MINUTO DO MUSA – 07/02/2026 – CUBA: PIOR APAGÃO DESDE 1970? ENTENDA A NOVA CRISE DO PAÍS | BRUNO MUSA
Bruno Musa analisa crise de energia em Cuba e reflexos no Brasil
Em seu canal, o economista Bruno Musa afirmou que Cuba vive um momento-limite na crise energética, com menos de 20 dias de petróleo para sustentar a demanda interna. No episódio, ele relaciona o quadro de apagões, queda do turismo e deterioração social ao modelo econômico centralizado. Ao final, Musa conecta o tema ao debate político brasileiro e às eleições de 2026, com foco em economia, produtividade e investimentos.
A análise parte de um ponto central: sem energia, a atividade econômica para — e, na avaliação do apresentador, a ilha entrou numa fase em que o colapso deixa de ser uma hipótese distante e passa a ser uma questão de tempo. Musa também relembra visitas que fez a Cuba em 2007 e 2022 para ilustrar, com exemplos do cotidiano, como a escassez se aprofundou.
Crise energética: “menos de 20 dias” e risco de apagão recorde
Bruno Musa cita dados da consultoria de energia Kepler para sustentar que Cuba tem menos de 20 dias de petróleo para atender sua demanda interna. Ele destaca que o governo cubano tende a impor novas restrições para evitar um colapso total — que, para ele, seria a maior crise desde 1991, após a queda da União Soviética.
No vídeo, Musa menciona a previsão de um apagão recorde, com 63% do país simultaneamente sem luz em um sábado específico, como sinal do agravamento do problema. A leitura do economista é direta: a falta de energia compromete residências, transporte, refrigeração de alimentos e o funcionamento das poucas fábricas que ainda operam.
Dependência do petróleo e gargalos internos
Um dos pilares do diagnóstico apresentado é a dependência estrutural de Cuba do petróleo para gerar eletricidade. Musa aponta que, segundo dados citados por ele de um órgão oficial ligado à energia, cerca de 83,5% da geração elétrica cubana depende do petróleo.
Ao mesmo tempo, ele afirma que a produção interna gira em torno de 40 mil barris por dia, enquanto a necessidade mínima para manter o país funcionando “no básico do básico” fica entre 70 mil e 100 mil barris diários. Com instalações obsoletas e parte da infraestrutura parada, a produção local não cobre o consumo mínimo — o que amplia a dependência de importações.
Para dimensionar o quadro, Musa compara o consumo cubano com outros locais: menciona Porto Rico (com cerca de 3 milhões de habitantes) consumindo 100 mil barris por dia, enquanto Cuba, com 10 a 11 milhões de pessoas, precisaria de 70 a 100 mil barris diários para manter o mínimo.
Corte de fornecimento: Venezuela e México saem de cena
Na avaliação de Bruno Musa, a crise se acelera porque os principais fornecedores externos reduziram drasticamente os envios. Ele afirma que a Venezuela, que em dezembro enviava cerca de 46,5 mil barris por dia para Cuba, passou a enviar zero em janeiro de 2026. O México, que teria se tornado o maior fornecedor em 2025, também entra no centro do debate por estar, segundo Musa, sob forte pressão dos Estados Unidos.
O economista cita o consultor mexicano Gonzalo Monroy para reforçar a ideia de que, sem a Venezuela e com o México limitado, Cuba fica sem margem de manobra. Musa também menciona que Rússia aparece no histórico de fornecimento, mas que, no cenário descrito, a ajuda externa deixou de ser suficiente para sustentar o modelo.
Reservas curtas e contagem regressiva
Bruno Musa detalha números de estoque para explicar por que fala em “menos de 20 dias”. Ele afirma que, no começo de janeiro, Cuba tinha cerca de 460 mil barris em reservas. Somando os 84 mil barris recebidos no mês, o total chegaria a aproximadamente 545 mil barris disponíveis.
Com esse volume, Musa calcula dois cenários:
- cerca de 14 dias se considerado o ritmo médio de importação diária do ano anterior;
- cerca de 18 dias se considerado o consumo mínimo de 100 mil barris por dia para manter a ilha operando no essencial.
Ele acrescenta que o último carregamento de petróleo teria chegado em novembro e que, desde então, não houve novas entradas relevantes — o que, na narrativa do episódio, reforça a sensação de “contagem regressiva”.
