O Bolsa Família terá um reajuste de 15% anunciado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a apenas 17 dias do primeiro turno das eleições de 2026. O benefício mínimo passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio subirá de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores começarão a ser pagos em 19 de outubro, entre o primeiro e o segundo turno.
A proximidade com a eleição já provoca questionamentos políticos sobre o momento escolhido pelo governo para anunciar a medida. A oposição tem apontado o reajuste como uma possível ação de caráter eleitoral, enquanto o governo afirma que a correção apenas recompõe a inflação acumulada desde 2023 e está prevista na legislação.
O piso de R$ 600 foi estabelecido durante o governo Jair Bolsonaro, quando o então Auxílio Brasil substituiu o Bolsa Família. O valor foi mantido por Lula após o retorno do programa ao nome Bolsa Família, em 2023.
Bolsa Família terá novos valores em outubro
Além do piso, o valor pago por integrante da família passará de R$ 142 para R$ 164. Os adicionais também serão reajustados: o benefício por criança de até seis anos subirá de R$ 150 para R$ 173; os valores para gestantes, jovens de 7 a 18 anos incompletos e bebês de até seis meses passarão de R$ 50 para R$ 58.
Segundo o governo, o reajuste representa uma recomposição de 15,04% pelo INPC acumulado desde março de 2023. O impacto estimado é de R$ 5,8 bilhões ainda em 2026 e de R$ 22 bilhões em 2027.

O calendário chama atenção porque o aumento anunciado agora terá efeito direto sobre os pagamentos justamente durante a disputa eleitoral. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e os novos valores entram na folha de outubro a partir do dia 19.
A situação também remete ao debate sobre benefícios sociais em anos eleitorais. Em 2024, o STF declarou inconstitucional parte da emenda de 2022 que permitiu ampliar benefícios sociais naquele ano eleitoral, entendendo que a medida interferia na igualdade de oportunidades entre candidatos. A decisão, porém, tratava especificamente das regras criadas pela EC 123/2022.
O governo afirma que o atual reajuste é diferente porque não cria um novo benefício nem amplia o público atendido, mas apenas corrige os valores pela inflação. A Advocacia-Geral da União também sustenta que a medida está autorizada pela legislação e não se enquadra na vedação eleitoral.
Com o aumento, a previsão orçamentária para o Bolsa Família em 2027 passará de R$ 157,1 bilhões para aproximadamente R$ 179 bilhões.




