O advogado e empresário Nelson Wilians, fundador do escritório Nelson Wilians Advogados (NWADV), é um dos investigados na Operação Distrato, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). A investigação apura um suposto esquema de R$ 3,8 bilhões envolvendo créditos irregulares de ICMS, imposto estadual cobrado sobre a circulação de mercadorias e serviços.
Segundo o Ministério Público, o grupo suspeito teria comercializado créditos tributários sem origem comprovada para empresas interessadas em reduzir o valor dos impostos devidos ao Estado. A apuração ainda está em andamento e não há condenações relacionadas ao caso.
Como funcionava o suposto esquema de Nelson Wilians
De acordo com os investigadores, o esquema utilizava empresas sem atividade econômica, baixadas ou consideradas inaptas para gerar créditos de ICMS que, na prática, não existiriam. Também teriam sido usados documentos fiscais e operações comerciais supostamente fictícias para dar aparência de legalidade às transações.
A investigação aponta que empresas interessadas em diminuir o imposto devido contratavam os serviços dos investigados. Os supostos créditos eram então registrados na escrituração fiscal dos clientes, reduzindo o valor do ICMS a pagar. Em troca, os responsáveis pelo serviço receberiam honorários calculados sobre o benefício obtido pelas empresas.
Auditorias da Secretaria da Fazenda de São Paulo identificaram 874 procedimentos fiscais, cerca de 10 mil lançamentos considerados suspeitos e mais de 850 empresas potencialmente envolvidas. Ao todo, foram lavrados 746 autos de infração, que somam aproximadamente R$ 3,8 bilhões em créditos tributários questionados.

Defesa nega irregularidades
A Operação Distrato também investiga outros advogados e empresas suspeitos de participar da estrutura que teria viabilizado o esquema. Em nota divulgada anteriormente, a defesa de Nelson Wilians afirma que o advogado colabora com as autoridades e nega qualquer irregularidade.
Os advogados sustentam que as medidas adotadas têm caráter exclusivamente investigativo e afirmam confiar que a apuração demonstrará a inocência do empresário. Nelson Wilians também foi alvo, em 2025, de uma investigação da Polícia Federal relacionada a supostas fraudes em benefícios do INSS.




