- Luiz Inácio Lula da Silva anunciou isenção de visto para cidadãos chineses em categorias de curta duração, sem detalhar quais perfis serão contemplados.
- A medida foi apresentada como gesto de reciprocidade após a China isentar brasileiros desde 1º de junho de 2025.
- O governo federal ainda não informou a data de início, os prazos de permanência ou as salvaguardas operacionais.
- A decisão tem potencial econômico para turismo e negócios, mas depende do desenho e da capacidade operacional.
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Lula anuncia fim de visto para cidadãos chineses
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o Brasil vai conceder isenção de visto para cidadãos chineses em algumas categorias de visitantes de curta duração, em uma decisão apresentada como medida de reciprocidade à política adotada por Pequim desde 2025. O anúncio foi confirmado após uma conversa telefônica entre Lula e o presidente da China, Xi Jinping, na noite de 22 de janeiro de 2026, segundo reportagens de O Tempo e O Povo.
O que foi divulgado até agora
De acordo com O Tempo, Lula afirmou que o Brasil passará a conceder isenção de visto a chineses para viagens de curta duração, mas sem especificar quais perfis de viajantes entrariam na regra — por exemplo, se apenas turistas, se também viajantes a negócios, ou se incluirá visitas familiares e trânsito.
O ponto central do anúncio foi o caráter de reciprocidade: a China já havia implementado a isenção de visto para brasileiros a partir de 1º de junho de 2025, em viagens por até 30 dias, dentro de finalidades como turismo, negócios, visitas familiares ou trânsito, e com validade da medida até 31 de dezembro de 2026, conforme noticiado por O Tempo e O Povo.
Também foi destacado que a conversa entre Lula e Xi ocorreu em um contexto mais amplo de aproximação bilateral, com menção a cooperação em áreas de conhecimento de fronteira e ao compromisso de ambos com o fortalecimento da ONU e do multilateralismo, conforme relatado por O Tempo, O Povo e Bahia Notícias.
Como está hoje: chineses ainda precisam de visto para turismo e negócios no Brasil
Atualmente, cidadãos chineses precisam de visto para entrar no Brasil para turismo ou negócios, e podem permanecer por até 90 dias após a aprovação do visto, segundo O Tempo. Isso significa que há um processo prévio com exigências consulares e análise documental — o que funciona como barreira de custo e tempo para parte dos viajantes.
Quando começa a valer? Governo ainda não informou a data de implementação
Um dos pontos de maior interesse público é o calendário. Segundo O Tempo, a data de implementação não foi anunciada. Na prática, medidas desse tipo exigem regulamentação, comunicação às autoridades migratórias, alinhamento com sistemas de controle e orientação ao público — etapas ainda pendentes.
O que muda com a reciprocidade com a China (e o que não muda)
A palavra “reciprocidade” aparece como justificativa central. A China passou a permitir entrada de brasileiros sem visto por até 30 dias, em determinadas finalidades, com prazo de vigência definido (até 31/12/2026), conforme reportado por O Tempo e O Povo.
Reciprocidade não implica equivalência absoluta. O Brasil pode:
- Escolher categorias específicas (por exemplo, apenas turismo);
- Impor limites de permanência distintos;
- Estabelecer exigências de entrada (documentação, comprovação de meios, bilhete de retorno);
- Manter regras para situações que não são “curta duração” (trabalho, estudo, residência).
Conversa Lula–Xi e o pano de fundo diplomático: cooperação e “comunidade de futuro compartilhado”
“Comunidade de Futuro Compartilhado Brasil–China por um Mundo Mais Justo e um Planeta Mais Sustentável”
As reportagens apontam que o anúncio foi feito após uma conversa telefônica de cerca de 45 minutos, na qual os líderes trataram de relações bilaterais no pós-visita de Xi ao Brasil em novembro de 2024, segundo O Povo e Bahia Notícias.
Isenção de visto pode impulsionar turismo e negócios? Potencial existe, mas depende do desenho
A isenção de visto tende a reduzir atrito e ampliar a competitividade do país como destino — especialmente em turismo e viagens corporativas. Porém, para gerar resultados consistentes, o desenho importa.
Fatores para sucesso
- Clareza de regras: quem entra, por quanto tempo, com quais finalidades.
- Capacidade operacional: preparo de postos de imigração e sistemas.
- Integração com o setor privado: companhias aéreas, hotéis e operadoras precisam de orientação.
- Previsibilidade: calendários e normas estáveis reduzem riscos e ampliam investimentos.
Ministério do Turismo estudava e-visa para chineses desde 2025
Antes do anúncio de isenção, o Ministério do Turismo estudava a implementação de visto eletrônico (e-visa) para turistas chineses desde o fim de 2025, segundo O Tempo. O e-visa costuma facilitar a triagem prévia e gerar dados úteis para a gestão migratória.
China ampliou política de isenção para outros países da América do Sul
A China adotou política de isenção que alcança países como Argentina, Chile, Peru e Uruguai, em um conjunto que atinge 45 nações, segundo O Povo e Bahia Notícias. Isso reforça que há uma dinâmica de abertura do lado chinês que incentiva respostas de parceiros.
O que o governo ainda precisa esclarecer: categorias, prazos e salvaguardas
Há lacunas decisivas para avaliar a política, segundo publicações de O Tempo e O Povo:
- Quais categorias de “curta duração” serão contempladas?
- Qual será o prazo máximo de permanência e se haverá possibilidade de prorrogação?
- A partir de quando a isenção passará a valer?
- Quais requisitos mínimos serão exigidos na entrada (meios financeiros, hospedagem, passagem de volta)?
- Como a política se articula com o estudo sobre e-visa mencionado pelo Ministério do Turismo?
Impacto político e econômico: entre o pragmatismo comercial e a necessidade de governança
O anúncio ocorre quando o governo busca sinalizar protagonismo internacional e reforçar laços com grandes parceiros comerciais. Há expectativa de que decisões com impacto econômico venham acompanhadas de estimativas, planejamento e execução eficiente — especialmente no que toca infraestrutura de controle de fronteiras e sistemas públicos.
O que acontece agora
O próximo passo é o governo detalhar a política: categorias, data de vigência e regras operacionais. Até lá, a orientação para viajantes e empresas é acompanhar comunicados oficiais e evitar decisões baseadas apenas no anúncio político, já que não há cronograma divulgado, segundo O Tempo.
Fontes e Referências
- O Tempo — matéria sobre o anúncio de isenção de visto
- O Povo — cobertura da conversa Lula–Xi
- Bahia Notícias — contextualização diplomática
Perguntas Frequentes
A: O governo federal ainda não informou a data de implementação. A recomendação é acompanhar comunicados oficiais.
A: Não houve detalhamento. O anúncio fala em “algumas categorias de visitantes de curta duração”, sem especificar perfis. Detalhes dependem de regulamentação posterior.
A: Nada muda até que haja norma oficial e comunicação às autoridades migratórias. Viagens devem seguir as regras atuais de visto enquanto não houver definição formal.
A: Sim — o Ministério do Turismo vinha estudando implementação de e-visa para chineses desde o fim de 2025, o que poderia ser um meio-termo se a isenção não for ampla.
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