nessas ocasiões. A declaração foi reportada pelo g1 e repercutida por outros portais.
“Em momento algum nas quatro vezes que o encontrei tratei de assuntos relacionados ao BRB/Master. Entrei mudo e saí calado. O único erro meu foi ter confiado demais no Paulo Henrique [Costa]”.
A afirmação de Ibaneis Rocha negando o teor das conversas desloca o foco para a governança do BRB e para a atuação do então presidente do banco, Paulo Henrique Costa.
Defesa de ex-presidente do BRB fala em confiança “natural” do governador
A defesa de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, afirmou ser “natural e até óbvio” que o governador confie tecnicamente em um presidente indicado por ele. Segundo reportou o Metro1, a defesa sustenta que Costa nunca tratou da compra “do ponto de vista técnico”.
Especialistas e textos sobre governança pública lembram que confiança política não substitui controles formais, trilhas de auditoria e registros adequados — requisitos essenciais em operações que podem afetar recursos públicos.
Investigação no STF e foco na venda de carteiras de crédito ao BRB
O inquérito, sob sigilo no STF, apura a venda de carteiras de crédito ao BRB. Em operações desse tipo, elementos como preço, qualidade dos ativos, precificação de risco e conformidade regulatória são determinantes para avaliar a saúde do negócio. Quando o comprador é uma instituição com controle estatal, há interesse público adicional — proteger a solvência da instituição e evitar ônus ao contribuinte.
Banco Central barrou a venda e Master entrou em liquidação extrajudicial, segundo reportagens
Reportagens do Metro1 e do g1 informam que o Banco Central barrou a venda do Banco Master ao BRB em setembro de 2025 e, em novembro, determinou a liquidação extrajudicial do Master.
As reportagens apontam suspeitas de emissão de créditos sem lastro no valor de R$ 12,2 bilhões, entre janeiro e maio de 2025 — elemento que explica a gravidade das medidas regulatórias.
Reuniões em residências e governança: por que o detalhe importa
O depoimento menciona encontros na residência de Vorcaro e na residência de Ibaneis. Reuniões fora da agenda pública não são, por si só, prova de irregularidade, mas quando tratam de negociações de ativos financeiros e envolvem banco com vínculo estatal, o padrão esperado inclui agenda transparente, registros de pauta, presença de técnicos e justificativas formais.
Em bancos, confiança é ativo e se constrói com regras claras e rastreabilidade decisória. Canais informais de decisão tendem a aumentar o custo reputacional e exigem controle rigoroso para proteger gestores e o contribuinte.
O que está em jogo para o BRB e para o governo do DF
Mesmo sem detalhes públicos sobre a extensão dos impactos ao BRB, a associação do banco a uma investigação sobre venda de carteiras e a uma potencial aquisição já gera desgaste político e perguntas objetivas sobre:
- Quais procedimentos internos foram adotados;
- Quem autorizou conversas e em que nível;
- Se houve análises independentes e comitês formais;
- Como foi avaliada a qualidade das carteiras em discussão.
A declaração pública de que o governador “confiou demais” em um indicado ecoa o debate sobre autonomia técnica versus influência política em instituições controladas pelo Estado.
Contradições centrais e próximos passos: o que se espera da apuração
Até o momento público há um contraste entre versões:
- Vorcaro afirma ter tratado da operação com Ibaneis (reportado pelo Metro1 e g1).
- Ibaneis Rocha confirma os encontros, mas nega que o assunto tenha sido a venda (reportagem do g1 e repercussões em outros portais).
Em investigações assim, os próximos passos comuns incluem confronto de versões em novos depoimentos, verificação de registros de agenda e mensagens, reconstrução cronológica e avaliação do papel de executivos e intermediários. Como o inquérito tramita sob sigilo no STF, o acesso público a peças pode permanecer limitado por algum tempo.
Conclusão: transparência e governança como antídotos para crises de confiança
O depoimento de Daniel Vorcaro e as negativas de Ibaneis Rocha ressaltam a necessidade de máxima transparência, formalidade e respeito às instâncias técnicas em decisões do setor financeiro que tangenciam bancos controlados pelo Estado. A sociedade tem o direito de saber quem fez o quê, com qual objetivo, e se os controles funcionaram.
A evolução das investigações no STF e o detalhamento do que a PF apurou deverão indicar se houve apenas versões conflitantes sobre encontros institucionais ou se existiu influência indevida em uma operação sensível, que foi barrada pelo Banco Central e precedeu a liquidação extrajudicial do Master.
Se você considera que temas como governança pública, responsabilidade fiscal e transparência em bancos ligados ao governo precisam de mais atenção, compartilhe esta matéria, deixe sua opinião nos comentários e assine a newsletter do Marco Antonio Costa para acompanhar as próximas atualizações.
Fontes e Referências
- Metro1 — Dono do Banco Master diz à PF que tratou venda ao BRB com Ibaneis Rocha
- g1 — Vorcaro: depoimento à PF e posicionamento de Ibaneis Rocha
- Investidor10 — Ibaneis nega ter tratado venda do Master em encontros com Vorcaro


