Flamengo vence, mas não convence

Flamengo vence
Freme retirado de video da GE TV no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=fIMnEts7U-c

Vitória 1 x 2 Flamengo – 10 de fevereiro de 2026 – Campeonato Brasileiro

Destaques da partida

  • Flamengo venceu por 2 a 1 fora de casa.
  • Vitória terminou com mais finalizações certas (3 a 2).
  • Rubro-Negro teve 55,8% de posse de bola.
  • Pênalti defendido aos 56 minutos foi decisivo.

Introdução

O Flamengo venceu. Isso é fato. Três pontos na tabela, resultado positivo fora de casa, começo de campeonato consolidado. Mas futebol não é só matemática. Futebol também é desempenho, consistência, imposição. E se a gente for honesto na análise, o que fica dessa partida contra o Vitória é exatamente a sensação expressa no título: o Flamengo vence, mas não convence.

O placar de 2 a 1 pela terceira rodada do Brasileirão 2026 não conta a história completa. O primeiro tempo foi relativamente controlado pelo Rubro-Negro. O segundo foi quase um teste de nervos. E no meio disso tudo, um Vitória que, embora derrotado, talvez tenha saído mais fortalecido moralmente do que muitos imaginam.


Primeiro tempo: eficiência acima da performance

O Flamengo começou como se espera de um elenco mais caro, mais qualificado e mais experiente. Teve mais posse de bola (55,8% segundo os dados oficiais), girou o jogo, tentou controlar o ritmo. Abriu o placar aos 15 minutos e ampliou ainda nos acréscimos da primeira etapa.

No papel, parecia domínio.

Mas quem assistiu com atenção percebeu que não foi exatamente isso. O Flamengo não sufocou. Não impôs intensidade contínua. Não criou avalanche ofensiva. Foi eficiente nas chances que teve — e isso conta muito — mas não apresentou superioridade esmagadora.

E aqui começa o ponto central: vencer é obrigação quando se tem elenco superior. Convencer é mostrar que a diferença técnica aparece no jogo coletivo. E isso não ficou claro.


O Vitória não aceitou o roteiro

Se o primeiro tempo foi de controle rubro-negro, o segundo foi de reação baiana.

O Vitória voltou com postura diferente. Mais agressivo na marcação, mais vertical nas transições, mais intenso fisicamente. Diminuiu o placar logo aos 51 minutos e mudou completamente a temperatura da partida.

É importante destacar isso: o Vitória não diminuiu por acaso. Não foi um gol isolado, fortuito. Foi consequência de pressão, de ajuste tático e de coragem.

Depois do gol, o Flamengo perdeu estabilidade emocional. A saída de bola ficou mais tensa. O meio-campo começou a errar passes simples. A defesa demonstrou insegurança em bolas aéreas e infiltrações pelo meio.

E então veio o lance que poderia ter redefinido a narrativa do jogo: o pênalti para o Vitória aos 56 minutos.

Ali estava o ponto de virada. O empate era possível. O estádio estava inflamado. O momento psicológico era totalmente favorável ao time da casa.

A defesa do goleiro do Flamengo não foi apenas técnica. Foi simbólica. Mudou o rumo da partida.

Mas é preciso fazer uma pergunta honesta: se aquele pênalti entra, o Flamengo teria estrutura emocional para reagir?


Os números explicam o incômodo

Estatisticamente, o Flamengo teve mais posse, porém isso não se refletiu no números. O Flamengo teve menor número de escanteios (2 conta 7). Finalizou menos (6 contra 10). E quando olhamos para finalizações certas, o Vitória acertou mais o alvo: 3 contra 2.

O Flamengo teve volume, mas não teve agressividade real. Teve bola, mas não teve profundidade constante. Criou pouco para quem teve tanto controle territorial.

É aí que a frase ganha força: Flamengo vence, mas não convence.

Porque convencer passa por transformar superioridade técnica em domínio claro. E isso não aconteceu. O que deu a vitória ao Flamengo foi a eficincia individual dos seus jogadores ^,que mesmo finalizando pouco e acertando apenas duas vezes o alvo, ambas as oportunidades foram convertidas em gol.


Méritos do Vitória

Seria injusto tratar o jogo apenas sob a ótica rubro-negra. O Vitória merece análise séria.