Vida cotidiana e deterioração social: o relato das viagens
Para além dos gráficos, Musa usa as próprias viagens a Cuba (2007 e 2022) como contraste. Ele descreve que, anos atrás, o turismo ainda sustentava parte da estrutura: Havana era muito pobre, mas hotéis — especialmente em Varadero — mantinham oferta de produtos e serviços.
Na visita mais recente, ele relata falta de itens essenciais até em áreas turísticas, filas e demora para abastecer carros, além de maior dependência do mercado paralelo para conseguir produtos em Havana. O economista também menciona o impacto emocional de ver a escassez de perto, citando que sua família não pretende retornar ao país.
Musa amplia o quadro com indicadores sociais que, segundo ele, aparecem em dados oficiais: salários médios entre 10 e 12 dólares, racionamento generalizado e piora de condições como fome, doenças e mortalidade infantil. Ele ressalta ainda o efeito da falta de energia em um clima quente e úmido: sem eletricidade, alimentos estragam, a água deixa de circular com regularidade e o risco sanitário aumenta.
Êxodo e perda de receitas: turismo em queda
Outro eixo do episódio é a perda de receitas. Musa afirma que Cuba dependia fortemente de recursos vindos da Venezuela e de acordos de troca — como petróleo por serviços médicos — e cita o programa Mais Médicos, no Brasil, como exemplo de mecanismo que teria ajudado a financiar o regime cubano.
Além disso, ele aponta que o turismo, que em 2023 teria representado cerca de 20% da receita do país e mais de 35% dos investimentos, entrou em declínio acelerado. Musa cita uma trajetória de queda: de 4,7 milhões de turistas em 2017 para 2,2 milhões em 2024, com estimativa de 1,5 milhão em 2025 e número ainda menor em 2026.
O economista menciona declarações do setor de turismo indicando que, mesmo quando há comida e água para turistas com dólares, não há garantia de luz — e que visitantes são orientados a levar lanternas recarregáveis, ventiladores e baterias externas. Para Musa, esse tipo de recomendação ajuda a explicar por que o turismo “despencou”.
Relação com os EUA: de Obama a Trump e o efeito sobre viagens
Bruno Musa relembra a reaproximação entre Cuba e Estados Unidos no período de Barack Obama, citando a visita a Havana em 2016 e a expansão de iniciativas como o Airbnb e redes hoteleiras. Na leitura do economista, o regime cubano não aproveitou a janela para promover mudanças.
Ele também descreve o endurecimento posterior: em 2017, Donald Trump retomou restrições, incluindo limitações a hotéis ligados ao Exército cubano. Mais adiante, Musa cita medidas do governo Biden que aumentaram o custo para turistas — como restrições relacionadas ao programa de isenção de visto para quem visitou Cuba após 2021 — e menciona relatos de agentes do setor indicando desistências de viagem por esse motivo.
O link com o Brasil e as eleições de 2026
Ao conectar Cuba ao debate brasileiro, Musa afirma que o caso cubano ilustra o fracasso de economias centralizadas e reforça a necessidade de o Brasil buscar produtividade, flexibilidade, inovação e criatividade. Ele critica ideias que associa ao “centralismo” e cita Lula e Dilma ao comentar alianças políticas e modelos defendidos no passado.
No encerramento, o economista leva a discussão para o mercado: diz ver oportunidades de proteção e de ganhos em ativos diante de mudanças políticas e econômicas em diferentes regiões, defendendo que o investidor se antecipe aos movimentos antes que virem “manchete”.
Principais pontos abordados:
- Cuba, segundo Bruno Musa, tem menos de 20 dias de petróleo para sustentar a demanda interna
- Corte de envios da Venezuela e restrições ao México agravam a dependência externa da ilha
- Geração elétrica cubana depende majoritariamente de petróleo, com produção interna insuficiente
- Queda do turismo e piora das condições de vida reduzem receitas e aumentam a pressão social
- Musa conecta o caso cubano ao debate brasileiro sobre produtividade, modelo econômico e eleições de 2026
Conclusão
Bruno Musa conclui que a crise energética acelerou um processo de esgotamento do modelo cubano, com impacto direto no cotidiano da população e na capacidade mínima de funcionamento do país. Para ele, a combinação de falta de petróleo, infraestrutura precária e queda de receitas coloca Cuba no limite e tende a aumentar a pressão por mudanças. No Brasil, o economista usa o episódio como alerta sobre escolhas econômicas e políticas, defendendo uma agenda de produtividade e antecipação de tendências no mercado.
Para mais análises sobre economia e mercado financeiro, acompanhe o portal Fio Diário e o canal parceiro de Bruno Musa.




