O fim da escala 6×1 deve mudar a organização do trabalho e gerar desafios para empresas do comércio e do setor de alimentação. Na região de Campinas (SP), representantes desses segmentos alertam para possíveis aumentos de custos, dificuldades para reorganizar as equipes e impactos no atendimento aos clientes. A proposta aprovada pelo Senado Federal prevê dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial, e a diminuição gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais.
A proposta recebeu 75 votos favoráveis e um contrário na quarta-feira (14). Como a Câmara dos Deputados já havia aprovado o mesmo texto, a medida segue para promulgação pelo Congresso Nacional. A mudança, porém, prevê um período de transição antes da aplicação integral das novas regras.
Escala 6×1 terá período de adaptação de 14 meses
A implementação está prevista para acontecer em duas etapas. Nos primeiros 60 dias, a jornada semanal passaria de 44 para 42 horas, com dois dias de descanso que não precisam ser consecutivos. Nos 12 meses seguintes, o limite seria reduzido para 40 horas semanais.

Durante o período de transição, os salários não poderão ser reduzidos. A aplicação das regras ainda poderá exigir regulamentações e negociações coletivas, segundo avaliação da área trabalhista da OAB Campinas. A proposta também prevê exceções para setores como saúde e serviços essenciais, conforme as informações apresentadas sobre o texto.
Bares e restaurantes avaliam mudanças no atendimento
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) se posiciona contra a proposta e prevê dificuldades para manter o atendimento com jornadas menores. Uma das alternativas consideradas pelos estabelecimentos é reorganizar as equipes antes de contratar novos funcionários.
Essa estratégia, porém, pode significar menos trabalhadores por turno e prejudicar o serviço oferecido aos clientes. A entidade também prevê aumento de despesas com novas contratações e aponta que alguns restaurantes avaliam fechar mais um dia da semana.
Comércio teme impacto no período de Natal
O SindiVarejista Campinas considera curto o prazo de adaptação, principalmente pela proximidade do Natal, principal período de vendas do varejo. As empresas precisarão rever escalas, calcular os custos da mudança e avaliar a necessidade de ampliar as equipes.
A preocupação é que a implementação das novas regras coincida com o período de maior movimento do comércio. Caso isso aconteça, os estabelecimentos terão de conciliar a reorganização das jornadas com a demanda elevada por atendimento e vendas.




