Empresa ligada a Vorcaro compra 90% de projeto eólico da família do ex Ministro Fabio Faria por imóvel de R$ 50 mi

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Vorcaro compra 90% de projeto eólico da família Faria por imóvel de R$ 50 mi

Destaques

  • Super Empreendimentos e Participações, ligada à família de Daniel Vorcaro, comprou 90% de uma SPE vinculada a um projeto eólico no RN.
  • A transação, formalizada em 21 de fevereiro de 2024, foi reportada com pagamento parcial por um imóvel em São Paulo avaliado em R$ 50 milhões.
  • Há menções públicas a um valor total em torno de R$ 67,5 milhões, mas essa cifra não aparece discriminada nos documentos públicos citados.
  • A família de Fábio Faria manteve 10% como parceiro local, preservando participação futura sem a maior parte do risco de execução.

Tempo de leitura estimado: 6 minutos

Núcleo verificável do negócio

Reportagens públicas convergem em quatro elementos essenciais sobre a operação formalizada em 21 de fevereiro de 2024: (1) a venda de 90% das cotas de uma SPE vinculada a um projeto eólico no Rio Grande do Norte; (2) os participantes — a família de Fábio Faria e a compradora Super Empreendimentos e Participações; (3) a forma de pagamento destacada em parte como um imóvel em São Paulo avaliado em R$ 50 milhões; e (4) a manutenção de 10% por parte da família de Faria como parceiro local.

há menções públicas a um preço total em torno de R$ 67,5 milhões

Essa cifra de R$ 67,5 milhões aparece em manchetes e repercussões, mas não está uniformemente discriminada nas fontes disponíveis; o componente mais detalhado e recorrente nas descrições é a entrega do imóvel estimado em R$ 50 milhões.

Quem são as empresas e por que a estrutura societária importa

Segundo reportagem do Poder360, a compradora foi a Super Empreendimentos e Participações, controlada por André Zettel, casado com Natália Vorcaro, irmã de Daniel Vorcaro. A SPE negociada é a Fazenda São Pedro Geradora de Energia, criada em 2021 pela família de Fábio Faria para desenvolver o projeto no RN.

Do ponto de vista institucional, o uso de holdings e SPEs é comum em energia, mas também gera opacidade funcional: direitos, licenças e estudos ficam concentrados em um veículo transacionável. No caso, a venda de participação societária (em vez de bens isolados) facilita a monetização do pipeline de desenvolvimento e desloca o foco para documentos societários e cartorários para verificação detalhada.

Pontos relevantes

  • SPE como ativo negociável: concentra licenças, estudos e direitos, tornando o projeto transacionável antes da construção.
  • Pagamento com ativo imobiliário: o valor e a liquidez do imóvel são cruciais para aferir se o preço foi justo.
  • Governança pós-venda: com 90% de controle, a compradora conduz a execução; a retenção de 10% pela família vendedora preserva upside futuro.

Pagamento com imóvel de R$ 50 milhões: incentivos, avaliação e risco de governança

As matérias citam um apartamento na Rua Arthur Ramos, em Pinheiros (SP), apontado como contrapartida avaliada em R$ 50 milhões. Segundo o Poder360, o imóvel teria sido comprado em setembro de 2024 por João Camargo, presidente do conselho do Esfera Brasil.

Questões objetivas surgem mesmo sem alegação formal de ilegalidade:

  • Critério de avaliação: falta acesso a laudos que expliquem como se chegou ao valor.
  • Liquidez: bens de alto padrão podem demorar para ser vendidos e sofrer ajuste de preço.
  • Encadeamento transacional: compra posterior por terceiros cria narrativa sobre circulação do ativo, que exige registros para verificação.

O projeto eólico no RN: dimensão, licenças e o valor de um pipeline “pronto para avançar”

As fontes descrevem um projeto com escala relevante no RN:

  • Localização: áreas em Guamaré (1.570 hectares) e Galinhos (7.116 hectares), somando 8.686 hectares.
  • Capacidade: até 372 MW (etapa 1: 240 MW; etapa 2: 132 MW).
  • Fator de capacidade estimado: 48,5%.
  • Histórico: menção a certificações, processos de licenciamento e audiências públicas no Idema-RN.

Em energia renovável, o valor do ativo em fase de desenvolvimento costuma refletir principalmente direitos e licenças — que reduzem incerteza e aceleram a execução quando transferidos a quem tem capacidade de financiamento e construção.

Cronologia e leitura pública do “timing”

A compra foi formalizada em 21 de fevereiro de 2024, segundo o Poder360. As matérias destacam que isso ocorreu antes da segunda fase da chamada “Operação Compliance Zero”, que teria investigado pessoas do entorno de André Zettel.

