Destaques
- Apollo 17 (7–19 de dezembro de 1972) foi a última missão tripulada a pousar na Lua e deixou legado científico e operacional duradouro.
- Levou o primeiro astronauta formado em geociências, Harrison “Jack” Schmitt, aumentando o rigor das coletas e análises.
- A missão trouxe 381 kg de amostras, percorreu 110,4 km com o Lunar Roving Vehicle e registrou a conhecida “terra laranja”.
- O encerramento do programa Apollo ocorreu por motivos orçamentários e de prioridade política — lição chave para projetos de longo prazo.
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Revisiting the Last Crewed Moon Mission on the Eve of the Next: o que foi a Apollo 17 e por que ela é lembrada
A Apollo 17 foi a sexta missão do programa Apollo a realizar um pouso tripulado na Lua, ocorrendo entre 7 e 19 de dezembro de 1972. Embora tecnicamente bem-sucedida, o programa Apollo foi interrompido por questões de redução orçamentária e reorientação de prioridades nos Estados Unidos, segundo relatos da Britannica e da NASA.
O legado da missão, entretanto, não é apenas histórico: trata-se de um pacote extenso de dados, amostras e experimentos que continuam a sustentar pesquisas em geologia lunar e a informar debates sobre custos, prioridades e retorno público em programas espaciais, como discute a matéria da Nautilus.
Tripulação e funções: quem fez o quê na missão final do programa Apollo
A tripulação da missão foi composta por três astronautas com papéis bem definidos.
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- Eugene A. Cernan (Comandante): pilotou o módulo lunar Challenger, liderou três EVAs e é reconhecido como o último humano a deixar pegadas na Lua. A frase de despedida atribuída a Cernan é icônica na memória pública (ver citação abaixo) — informações confirmadas por NASA e Britannica.
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- Harrison H. Schmitt (Piloto do Módulo Lunar): primeiro cientista-astronauta (geólogo) a caminhar na Lua; foi determinante na identificação de amostras-chave, incluindo a “terra laranja” no Shorty Crater, conforme relatado pela NASA e pelo Smithsonian National Air and Space Museum.
- Ronald E. Evans (Piloto do Módulo de Comando): permaneceu em órbita no módulo America, conduzindo fotografia orbital, medições científicas e as manobras de acoplamento, detalhadas em compilações como a página da Wikipédia.
Linha do tempo: do lançamento ao retorno à Terra
Lançamento em 7 de dezembro de 1972
A missão foi lançada do Kennedy Space Center com um foguete Saturn V em 7 de dezembro de 1972. Um detalhe técnico registrado é que o estágio S-IVB foi deliberadamente direcionado para colidir com a Lua para acionar sismômetros instalados por missões anteriores, aproveitando eventos da própria missão para gerar dados científicos (Wikipédia).
Órbita lunar e pouso em 11 de dezembro
O módulo lunar Challenger pousou no vale Taurus-Littrow em 11 de dezembro às 14h55 (EST), aproximadamente 656 pés a leste do alvo planejado. As coordenadas do local constam como 20.19080° N, 30.77168° E, segundo registros da Wikipédia, da Britannica e do Smithsonian.
As três caminhadas lunares (EVAs) e os recordes operacionais
A Apollo 17 realizou três EVAs que estabeleceram marcas em duração e distância percorrida com o veículo lunar.
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- EVA-1 (~7 horas): instalação de instrumentos e deslocamento até as Sculptured Hills (Wikipédia).
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- EVA-2 (7 horas e 37 minutos): visita ao Shorty Crater (local da “terra laranja”) e ao Camelot Crater, com cerca de 34 kg coletados nessa saída; relato disponível no Smithsonian e na Wikipédia.
- EVA-3 (7 horas e 15 minutos): leituras geológicas finais, uso de gravímetro e instalação de cargas para estudos de subsolo (Wikipédia).
No total, a missão somou cerca de 75 horas na superfície, percorreu 110,4 km com o Lunar Roving Vehicle e trouxe 381 kg de amostras para a Terra (Wikipédia, Smithsonian).
