O Supremo Tribunal Federal (STF) chega dividido ao julgamento que decidirá, na próxima terça-feira (15), se será aberta uma investigação formal contra o ministro Alexandre de Moraes. O caso envolve um relatório da Polícia Federal com mensagens atribuídas a Moraes e ao empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Pelo menos seis dos dez ministros atualmente em atividade já deram sinais de como podem se posicionar. O STF está com uma cadeira vaga desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, em novembro de 2025.
Ministros divididos em dois grupos
André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux são apontados como favoráveis à abertura da investigação. Os três votaram juntos na Segunda Turma para validar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado por Mendonça. A decisão acabou suspensa posteriormente por Edson Fachin.
Do outro lado estão Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, apontados como contrários à abertura do procedimento. Gilmar pediu vista no julgamento sobre o afastamento de Andrei, enquanto Dino determinou a recondução do diretor-geral ao cargo.
Dias Toffoli também é apontado como possível integrante do grupo contrário à investigação. O ministro, porém, declarou-se impedido de votar em processos relacionados ao Banco Master. Toffoli foi o primeiro relator do caso no STF e deixou a condução do inquérito após a divulgação de informações sobre sua relação com o grupo ligado a Vorcaro.
Fachin e Cármen Lúcia podem decidir resultado
Com os votos considerados mais previsíveis, a atenção se concentra em Edson Fachin e Cármen Lúcia. Os dois ainda não indicaram publicamente como devem votar e podem ser decisivos para a formação de maioria.

Fachin assumiu a condução de medidas relacionadas à crise no STF. Nesta semana, suspendeu decisões conflitantes de Mendonça e Dino sobre o comando da Polícia Federal e retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news. O presidente da Corte também determinou que novas investigações envolvendo ministros do Supremo passem por sua autorização.
A análise marcada para terça-feira não representa, por si só, uma conclusão sobre eventual responsabilidade de Moraes. O plenário deverá decidir se existem elementos suficientes para a abertura de uma investigação formal. O relatório da PF e as mensagens atribuídas ao ministro e a Vorcaro estão no centro da discussão.




