O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu do ex-banqueiro Daniel Vorcaro uma mensagem em que o empresário afirma ter uma “dívida de vida” com o magistrado e agradece por “tudo”. O conteúdo foi localizado pela Polícia Federal no celular de Vorcaro durante a Operação Compliance Zero.
Segundo o relatório da PF, a mensagem foi enviada em 14 de novembro, às 21h17, no mesmo dia em que Vorcaro e o contato identificado no aparelho como “Alexandre de Moraes BRASILIA” trocaram mensagens sobre um encontro na casa do empresário.
Alexandre de Moraes é citado em mensagem encontrada pela PF
Na mensagem, Vorcaro afirma que ele, sua família, funcionários, parceiros e amigos teriam uma “dívida de vida” com Alexandre de Moraes e sua família. Em seguida, agradece ao ministro e diz que seria necessário “continuar na pegada” para conseguir concluir algo que não é especificado no relatório.
Horas antes, às 1h39, Vorcaro havia perguntado se o encontro estava marcado para as 14h daquele dia ou se deveria ser deixado para a semana seguinte. Mais tarde, às 13h03, informou que chegaria às 14h30 e confirmou o compromisso na própria casa.
O relatório, porém, não esclarece qual era o assunto tratado no encontro nem o que Vorcaro pretendia “concluir” ao mencionar a continuidade dos esforços. A PF também não reproduziu eventual resposta de Moraes à mensagem de agradecimento.
O documento foi elaborado a pedido do ministro André Mendonça, relator de uma investigação sobre uma suposta rede de influência e monitoramento atribuída a Vorcaro. O material teve o sigilo retirado por Mendonça e foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR).

A investigação também encontrou registros de um contrato firmado em janeiro de 2024 entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia, ligado à advogada Viviane de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. Segundo a PF, foram localizados documentos, mensagens e registros de pagamentos relacionados ao contrato no celular de Vorcaro.
A existência das mensagens e do contrato consta no relatório policial. O documento, porém, não estabelece, nos trechos apresentados, que Alexandre de Moraes tenha cometido alguma irregularidade.




