Bruno Musa compara orçamentos de Brasil e Argentina e destaca cortes de gastos no governo Milei
Em vídeo publicado no canal “Minuto do Musa”, o economista Bruno Musa analisou a aprovação do orçamento brasileiro para 2026 e comparou o cenário com a Argentina, citando a redução do tamanho do Estado no governo Javier Milei e defendendo que o tema receba mais atenção no debate público.
Introdução
Um vídeo do economista Bruno Musa, que atua no mercado financeiro e apresenta o canal “Minuto do Musa”, abordou a aprovação do orçamento público no Brasil e na Argentina. Na análise, Musa contrapôs o aumento de despesas no Brasil ao movimento de corte de gastos que, segundo ele, vem sendo implementado pelo governo argentino.
O conteúdo também contextualiza o debate sobre crescimento e redução do gasto público, dificuldades políticas para cortes e o papel das diferentes esferas de governo (nacional, províncias e municípios) no caso argentino.
Orçamento do Brasil para 2026: números citados no vídeo
Segundo Musa, o orçamento aprovado no Brasil para 2026 totaliza R$ 6,5 trilhões, com a seguinte composição mencionada:
- R$ 2,5 trilhões destinados a rolagem da dívida e pagamento de juros;
- R$ 2,7 trilhões para manutenção da máquina pública.
O comentarista afirmou ainda que o próprio governo teria indicado falta de espaço para investimentos em 2027, associando essa limitação ao crescimento das despesas acima da receita e ao aumento de arrecadação via tributos.
Esclarecimento institucional (contexto)
No Brasil, o orçamento anual é formalizado pela Lei Orçamentária Anual (LOA), elaborada pelo Poder Executivo e aprovada pelo Congresso Nacional, dentro do ciclo orçamentário que envolve também a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e o Plano Plurianual (PPA).
Evolução de despesas públicas: comparação por governos (dados narrados)
Na análise apresentada, Musa comparou variações percentuais reais (descontada a inflação) das despesas em diferentes períodos presidenciais no Brasil. Ele citou os seguintes percentuais:
- Fernando Henrique Cardoso: 5%
- Lula 1: 61%
- Lula 2: 98%
- Dilma 1: 4%
- Dilma 2: 4%
- Michel Temer: 0,5%
- Jair Bolsonaro: 31%
- Lula 3: 92%
O economista também mencionou que, durante os governos Lula 1 e Lula 2, houve um boom de commodities, com efeitos sobre exportações e contas externas, e citou investigações e casos de corrupção ligados a escândalos como Mensalão e Petrolão, além de mencionar decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas a processos da Operação Lava Jato.
Fact-check e precisão de termos (contexto público)
- Mensalão: referência ao caso julgado pelo STF na Ação Penal 470.
- Petrolão: termo popular associado a investigações sobre corrupção na Petrobras, em especial no âmbito da Operação Lava Jato.
- STF: Supremo Tribunal Federal, instância máxima do Judiciário brasileiro.
Argentina: cortes e redução do tamanho do Estado no governo Milei, segundo a análise
Musa afirmou que o Congresso argentino aprovou medidas associadas ao corte de gastos e à redução do tamanho da máquina pública, atribuindo esse movimento ao governo de Javier Milei, presidente da Argentina.
De acordo com os números citados no vídeo:
- Em 2023, o Estado teria representado 38% do PIB na Argentina;
- Após dois anos, teria caído para 31,5% do PIB;
- O apresentador descreveu isso como uma redução de 6,5 pontos percentuais, equivalente a uma queda relativa de 17% no tamanho do Estado frente ao patamar de 2023.
Ele também comparou com outros países, afirmando que:
- No Brasil, o Estado pesaria cerca de 46% do PIB;
- A França teria cerca de 60% do PIB.
Onde os cortes teriam ocorrido (governo nacional vs. províncias)
O vídeo sustenta que a maior parte do recuo teria ocorrido no nível do governo nacional (federal), por ser a esfera sob maior influência do presidente:
- Governo nacional: de 20% do PIB para 14% do PIB (segundo os dados apresentados);
- Províncias: queda de 1,5% do PIB (na leitura descrita);
- Municípios: participação citada como 3% do PIB no quadro inicial.
O economista interpretou a queda como relevante por ser incomum, na visão dele, um Estado reduzir gastos de forma acelerada.
Contexto institucional (Argentina)
A Argentina tem estrutura federativa, com competências divididas entre governo nacional, províncias e municípios, o que pode limitar a capacidade de cortes diretos pelo Poder Executivo nacional em áreas sob maior autonomia subnacional.
Privatizações e reformas: áreas mencionadas
Na parte final da exposição, Musa mencionou que privatizações e reformas tenderiam a avançar de forma diferente conforme o setor. Ele citou:
- Educação e saúde como áreas que, segundo sua avaliação, seriam mais “fáceis” de privatizar;
- Previdência como tema mais complexo, por envolver o financiamento intergeracional do sistema (contribuintes atuais custeando benefícios de aposentados), exigindo transição.
O economista também afirmou que pretende abordar em outro conteúdo o que chamou de projeto de “educação mais livre do mundo” na Argentina, relacionado a descentralização e reorganização de recursos — sem detalhar, no trecho transcrito, medidas específicas, prazos ou textos legais.
Principais pontos (resumo)
- Bruno Musa comparou os orçamentos e trajetórias fiscais de Brasil e Argentina.
- No Brasil, citou um orçamento de R$ 6,5 trilhões para 2026, com destaque para dívida/juros e manutenção da máquina pública.
- O vídeo listou percentuais de aumento real de despesas por governo, com ênfase no Lula 3 (92%), segundo a narrativa.
- Para a Argentina, foram citados 38% do PIB (2023) e 31,5% do PIB (dois anos depois) como tamanho do Estado.
- O apresentador atribuiu os cortes ao governo Javier Milei e à aprovação no Congresso argentino, apontando maior impacto no governo nacional.
Conclusão
O conteúdo analisado apresenta uma leitura comparativa entre a evolução do gasto público no Brasil e a redução do peso do Estado na Argentina, atribuindo ao governo Milei e ao Congresso argentino decisões que teriam diminuído a participação estatal no PIB. No caso brasileiro, o vídeo enfatiza a composição do orçamento de 2026 e a dinâmica de crescimento de despesas ao longo de diferentes administrações, conectando o tema ao debate sobre capacidade de investimento e trajetória fiscal.
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