Copa do Mundo deve injetar R$ 4,3 bilhões no varejo, mas juros freiam lojas

Copa do Mundo surpreende comércio e varejo
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A menos de duas semanas do início da Copa do Mundo de 2026, o comércio brasileiro projeta um aumento nas vendas impulsionado pelo torneio. Levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que o evento deverá movimentar R$ 4,32 bilhões no varejo nacional, volume 6,5% superior ao registrado durante o Mundial de 2022.

O setor de hipermercados e supermercados deve concentrar cerca de 70% do faturamento adicional previsto, movimentando aproximadamente R$ 3,97 bilhões. Na sequência aparecem os segmentos de vestuário e acessórios, com expectativa de R$ 803,7 milhões em vendas extras, além de artigos de uso pessoal e doméstico, informática, comunicação e eletrodomésticos.

Alimentos e bebidas lideram consumo enquanto TVs perdem força na Copa do Mundo

Embora a procura por smart TVs tenha crescido 8,4% em maio na comparação com abril, o interesse dos consumidores permanece abaixo do registrado antes da Copa de 2022. Dados da CNC mostram que as buscas por televisões ainda estão 15% inferiores às observadas na última Copa, mesmo com uma queda acumulada de quase 19% nos preços desses aparelhos desde o último Mundial.

Apesar da expectativa positiva, o cenário é diferente do observado em edições anteriores. O crédito mais caro e os juros elevados têm reduzido o ímpeto de consumo dos brasileiros, especialmente na compra de bens duráveis, tradicionalmente associados ao período da Copa. Segundo a CNC, a alta do custo do financiamento vem limitando a renovação de eletrodomésticos e eletrônicos, concentrando os gastos em produtos de consumo imediato.

Contas chegam a população brasileira
(Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A entidade atribui o desempenho esperado do comércio à combinação entre melhora do mercado de trabalho e inflação mais controlada, fatores que ajudam a sustentar o consumo. Ainda assim, o ambiente de juros elevados continua sendo apontado como um dos principais obstáculos para uma expansão mais robusta das vendas.

Com a abertura da Copa marcada para 11 de junho, a expectativa do setor é que a mobilização em torno da seleção brasileira e do torneio impulsione principalmente as compras ligadas a confraternizações, alimentação e produtos de menor valor.

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Marco Antonio Costa

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