Prisão de Henrique Vorcaro
A prisão de Henrique Vorcaro, pai do empresário Daniel Vorcaro, nesta quinta-feira (14), ampliou ainda mais a crise envolvendo o antigo Banco Master e as investigações conduzidas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero. A ação desta manhã, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), colocou novamente a família Vorcaro no centro de um dos maiores escândalos financeiros e criminais recentes do país.

Segundo a PF, Henrique Vorcaro é suspeito de participação em um esquema de intimidação, obtenção ilegal de informações sigilosas, invasões de sistemas e lavagem de dinheiro ligados ao grupo investigado desde 2025. As autoridades apontam que ele teria atuado diretamente na contratação e pagamento de integrantes de uma estrutura clandestina conhecida como “A Turma” ou “Os Meninos”, acusada de executar serviços de espionagem e monitoramento ilegal para interesses relacionados ao Banco Master.
Henrique foi preso em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, durante a sexta fase da operação. Além das prisões, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, São Paulo e Distrito Federal. As investigações apuram crimes como organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos, corrupção, coação e ocultação patrimonial.
O nome de Daniel Vorcaro já vinha sendo associado ao colapso do Banco Master desde novembro de 2025, quando o banqueiro foi preso pela PF no Aeroporto de Guarulhos, pouco antes de embarcar para o exterior. Na ocasião, a Operação Compliance Zero revelou suspeitas de emissão de títulos financeiros sem lastro, manipulação de carteiras de crédito e gestão fraudulenta da instituição financeira. Poucas horas depois da prisão, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.
As investigações evoluíram rapidamente e passaram a atingir não apenas executivos do banco, mas também familiares e operadores financeiros próximos ao empresário. De acordo com a PF, o grupo teria criado uma estrutura paralela para monitorar jornalistas, autoridades e pessoas consideradas ameaças aos interesses do conglomerado financeiro. Entre os episódios mais graves investigados estão supostos acessos ilegais a sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais, como FBI e Interpol.
As autoridades também investigam movimentações financeiras envolvendo Henrique Vorcaro e empresas ligadas ao Grupo Multipar, do qual ele aparece como dirigente. Os investigadores suspeitam que recursos do esquema tenham sido direcionados para ocultação patrimonial e pagamentos relacionados às operações clandestinas conduzidas pela organização.
Outro ponto que chamou atenção da PF foi a ligação entre os integrantes da chamada “A Turma” e o operador Luiz Phillipi Mourão, apelidado de “Sicário” nas investigações. Segundo documentos do caso, o grupo atuaria como uma espécie de milícia privada encarregada de intimidar críticos, levantar informações sigilosas e produzir dossiês contra alvos de interesse da organização.
O caso ganhou repercussão nacional após mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro indicarem discussões sobre perseguição a jornalistas e estratégias para neutralizar reportagens negativas envolvendo o Banco Master. As investigações apontam que parte da estrutura clandestina teria sido financiada com recursos desviados das operações financeiras fraudulentas do banco.
A situação jurídica de Daniel Vorcaro também se agravou nos últimos meses. Em março de 2026, o STF determinou uma nova prisão preventiva do empresário, após a PF afirmar que ele continuava exercendo influência sobre o esquema criminoso mesmo depois das primeiras medidas cautelares. A Procuradoria-Geral da República acompanha o caso e investiga possíveis conexões políticas e empresariais envolvendo o ex-controlador do Banco Master.
Analistas do mercado financeiro avaliam que o escândalo do Banco Master já é considerado um dos maiores colapsos bancários recentes do Brasil. Estimativas divulgadas durante as investigações indicam prejuízos bilionários e forte impacto sobre investidores, instituições financeiras e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Até o momento, as defesas de Henrique e Daniel Vorcaro negam irregularidades e afirmam que ambos são vítimas de perseguição e interpretações equivocadas das autoridades. Os advogados sustentam que não houve participação em organização criminosa nem envolvimento em atos ilegais de espionagem ou intimidação.
A nova prisão desta quinta-feira, entretanto, mostra que a Polícia Federal pretende aprofundar ainda mais as apurações sobre o núcleo familiar e financeiro ligado ao antigo Banco Master. O avanço da operação aumenta a pressão sobre empresários, ex-dirigentes e possíveis aliados políticos citados no caso, enquanto o STF acompanha os desdobramentos de um escândalo que continua produzindo fortes repercussões no sistema financeiro e político brasileiro




