Urnas eletrônicas no Brasil vira pauta internacional
A revista britânica The Economist publicou uma análise sobre o sistema eleitoral brasileiro na qual afirma que a confiança dos eleitores nas urnas eletrônicas vem diminuindo nos últimos anos e classifica o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como uma instituição que concentra amplas atribuições no processo eleitoral. Segundo a publicação da imprensa internacional, o tribunal acumula funções de organização das eleições, desenvolvimento de sistemas, certificação dos resultados, julgamento de disputas e combate à desinformação.
A reportagem destaca que o Brasil é o único país do mundo a realizar eleições inteiramente eletrônicas em âmbito nacional. Apesar das campanhas institucionais promovidas pelo TSE para reforçar a confiança no sistema, a revista afirma que os esforços não conseguiram reverter a percepção negativa observada em parte do eleitorado.

Dados citados pela publicação indicam uma mudança significativa na percepção do povo ao longo dos últimos anos. Segundo o Latinobarómetro, em 2009 cerca de 45% dos brasileiros acreditavam que as eleições eram invioláveis, enquanto 47% consideravam possível a ocorrência de fraudes. Em 2024, os índices teriam passado para 32% de confiança e 61% de desconfiança. A reportagem menciona pesquisa Genial/Quaest divulgada neste ano, segundo a qual 43% dos entrevistados afirmaram não confiar nas urnas eletrônicas.
Revista britânica cita debate sobre auditoria e transparência eleitoral
A publicação registra que o TSE sustenta que as urnas eletrônicas são seguras e contam com múltiplas camadas de proteção contra fraudes. A revista britânica cita declarações da ministra do STF e ex-presidente do TSE, Cármen Lúcia, segundo as quais não há registros de fraude comprovada no sistema ao longo de mais de três décadas de utilização.
A análise associa a queda da confiança à polarização política e à disseminação de informações falsas nas redes sociais, apontando que o debate sobre a segurança das urnas ganhou força nos últimos anos. A revista observa ainda que a chegada do ministro Nunes Marques à presidência do TSE pode marcar uma condução menos intervencionista da corte durante o ciclo eleitoral de 2026.

Ao mesmo tempo, a The Economist ouviu especialistas que defendem mecanismos adicionais de auditoria, como a emissão de comprovantes físicos do voto. Segundo a revista, propostas nesse sentido já foram discutidas pelo Congresso Nacional, mas enfrentaram resistência do tribunal, que argumenta haver riscos ao sigilo do voto.




