Zema diz avaliar ação contra Gilmar Mendes após fala sobre sotaque: ‘Ofensiva, xenofóbica”

Zema enquanto era governador
Foto: Gil Leonardi / Imprensa MG

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República pelo Novo, Romeu Zema, declarou neste sábado (25) que acionou sua equipe jurídica para analisar uma possível ação contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes. A iniciativa ocorre após declarações do magistrado sobre o sotaque do político.

“O jurídico meu e do partido estão avaliando, né? É uma fala ofensiva, xenofóbica, que destrata milhões de brasileiros que conversam como eu. Se ele teve essa oportunidade de estudar na Alemanha, em Coimbra, parabéns para ele, né? Mas ele parece que está se considerando, como os intocáveis de Brasília se consideram, uma casta superior. Enquanto ele está lá vivendo no luxo, nós, brasileiros que trabalhamos, estamos vivendo no lixo. E não fui eu que tomei carona em jatinho de criminoso”, afirmou o político em entrevista à rádio Itatiaia durante a Expozebu, em Uberaba (MG).

Durante participação no evento, Zema citou medidas econômicas que considera relevantes para o país, como o controle da hiperinflação no final dos anos 1990 e a criação de um fundo de reserva. Ele também mencionou o setor agropecuário ao tratar do tema. As informações são da CNN Brasil.

Na sequência, o ex-governador voltou a criticar o Judiciário, os gastos do governo e a segurança pública. Segundo ele, esses pontos precisam de mudanças.

“Agora faltam só três [avanços]: um choque moral, para acabar com essa pouca vergonha que nós estamos vendo. Vamos ter, sim, que renovar esse Judiciário onde a corrupção está correndo solta; precisamos de um choque na gastança, acabar com esse governo perdulário, jatinho para lá e para cá levando um ministro só, diária de R$ 80 mil em hotel de luxo que nem sheik da Arábia paga. No dia em que essa gastança acabar, o juro cai automaticamente, todo mundo aqui sabe, um governo que gasta pouco significa juros lá embaixo e muitos aqui estão em dificuldades por causa disso; e por último, vamos precisar mandar bandido para a cadeia, o que muitos países sérios fazem e que aqui não se faz.”

Troca de declarações marca embate entre Zema e Gilmar Mendes

O episódio ocorre em meio a uma série de declarações entre Zema e Gilmar Mendes ao longo da semana. Na segunda-feira (20), o ministro solicitou a inclusão do ex-governador no inquérito das fake news após a divulgação de um vídeo com fantoches representando magistrados.

Em entrevista à CNN, Zema afirmou ter recebido a medida com “surpresa e decepção”. O político seguiu utilizando os personagens em publicações nas redes sociais.

Na quarta-feira (22), em entrevista ao Jornal da Globo, Gilmar Mendes afirmou que Zema tentava “sapatear” em meio ao período eleitoral e mencionou o modo de falar do ex-governador, citando uma “língua próxima do português”.

Zema respondeu às declarações e afirmou que utiliza um “linguajar de brasileiros simples” em contraposição ao que chamou de “português esnobe dos intocáveis de Brasília”. No sábado, voltou a comentar o tema ao falar sobre sua comunicação.

“Eu achava que quando eu fosse a Brasília eu era entendido e eu descobri que meu sotaque não é entendido. Então eu peço que a gente também tome essa preocupação aqui”.

Na sexta-feira (23), o ministro publicou um pedido de desculpas após declaração feita ao portal Metrópoles, na qual questionou se seria ofensivo retratar Zema como um “boneco homossexual”. A fala foi utilizada pelo ex-governador para criticar o magistrado.

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Marco Antonio Costa

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