A equipe mostrou personalidade. Não se intimidou. Ajustou a marcação no segundo tempo, pressionou alto, explorou erros do adversário e teve coragem para acelerar o jogo.

Mesmo com menos posse, foi mais direto. Mais objetivo. Mais intenso na segunda etapa.

Recebeu quatro cartões amarelos? Sim. Mas isso também revela competitividade. Não houve passividade.

O Vitória mostrou algo que muitos times não conseguem contra elencos grandes: capacidade de reagir emocionalmente após estar dois gols atrás.

Perdeu o pênalti? Perdeu. Mas criou o cenário para que ele existisse.

Isso diz muito.


Problemas estruturais do Flamengo

Se o Flamengo quer disputar o topo com consistência, precisa corrigir pontos claros:

  1. Transição defensiva lenta – Após perder a bola, a recomposição foi falha.

  2. Queda emocional após sofrer gol – O time oscilou demais.

  3. Pouca criatividade central – Muito jogo lateral, pouca infiltração vertical.

  4. Dependência de momentos individuais – Faltou padrão coletivo sólido.

Não é crise. Não é terra arrasada. Mas também não é atuação de time dominante.

E campeonato de pontos corridos cobra regularidade, não lampejos.


Vitória sai derrotado, mas fortalecido

Paradoxalmente, o Vitória talvez saia mais satisfeito com sua própria atuação do que o Flamengo com a dele.

O time mostrou organização tática, intensidade e coragem. Se repetir o segundo tempo em outras rodadas, pode surpreender muita gente.

O grande problema foi a eficácia. E isso, diferentemente de organização coletiva, às vezes se resolve com confiança e repetição.


O que essa vitória realmente significa?

Três pontos fora de casa são valiosos. Isso é inegável.

Mas existe uma diferença entre vencer controlando e vencer sobrevivendo. O Flamengo, no segundo tempo, sobreviveu.

E aqui entra uma análise mais ampla: times que brigam por título conseguem ganhar jogando mal. Isso é verdade. Mas também conseguem impor respeito mesmo quando não brilham.

O Flamengo ainda não mostrou essa autoridade consistente.

O campeonato está no início. Há margem para evolução. Mas se o padrão de oscilação continuar, adversários mais estruturados podem aproveitar.


A questão mental

Existe algo interessante nesse jogo: o fator emocional.

O Flamengo, após abrir 2 a 0, pareceu relaxar. O Vitória, após diminuir, pareceu crescer.

Isso revela que a parte mental ainda é um campo sensível.

Times campeões não perdem controle psicológico tão facilmente. Não se deixam dominar territorialmente após sofrer um gol.

Esse é um ponto que comissão técnica e jogadores precisam avaliar com seriedade.


Perspectiva para a sequência

O Brasileirão não perdoa inconsistência. Cada rodada oferece um tipo diferente de desafio: campo pesado, pressão de torcida, elenco alternativo, arbitragem rigorosa.

Se o Flamengo quiser transformar potencial em campanha sólida, precisa:

  • Ajustar recomposição defensiva.

  • Melhorar infiltração ofensiva.

  • Manter intensidade mesmo com vantagem no placar.

  • Reduzir oscilações emocionais.

Já o Vitória, se mantiver a postura do segundo tempo, pode complicar a vida de muitos adversários.


Conclusão: vitória pragmática, atuação questionável

No fim das contas, o Flamengo venceu. Isso é o que vai para a tabela. Isso é o que conta oficialmente.

Mas análise séria não para no placar.

O Flamengo vence, mas não convence porque deixou dúvidas no ar. Porque foi pressionado. Porque sofreu mais do que deveria após abrir dois gols. Porque produziu pouco ofensivamente para quem teve a bola por mais tempo.

Ao mesmo tempo, o Vitória mostrou que pode competir com coragem e organização.

O campeonato continua. E é justamente essa sequência que vai dizer se essa vitória foi apenas um tropeço de desempenho ou o primeiro sinal de que ajustes urgentes precisam ser feitos.

Uma coisa é certa: somar pontos é essencial. Mas convencer é o que separa candidatos de protagonistas.

E hoje, o Flamengo ainda precisa provar que pode ser o segundo — não apenas o primeiro.

Referências

Acompanhe nossa cobertura completa do Campeonato Brasileiro 2026 aqui no Fio Diário.

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Marco Antonio Costa

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