Com Lula, juros médios chegam a 32,8% ao ano e atingem maior nível desde 2016

Sede do banco central, que administra os juros no Brasil
Dados do Banco Central do Brasil indicam alta nas taxas de crédito e avanço da inadimplência no sistema financeiro. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A taxa média de juros no Brasil alcançou 32,8% ao ano em janeiro, conforme dados do Banco Central do Brasil. O patamar é o mais elevado desde novembro de 2016.

O avanço das taxas ocorre em um contexto de aumento do risco percebido pelas instituições financeiras. Desde o início do atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o custo do crédito subiu 7,8 pontos percentuais, refletindo mudanças no ambiente econômico e fiscal. As informações foram apuradas pela Gazeta do Povo.

Mesmo com uma redução recente da taxa básica de juros, os efeitos tendem a ser graduais. A transmissão ao crédito para consumidores e empresas pode levar de seis a nove meses, segundo análises do mercado.

Juros mais altos atingem famílias e empresas

Os dados indicam que o aumento foi mais intenso no crédito para pessoas físicas. A taxa média chegou a 38% ao ano em janeiro, nível não observado desde maio de 2017.

No caso das empresas, os juros médios atingiram 21,4% ao ano, maior marca em mais de dez anos. O movimento acompanha a reavaliação de risco por parte dos bancos, que ajustam as condições de empréstimo diante da capacidade de pagamento dos tomadores.

Inadimplência cresce e crédito tende a recuar

O aumento do custo do crédito já se reflete nos indicadores de atraso. A inadimplência no sistema financeiro chegou a 4,2% em janeiro, maior nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 2011.

Com taxas elevadas, instituições financeiras indicam maior rigor na concessão de crédito ao longo de 2026. A tendência é de redução na oferta, com critérios mais restritivos para novos financiamentos.

A trajetória das contas públicas aparece como um dos fatores que influenciam a manutenção de juros elevados. O país registra déficits recorrentes desde novembro de 2014, período que inclui o governo de Dilma Rousseff, com exceção de um intervalo entre o fim de 2021 e o início de 2023.

No terceiro mandato de Lula, os resultados negativos se intensificaram. Até dezembro de 2025, houve déficit em 29 dos 36 meses analisados. A dívida pública alcançou 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), após aumento de sete pontos percentuais.

Projeções indicam pressão prolongada

Estimativas apontam continuidade da deterioração fiscal nos próximos anos. Projeções indicam dívida de 83,8% do PIB em 2026 e de 94,1% em 2030.

Nesse cenário, a taxa básica de juros permanece em nível elevado, próxima de 15% ao ano. O país figura entre aqueles com maiores juros reais do mundo, o que contribui para manter o crédito em patamares altos e restringir cortes mais acelerados.

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Marco Antonio Costa

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