Editorialmente, o fato de uma investigação subsequente existir não valida, por si só, alegação de irregularidade na operação anterior. Ainda assim, o timing amplia o interesse público por transparência, pois aumenta o risco reputacional e a pressão por apuração documental.

O papel de Fábio Faria e a questão da porta giratória

Relatos indicam que, após deixar o ministério, Fábio Faria atuou em relações institucionais no Banco Master e que teria conhecido Daniel Vorcaro em evento do Esfera Brasil em janeiro de 2024, quando Vorcaro teria apresentado André Zettel, segundo apurações do blog de Gustavo Negreiros.

O ponto institucional não é moralizar encontros, mas mapear padrões: ex-autoridades têm capital relacional que pode ser convertido em valor privado. A fronteira legal é estreita — relacionamento não é crime —, e o problema surge se houver tráfico de influência, conflito de interesses ou uso de informação privilegiada.

Discrepância de valores (R$ 50 mi vs. R$ 67,5 mi)

A diferença entre as cifras pode advir de práticas comuns em M&A e projetos de infraestrutura:

  • Enterprise value: soma de parcelas fixas e condicionais.
  • Assunção de custos: responsabilidades por licenças, estudos e arrendamentos podem integrar o preço.
  • Laudos de avaliação: o valor do imóvel pode variar segundo perícias.
  • Estrutura em etapas: pagamentos adicionais vinculados a marcos do projeto.

Com as fontes públicas disponíveis, não é defensável apresentar R$ 67,5 milhões como preço comprovado sem o contrato ou documentação que detalhe a composição do pagamento. O registro defensável é: há menções públicas a esse total, sendo que o componente documental mais claro nas reportagens é o imóvel de R$ 50 milhões.

Consequências institucionais

Projetos de energia eólica dependem de órgãos ambientais, regras do setor elétrico, contratos de conexão e financiamento. Quando agentes politicamente expostos vendem ativos de desenvolvimento, três riscos institucionais se destacam:

  • Risco para o licenciamento: percepção de politização pode atrasar processos e gerar custo reputacional aos órgãos técnicos.
  • Risco para investidores: exposição pública pode encarecer capital por apreensão de compliance e reputação.
  • Precedente de monetização política: se influência e rede institucional forem percebidas como ativos monetizáveis sem transparência, reduz-se a confiança na impessoalidade do Estado.

O que ainda precisa ser provado

Para transformar a cobertura em verificação robusta, seriam necessários, ao menos, os seguintes documentos:

  • Contrato de compra e venda/cessão de quotas da SPE, com anexos e cláusulas de preço;
  • Alterações contratuais e atas registradas na Junta Comercial;
  • Laudos de avaliação do imóvel e comprovação de titularidade e ônus;
  • Registros cartorários (matrícula atualizada) do imóvel e eventuais transmissões;
  • Documentos do licenciamento no Idema-RN (status, condicionantes, licenças);
  • Se aplicável, comunicados oficiais sobre investigações citadas.

Sem essa documentação, o debate tende a reproduzir insinuações por proximidade — fracas para responsabilização institucional e perigosas para a qualidade do debate público.

O que a operação sinaliza sobre mercado e política no RN

O Rio Grande do Norte é um polo relevante de eólica no Brasil. Nesse ecossistema, projetos são frequentemente montados por grupos locais e depois vendidos a quem tem capital para construir. Estruturas com SPEs e parcerias locais (como a manutenção de 10% pela família vendedora) são compatíveis com práticas de mercado — mas tornam essencial que o Estado tenha mecanismos para mitigar conflitos de interesse e exigir transparência.

Síntese: o que muda e quem assume os riscos

  • Ganha controle: a Super Empreendimentos assume 90% e passa a direcionar o desenvolvimento.
  • Ganha liquidez: a família de Fábio Faria monetiza um ativo de desenvolvimento.
  • Mantém upside: ao reter 10%, mantém participação futura sem arcar com a maior parte do risco de execução.
  • Aumenta exposição: todos os envolvidos ficam sujeitos a escrutínio público e custo reputacional em razão do perfil dos agentes e do contexto de investigações posteriores.
  • Precedente: reforça padrão em que capital relacional e estruturas societárias podem reduzir a transparência pública.

Fontes e Referências

As principais peças consultadas para esta apuração incluem:

  • Reportagem do Poder360 sobre a compra realizada com imóvel.
  • Reportagem do BNews com repercussões sobre o negócio.
  • Notícia da MEXC registrada entre as referências publicadas.
  • Post do blog de Gustavo Negreiros com detalhes sobre contatos e apresentações entre os envolvidos.

O acompanhamento futuro deverá se virar para duas trilhas: (1) a trilha documental — contratos, registros e laudos — e (2) a trilha institucional — atuação de eventuais investigações que possam estabelecer conexões formais. O que reduz a zona de especulação é sempre documentação pública e decisões oficiais.

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Marco Antonio Costa

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