PF envia a Moraes novo relatório e reafirma ausência de interferência de Bolsonaro em investigações

Bolsonaro em entrevista
Relatório da Polícia Federal foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes e segue para análise da Procuradoria-Geral da República. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A Polícia Federal encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes um novo relatório sobre o inquérito que apura suposta interferência do ex-presidente Jair Bolsonaro em investigações da corporação. O documento conclui, pela segunda vez, que não houve atuação do então chefe do Executivo para influenciar apurações envolvendo familiares ou aliados.

Conforme a Gazeta do Povo, a investigação teve início em 2020, após declarações do senador Sergio Moro ao deixar o Ministério da Justiça. Na ocasião, ele afirmou que Bolsonaro teria tentado intervir na direção-geral da PF para obter informações de investigações em andamento.

Celso de Mello reiterou sigilo de reunião em que Bolsonaro participou

Ainda naquele ano, o então relator do caso, Celso de Mello, retirou o sigilo de uma reunião ministerial em que Bolsonaro cobrou acesso a dados de inteligência. Pedidos para apreensão do celular do ex-presidente foram negados.

Com a aposentadoria de Mello, Alexandre de Moraes assumiu o inquérito. Antes disso, ele já havia barrado a nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da PF, ao apontar desvio de finalidade com base nas declarações de Moro.

Em 2022, a então vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, solicitou o arquivamento do caso após um primeiro relatório da PF não identificar irregularidades. O inquérito permaneceu aberto e sem andamento até que, em outubro do ano passado, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a retomada das diligências.

O novo relatório foi entregue no dia 2 de abril. No documento, o delegado Carlos Henrique Pinheiro de Melo afirma que não foram encontradas evidências de interferência nas investigações citadas por Moro.

“Em relação ao primeiro inquérito judicial (INQ 4.781), à luz dos elementos coligidos no curso do IPL 2021.0031208 – CCINT/CGCINT/DIP/PF, nos termos do relatório final já acostado, constata-se que não há menções de que tal investigação tenha sofrido interferências. Em relação ao segundo inquérito judicial (INQ 4.828), vale ressaltar que, de igual sorte, não foram observadas no IPL 2021.0031208 – CCINT/CGCINT/DIP/PF informações que indicam interferências no destacado procedimento judicial”, escreveu o delegado.

Inquéritos

Segundo o relatório, os inquéritos mencionados eram conduzidos diretamente por Moraes, com atuação de equipes da própria PF, sem passar pela direção-geral do órgão.

Em resposta a questionamentos, o próprio ministro informou que não havia registros de interferência nessas investigações.

O ex-diretor-geral da PF Maurício Valeixo declarou, em depoimento, que os casos sob relatoria de Moraes não passavam pela estrutura administrativa da corporação, o que afastaria a possibilidade de interferência.

Bolsonaro afirmou que a intenção de substituir Valeixo estava relacionada à suspeita de vazamento de informações sigilosas.

O inquérito segue aberto. Moraes encaminhou o novo relatório à Procuradoria-Geral da República para manifestação.

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Marco Antonio Costa

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