Paquetá no Flamengo: investimento de R$ 260 mi exige mudança tática

Paquetá
fonte: Nadine Oliver

Destaques

  • Lucas Paquetá chega ao Flamengo por €42 milhões (≈R$ 260 milhões) em parcelas até 2028.
  • A contratação só fará sentido se provocar mudança tática: atacar por dentro e controlar jogos grandes sem depender de lampejos.
  • Paquetá oferece perfil raro no Brasil: meia que joga em alta rotação por dentro, conecta saída, entrelinhas e último terço.
  • Estreia na final da Supercopa contra o Corinthians depende de registro no BID e condição física; risco físico é ponto sensível.

Tempo de leitura estimado: 3 minutos

Nesta matéria

Contexto e chegada

Chegando ao Galeão nesta quinta-feira (29), Lucas Paquetá foi recebido com bandeiras, faixas e contato direto com a torcida — um roteiro que alimenta a narrativa do “cria que voltou”. Mas a questão determinante para o clube e para os adversários é pragmática: o que muda em campo quando o Flamengo paga €42 milhões por um meia de 28 anos em parcelas até 2028?

O que muda na prática: Paquetá é um investimento para destravar o jogo entrelinhas

O Flamengo já tem volume de jogo. O diferencial que transforma posse em efetividade é a qualidade no corredor central: receber entre linhas, girar sob pressão, acelerar com passe correto e chegar na área como elemento surpresa. Paquetá traz um perfil raro no futebol brasileiro — um meia que atua em alta rotação por dentro e consegue conectar três fases numa só jogada.

Três fases que Paquetá conecta

  1. Saída/apoio: oferece linha de passe curta e ajuda a progredir sem bolas longas forçadas.
  2. Entrelinhas: recebe de costas, protege e devolve orientado para frente — o chamado

    “meio segundo”

    que quebra a marcação.

  3. Último terço: participa da construção do passe final, chega na área e atua como segundo atacante em momentos decisivos.

O risco é que Paquetá se torne apenas mais um nome de qualidade no elenco. Se o clube não adaptar o desenho tático para que ele funcione como gatilho do jogo interior, o investimento financeiro será difícil de justificar.

O turning point: compromisso do clube até 2028

O acordo com o West Ham, fechado na quarta (28), não é apenas um recorde de compra do clube e do país; é uma decisão estratégica que vincula o Flamengo a uma ideia esportiva: montar um time para ganhar agora com um meia como peça central. Parcelar o pagamento facilita o caixa imediato, mas impõe uma obrigação esportiva contínua — o clube passa a ter a responsabilidade de fazê-lo render ao longo do contrato.

Há ainda o aspecto médico: Paquetá vinha de ausências por desconforto nas costas no West Ham, embora a expectativa interna do Flamengo seja

“sem problemas para jogar”

. Isso acentua o risco físico da operação: exames e controle de carga serão determinantes para transformar a contratação em vantagem esportiva, e não em peso.

Quem se beneficia em campo: ataque, pontas e volantes — desde que o sistema seja coerente

Paquetá tende a impactar diretamente três perfis dentro do time:

  • Centroavante/falso 9: receberá mais bolas limpas por dentro, com tabelas e segunda chegada para disputar bolas no espaço curto.
  • Pontas: quando o adversário fecha a beirada, o passe por dentro vira atalho; se fecha o centro, o passe para os lados ganha vantagem.
  • Volantes: ter um meia confiável entre as linhas reduz chutões e perdas bobas, diminuindo transição defensiva.

Esses benefícios só aparecerão se a comissão técnica definir rapidamente qual função Paquetá terá: 10 central, 8 que chega à área ou um híbrido solto. Cada escolha exige ajustes na cobertura, na altura do bloco e no tipo de pressão pós-perda.

Supercopa contra o Corinthians: dá para estrear? Sim. Mas o jogo não vai esperar romantismo

Se for registrado no BID até sexta (30), Paquetá pode estar apto para estrear no domingo, na final da Supercopa contra o Corinthians. A estreia em si é uma decisão tática — uma final costuma punir falta de entrosamento nas coberturas e tomada de decisão acelerada.

A pergunta mais dura não será se ele jogou bem individualmente, mas se o Flamengo manteve controle do meio ou se passou a ser um time partido quando perde a bola — é nesse ponto que um reforço de elite se transforma em diferença real.

O que esse movimento expõe: reduzir margem de erro em jogos grandes

No cenário nacional, muitos times vencem por elenco; poucos vencem por controle. Ao investir R$ 260 milhões, o Flamengo sinaliza que quer as duas coisas — e isso aumenta a cobrança, reduz a tolerância a testes e diminui espaço para projetos longos. Paquetá, pela idade e preço, não chega como promessa, mas como resposta imediata.

E agora: o que observar nos próximos dias

Os passos formais (exames, assinatura no Ninho do Urubu e anúncio oficial) são protocolo. O que realmente importa é o pós-protocolo:

  • Registro no BID e condição física real — apurar minutos possíveis no domingo; acompanhar o registro junto ao órgão responsável, como o registro no BID da CBF.
  • Função definida na estreia ou integração por fases — 20–30 minutos com contexto claro podem valer mais que 90 minutos sem função definida.
  • Ajuste do time para jogar com um meia central sem perder proteção nas costas — cobertura, compactação e pressão pós-perda precisarão ser trabalhadas.

A torcida fez sua parte no aeroporto; agora cabe ao clube transformar um retorno simbólico em vantagem competitiva — e rápido, porque uma final não concede prazos.

Para análises anteriores sobre o impacto de grandes contratações no futebol brasileiro, veja uma reportagem do Fio Diário sobre grandes contratações.

Perguntas Frequentes

Paquetá pode jogar domingo na Supercopa?

Sim, desde que seja registrado no BID dentro do prazo e que os exames médicos confirmem condição para jogo. O clube terá de avaliar minutos recomendados e o risco de carga física antes de liberar 90 minutos.

Qual o principal risco desta transferência?

O risco maior é físico (histórico recente de desconforto nas costas) e o risco tático: se não houver adaptação do time ao perfil de Paquetá, o investimento financeiro pode não se traduzir em controle de jogos grandes.

O que o Flamengo precisa ajustar para aproveitar Paquetá?

Definir rapidamente a função do jogador, ajustar cobertura dos volantes e a compactação do bloco, e planejar integração por fases quando necessário para reduzir erros por falta de entrosamento.

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Marco Antonio Costa

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