Decolagem da Lua e retorno (14 a 19 de dezembro)
A ascensão do módulo lunar ocorreu em 14 de dezembro às 17h54 (EST). A injeção translunar de retorno foi realizada em 16 de dezembro, e a missão amerissou em 19 de dezembro, conforme cronologias oficiais (Wikipédia, Britannica).
O que a Apollo 17 descobriu: ciência, “terra laranja” e dados que seguem valendo
O principal objetivo científico da Apollo 17 foi investigar a história geológica do vale Taurus-Littrow e, por extensão, obter pistas sobre a evolução do interior da Lua. Um achado emblemático foi a chamada “terra laranja”, material vulcânico (vidro vulcânico) encontrado no Shorty Crater, cujo estudo ajudou a entender processos térmicos e de vulcanismo primitivo lunar (NASA, Smithsonian, Wikipédia).
Além disso, a missão utilizou impactos controlados — como o do estágio S‑IVB — para gerar sinais em sismômetros, contribuindo para o conhecimento sobre a estrutura interna lunar. O conjunto de amostras, fotografias e medições orbitais continua a ser referência para estudos subsequentes (Britannica, NASA).
Por que a Apollo 17 foi a última: cortes de orçamento e o preço da descontinuidade
O fim das missões Apollo tripuladas não se deveu a falhas técnicas na Apollo 17, mas a decisões políticas e orçamentárias. A interrupção do programa ilustra um dilema recorrente em grandes programas públicos: cortar gastos pode ser necessário, mas interromper capacidades estratégicas custa caro quando se decide retomá‑las no futuro (Britannica, NASA).
Duas leituras essenciais surgem da experiência:
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- Contenção de gastos pode ser adequada diante de prioridades sociais imediatas.
- A descontinuidade de competência estratégica gera custos de retomada elevados e perda de escala.
O legado operacional: recordes, engenharia e disciplina de execução
Os recordes de EVA, distância percorrida e volume de amostras retornadas demonstram a maturidade operacional alcançada no fim do programa Apollo. Essa maturidade representa menor improviso e maior previsibilidade — elementos centrais para a defesa de gestão responsável de recursos públicos, conforme relatórios do Smithsonian e da Wikipédia.
“Nós voltaremos”: simbolismo, expectativas e a véspera de um novo ciclo
“we shall return, with peace and hope for all mankind”
A frase de despedida de Eugene Cernan é simbólica e reconduz a pergunta prática: voltar como, por quê e com qual custo? A experiência da Apollo 17 aponta para pilares que sustentam uma volta bem-sucedida: objetivos científicos claros, governança e previsibilidade orçamentária, ganhos tecnológicos e prestação de contas ao público (NASA, Smithsonian).
O que acontece agora: por que relembrar a Apollo 17 importa para as próximas decisões
Relembrar a Apollo 17 é mais do que nostalgia: é evitar perder um inventário de escolhas sobre prioridades nacionais. As amostras, fotografias, experimentos e padrões operacionais continuam a orientar pesquisas e decisões, conforme fontes oficiais da NASA, da Britannica e do Smithsonian. Grandes feitos exigem continuidade; continuidade exige planejamento, transparência e disciplina.
Perguntas Frequentes
Por que a Apollo 17 foi a última missão tripulada à Lua?
Não por falha técnica, mas por prioridades políticas e cortes orçamentários na década de 1970. A decisão interrompeu continuidade e capacidades que seriam caras de recuperar (Britannica, NASA).
O que é a “terra laranja” e por que é importante?
A “terra laranja” é vidro vulcânico encontrado no Shorty Crater. Serve como registro de vulcanismo primitivo e ajuda a datar e interpretar processos térmicos na Lua (NASA, Smithsonian).
Qual a relevância de ter um geólogo na tripulação?
A presença de Harrison H. Schmitt elevou o rigor na seleção e na documentação das amostras, melhorando o valor científico da coleta em campo — um exemplo de como especialização integrada à operação pode otimizar resultados.
Fontes e Referências
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