QUEM LACRA NÃO LUCRA: Escola de Samba recebe grana do Lula pra debochar de Bolsonaro e toma boicote!

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Com ironia e exagero, oiluiz TV compara Narcos ao Carnaval e critica homenagem a Lula na Sapucaí

No canal oiluiz TV, o humorista Luiz Galeazzo transforma um assunto político-cultural em sátira: a escolha de Lula como tema de samba-enredo pela Acadêmicos de Niterói, em pleno ano pré-eleitoral. Entre comparações improváveis com Narcos, hipérboles e provocações, o vídeo tenta mostrar como espetáculo, verba pública e idolatria podem se misturar — e usa o riso como forma de acentuar a estranheza que enxerga nesse cenário.

Introdução: quando o riso vira lente para ler o noticiário

Carnaval e política já se cruzaram muitas vezes no Brasil — seja por homenagens, críticas, enredos históricos ou disputas por visibilidade. O vídeo de Luiz Galeazzo entra nesse terreno com uma escolha clara: em vez de argumentar de forma “reta”, ele aposta na ironia e na comparação exagerada para conduzir o público a uma pergunta central.

A provocação que organiza o roteiro é simples de entender, mesmo para quem não acompanha bastidores do samba: até que ponto uma homenagem a um presidente em exercício, com participação de figuras do governo e apoio financeiro estatal, pode ser lida como cultura — e até que ponto pode soar como palanque? O humor funciona, ali, como um amplificador: pega elementos reais (enredo, verbas, transmissão, personagens) e os estica até virarem crítica.

Abertura em estilo Narcos: espetáculo como ferramenta de poder

Logo no início, o apresentador recorre a Narcos e ao personagem Pablo Escobar como metáfora. Em tom de choque cômico, Luiz descreve a dinâmica do “benfeitor criminoso” — aquele que distribui favores, banca festas e conquista aplausos apesar do histórico violento.

A partir daí, a sátira propõe um “corte de cena”: sai Medellín, entra Sapucaí. A piada não depende de o espectador aceitar a equivalência literal (o próprio exagero sinaliza que é uma figura de linguagem). O que ela quer sublinhar é a ideia de popularidade construída por espetáculo e benefício, com o público aplaudindo quem controla recursos.

“Comício em fantasia”: a crítica ao timing e ao palco

Um dos alvos do vídeo é o contexto eleitoral. Galeazzo insiste na proximidade com a eleição e no fato de a homenagem ocorrer em um espaço de enorme audiência, destacando a vitrine do Carnaval e a transmissão em horário nobre.

Nesse ponto, o humor aparece como uma espécie de “tradução maldosa” do que ele enxerga: o desfile seria, na leitura do canal, um evento com estética de cultura e dinâmica de campanha. A narrativa não tenta provar juridicamente — ela tenta carimbar a sensação com frases de efeito, como quando chama a situação de “comício financiado pelo imposto”.

A piada do “não pode fazer o L”: quando a regra vira punchline

O vídeo também explora uma contradição como recurso cômico: a menção de que haveria orientação para evitar o gesto de “fazer o L” durante o desfile. Luiz transforma isso em símbolo de “teatro da legalidade”: como se fosse permitido insinuar tudo, desde que o gesto mais óbvio não apareça.

A sátira funciona aqui como comentário sobre forma e conteúdo: se há preocupação com o sinal explícito, é porque há consciência do conteúdo político, sugere o subtexto.

A história da escola e o enredo “poético”: botânica como cortina de fumaça

Outra estratégia do roteiro é alternar indignação performática com detalhes que soem absurdos. O apresentador conta a trajetória recente da Acadêmicos de Niterói (data de registro, início de funcionamento e a obtenção de vaga de outra escola) para construir uma atmosfera de “conchavo” — sempre no modo caricatural.

O título do enredo (“Do alto do Mulungu surge a esperança…”) vira combustível para a piada: Galeazzo afirma que, quando não se fala de escândalos, fala-se de árvore. A graça está menos na botânica e mais na sugestão de que a narrativa seleciona o que mostrar e o que omitir, como uma biografia “editada”.

Dinheiro público como motor do deboche: a engrenagem central da crítica

O eixo mais repetido (e mais importante) do vídeo é o financiamento. O apresentador menciona valores, fontes (governo federal, prefeitura, estado) e também a tentativa de captação via Lei Rouanet, usando isso como base para a tese de “autopremiação”: o governo ajudaria a financiar um desfile que o exalta.

Na linguagem do vídeo, isso vira uma espécie de “cashback institucional” — expressão que condensa a crítica em humor de fácil compreensão. A ideia é simples: quem está no poder ajuda a bancar uma homenagem a si mesmo, e a conta, na visão do canal, recai sobre o contribuinte.

Bolsonaro como “personagem” no desfile: o adversário como contraponto cômico

Galeazzo também descreve, em tom de deboche, a presença de provocações a Bolsonaro em ensaios e materiais visuais. Para o humor do canal, esse é o “plot twist” que reforça a tese de propaganda: um samba supostamente sobre Lula acabaria gastando energia com o adversário.

A crítica aparece como diagnóstico satírico: o vídeo sugere que o bolsonarismo viraria “obsessão” do campo adversário, a ponto de invadir até um enredo comemorativo. A forma é hiperbólica; o objetivo é apontar a polarização como motor de narrativa.

Espectáculo, tradição e poder: o vídeo encaixa tudo numa linha histórica

Já perto do fim, o apresentador puxa um argumento mais “histórico”, citando usos políticos do samba em outras épocas (como Vargas e a ditadura). A diferença, segundo ele, seria o grau de explicitude atual.

Mesmo aqui, a abordagem não vira aula: segue como comentário editorial com humor ácido. O ponto é reforçar que cultura e poder sempre conversaram, mas que, na leitura do canal, a fronteira estaria mais escancarada.

Principais pontos do vídeo (em resumo)

  • Comparação satírica entre Narcos (espetáculo e idolatria) e a Sapucaí (homenagem política como espetáculo).
  • Crítica ao enredo que homenageia Lula em contexto pré-eleitoral, com transmissão de grande alcance.
  • Exploração cômica de contradições (como a orientação de evitar o gesto do “L”).
  • Ênfase no uso de verbas públicas para viabilizar o desfile, tratado como “autopremiação”.
  • Observação de que o adversário político (Bolsonaro) aparece como alvo/contraponto em conteúdos do desfile.
  • Uso de exagero, metáforas e frases de efeito para transformar indignação política em narrativa humorística.

Conclusão: a sátira como atalho para discutir limite entre homenagem e propaganda

No vídeo do oiluiz TV, o riso não aparece como fuga do tema — aparece como método. Ao escolher metáforas fortes e comparações improváveis, Luiz Galeazzo tenta empurrar o espectador para uma leitura específica: quando o Estado financia um espetáculo que exalta o próprio governo, a fronteira entre cultura e propaganda fica, no mínimo, desconfortável.

A força do conteúdo está justamente na forma: ele não pede concordância pelo rigor técnico, mas pela sensação de “isso está estranho”. E, em tempos de polarização, esse tipo de humor — provocativo, hiperbólico e narrativo — costuma ressoar porque transforma debate político em história fácil de acompanhar.


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Marco Antonio Costa

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