Brasileiro precisa trabalhar 5 meses só para pagar impostos e carga tributária sobe

Brasileiro trabalha para pagar impostos
(Foto: Reprodução/Pexels)

O contribuinte brasileiro precisou trabalhar até o dia 30 de maio apenas para cumprir suas obrigações tributárias com União, estados e municípios. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), a carga tributária efetiva chegou a 41,1% em 2026, o equivalente a 150 dias de trabalho dedicados exclusivamente ao pagamento de impostos.

Na prática, esta segunda-feira, 1º de junho, marca o primeiro dia útil do ano em que a renda média do trabalhador deixa de ser destinada ao custeio de tributos e passa efetivamente a compor seu patrimônio. O índice representa uma alta em relação aos anos recentes e interrompe a trajetória de redução observada durante parte da década passada.

O estudo considera os impostos incidentes sobre renda, consumo e patrimônio, abrangendo tributos cobrados pelas três esferas de governo. De acordo com o IBPT, o peso da tributação voltou a crescer gradualmente a partir de 2023, após uma queda registrada entre 2020 e 2022.

Brasileiro de classe média supera média nacional

Os dados mostram que a faixa de renda entre R$ 3 mil e R$ 10 mil mensais enfrenta uma carga tributária ainda mais elevada. Nesse grupo, a alíquota efetiva alcança 43,01%, exigindo 157 dias de trabalho para quitar os tributos. Isso significa que esses contribuintes só deixarão de trabalhar para pagar impostos em 6 de junho.

Já os brasileiros com renda de até R$ 3 mil destinam, em média, 134 dias ao pagamento de tributos, enquanto aqueles que recebem acima de R$ 10 mil ficam próximos da média nacional, com 150 dias trabalhados para cumprir suas obrigações fiscais.

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(Foto: Reprodução/Pexels)

Entre os fatores apontados pelo levantamento para o aumento da carga tributária estão elevações de alíquotas estaduais de ICMS, mudanças na tributação de importações, aumento do IOF, ampliação da tributação sobre apostas eletrônicas, fintechs e instituições financeiras, além de alterações em impostos incidentes sobre investimentos e produtos importados.

O levantamento também revela a evolução da pressão tributária sobre o contribuinte. Em 1986, eram necessários 82 dias de trabalho para pagar impostos. Quatro décadas depois, o período praticamente dobrou, alcançando 150 dias em 2026. Para especialistas do IBPT, o avanço da arrecadação continua alimentando o debate sobre o retorno efetivo dos tributos em serviços públicos e a eficiência do gasto estatal.

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Marco Antonio Costa

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