Professor Christian Lohbauer – 30/01/2026 – COMO VAI SER A NOVA VENEZUELA

Professor Christian Lohbauer – 30/01/2026 – COMO VAI SER A NOVA VENEZUELA

Professor Christian Lohbauer, em análise publicada em seu canal no YouTube, discutiu o que acontece na Venezuela após a retirada do presidente do poder e por que, na prática, a queda de uma liderança não altera automaticamente a estrutura do regime. No episódio, ele descreve como o controle do país permanece distribuído entre grupos internos, avalia o papel das Forças Armadas e aponta caminhos históricos possíveis para uma transição democrática.

A estrutura de poder: três grupos e uma lógica de divisão interna

Segundo Lohbauer, a Venezuela se organizou, especialmente a partir do período chavista e com continuidade no governo Maduro, como um sistema no qual o poder é dividido entre grupos que dominam áreas estratégicas do Estado.

Na descrição apresentada no vídeo, esses núcleos se estruturam da seguinte forma:

  • O grupo ligado a Diosdado Cabello, com influência sobre Forças Armadas e polícia, além da relação com o narcotráfico;
  • A família Rodríguez, com atuação em segmentos da economia, serviços de espionagem e parte do setor de petróleo;
  • O grupo da família Maduro, também com domínio sobre interesses econômicos.

Para Lohbauer, essa divisão ajuda a explicar por que a retirada do presidente não significa, por si só, a desmontagem do regime: os atores que detêm armas, comando e recursos permanecem operando.

Como o regime se sustenta: privilégios militares e monopólio da força

Um ponto central da análise é a forma como o chavismo e, depois, o madurismo, mantiveram sustentação interna. Lohbauer explica que Hugo Chávez ampliou de maneira significativa o número de generais promovidos, criando uma casta militar com privilégios materiais e institucionais.

Ele cita benefícios como:

  • vantagens financeiras;
  • cargos e rendas vinculadas a estruturas estatais e paraestatais;
  • privilégios de moradia;
  • acesso a armas e posições de comando.

Com isso, avalia Lohbauer, o regime se mantém pelo monopólio da violência e por uma rede de incentivos que reduz a disposição de ruptura dentro das próprias forças de segurança, somando-se à atuação de uma polícia de Estado treinada por cubanos, como mencionado no episódio.

Delcy Rodríguez e a continuidade do sistema

No cenário descrito no vídeo, com a mudança no comando formal, Lohbauer aponta que a estrutura permanece semelhante porque os mesmos grupos seguem concentrando força e armamentos.

Ele também comenta a ascensão de Delcy Rodríguez, apresentada como uma figura mais radical do que Maduro, e afirma que o movimento inicial do novo comando foi abrir canal de diálogo com os Estados Unidos, como estratégia de sobrevivência política.

Dois modelos históricos de transição: colapso ou negociação

Para organizar o cenário venezuelano, Lohbauer recorre à literatura de ciência política sobre transições de regimes autoritários para democráticos. Ele apresenta dois caminhos principais:

  1. Transição por colapso, associada a conflitos e falência do regime, citando exemplos como Argentina (1982), Grécia, e Portugal (1975);
  2. Transição negociada, descrita como um processo mais lento, com pactos, concessões e reformas graduais, com referências como Espanha, Brasil e Chile.

Na leitura do professor, o caso venezuelano tende ao segundo modelo: uma transição negociada, longa e difícil, com etapas como:

  • convocação de eleições em horizonte médio ou longo;
  • possível assembleia constituinte para mudanças institucionais;
  • reabertura de liberdades civis e políticas, incluindo imprensa, circulação e liberdades econômicas.

Intervenção dos EUA e o debate sobre direito internacional e liberdades

Outro eixo do episódio é a discussão sobre intervenções internacionais. Lohbauer afirma que, no caso venezuelano, houve descumprimento de regras do direito internacional à luz da Carta da ONU, mas sustenta que o debate central deve considerar a finalidade moral e política do próprio direito internacional quando se trata de regimes que reprimem e produzem êxodo em massa.

Ele enfatiza a ideia de que o objetivo essencial, nesse tipo de cenário, é a restauração de liberdades fundamentais — de expressão, de imprensa, de ir e vir, e de proteção à vida e à propriedade — e argumenta que esse tema deve estar no centro das discussões.

Possíveis desdobramentos: pressão seletiva e sem invasão terrestre

O professor avalia que os Estados Unidos devem coordenar o processo de transformação política na Venezuela sem uma invasão por terra, mas com pressão contínua, incluindo ações seletivas para enfraquecer lideranças e abrir caminho para mudanças.

Ele também menciona a possibilidade de que a prisão do presidente gere cooperações e revelações sobre o funcionamento interno do regime, incluindo informações sobre articulações internacionais.

Guerra civil e potências externas: por que o cenário é improvável

Ao final, Lohbauer trata da hipótese de guerra civil e afirma que esse tipo de conflito normalmente depende de apoio externo consistente a lados em disputa. Na análise apresentada, ele considera improvável que China, Rússia ou Irã entrem nesse tipo de dinâmica, e destaca que o interesse chinês está concentrado no acesso ao petróleo, dentro de um contexto internacional que ele descreve como retorno a uma lógica de áreas de influência.

Conclusão

No episódio, Professor Christian Lohbauer organiza a conjuntura venezuelana a partir da permanência dos grupos que concentram força e recursos, argumenta que a saída do presidente não desmonta o regime automaticamente e aponta que o caminho mais provável é uma transição negociada, inspirada em casos históricos.

Ele também discute o papel dos Estados Unidos na coordenação do processo, o debate sobre direito internacional e a baixa probabilidade de uma guerra civil sustentada por potências externas, dada a configuração atual de interesses internacionais.

Este conteúdo faz parte da cobertura do Portal Fio Diário e está associado às análises publicadas no canal parceiro do professor em Professor Christian Lohbauer.

Compartilhe:

Publicidade

Banner 300x250 00000 1
Marco Antonio Costa

Assine o fio diário+

Venha fazer parte dessa luta pela liberdade e pelo fim do monopólio da comunicação do consórcio que hoje domina e manipula a mente de milhões de brasileiros.

Receba dicas e recursos gratuitos diretamente na sua caixa de entrada, inscreva-se, agora!

Envie-nos sua sugestão ou crítica.

Preencha corretamente o formulário abaixo.

Anuncie no Fio Diário

Preencha os dados abaixo e receba informações sobre formatos, valores e alcance do portal.