Um levantamento realizado pela seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aponta que a maioria de advogados consultados avalia de forma negativa a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os 12.700 participantes, 62,82% classificaram a atuação da Corte como negativa ou muito negativa. Outros 13,51% indicaram avaliação positiva, enquanto 3,84% afirmaram não ter opinião.
Os dados foram apresentados em evento promovido pela entidade, que discutiu temas relacionados ao funcionamento das instâncias superiores e ao acesso ao sistema de Justiça. A pesquisa foi conduzida pela comissão de estudos sobre Reforma do Judiciário.
Apenas 8% dos advogados de SP defendem permanência dos ministros do STF
O levantamento também tratou do formato de permanência dos ministros do Supremo. Apenas 8,31% defendem a manutenção do modelo atual. A maioria, 84,73%, indicou preferência por mandato com prazo definido. Dentro desse grupo, 64,10% sugerem período de oito anos e 10,63% optam por dez anos.
A comissão responsável reúne nomes que já ocuparam cargos no Judiciário e no Executivo, como Ellen Gracie, Cezar Peluso, José Eduardo Cardozo e Miguel Reale Júnior.
Indicação de Jorge Messias para o Supremo
O estudo foi divulgado em um momento em que está em andamento a indicação de Jorge Messias para o Supremo. A nomeação depende de análise no Senado, presidido por Davi Alcolumbre. No levantamento, 81,89% dos advogados defendem mudanças no processo de escolha dos ministros, enquanto 10,23% apoiam a manutenção do modelo atual.
A pesquisa foi realizada entre dezembro de 2025 e março de 2026 e incluiu perguntas sobre o funcionamento do sistema de Justiça. A demora na tramitação de processos foi apontada como o principal problema por 55,63% dos participantes.
Dados do Conselho Nacional de Justiça indicam que uma ação judicial leva, em média, dois anos e três meses para ser concluída. No Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, o tempo médio informado é de três anos e dez meses.
Outro ponto citado foi o descumprimento de regras processuais. Para 50,52% dos respondentes, o tema é considerado gravíssimo.




