Boca Livre para convidados do Toffoli no Resort

Boca livre para convidados
Imagem: Gazeta da Amazônia

Destaques

  • Dias Toffoli frequentou o Tayayá Resort por pelo menos 168 dias desde dezembro de 2022, em 19 visitas reportadas.
  • Relatórios apontam pagamento de diárias de segurança pelo TRF-2 que somam R$ 548,9 mil.
  • Não há comprovação documental pública, nas matérias citadas, de que tenha existido formalmente “consumo liberado a convidados”.
  • Vídeos mostram encontros informais com banqueiros e empresários, como André Esteves e Luiz Pastore, levantando questionamentos de percepção pública.
  • Há relatos sobre propriedade e estrutura do resort que motivam dúvidas sobre conflito de interesses e transparência.

Tempo de leitura estimado: 6 minutos

Festa privada: houve “consumo liberado” para convidados?

A expressão

“consumo liberado a convidados”

tem circulado em reportagens sobre uma festa privada no fim de 2025, quando o Tayayá Resort, em Ribeirão Claro (PR), teria sido fechado para evento com apresentação de grupo de samba e presença do ex-jogador Ronaldo Fenômeno (Ronaldo Nazário). Essas informações foram compiladas por veículos como Arquivosa e Servidor Público MS.

Contudo, as matérias e os materiais audiovisuais citados não apresentam comprovação documental específica — como contrato, nota fiscal, cardápio de open bar ou depoimento formal — de que houve, no sentido estrito, open bar oferecido a todos os presentes. Existem imagens de confraternização e pessoas consumindo bebidas, apontadas em vídeos publicados no YouTube, mas isso não equivale a prova de “consumo liberado” formalmente contratado.

Em resumo, o que se pode afirmar com segurança, com base nas fontes citadas, é:

  • houve uma festa privada com fechamento do resort para convidados, segundo as reportagens (Arquivosa; Servidor Público MS);
  • imagens de encontros com convidados de alto perfil e bebidas em circulação em vídeos disponíveis publicamente (vídeo 1, vídeo 2);
  • não há, nas fontes indicadas, confirmação direta e documental de que o consumo tenha sido formalmente “liberado”.

Toffoli passou 168 dias no Tayayá e segurança custou R$ 548,9 mil, segundo apuração

O dado de maior destaque envolvendo recursos públicos é o custo de segurança. Reportagens indicam que Dias Toffoli teria passado ao menos 168 dias no Tayayá Resort desde dezembro de 2022, em 19 visitas, e que o gasto com diárias de segurança pagas pelo TRF-2 totalizou R$ 548.900 (Arquivosa; Servidor Público MS).

Segundo as matérias, parte do custo decorre de logística com equipes em rodízio a cada cinco dias ou mais, modelo que aumenta pagamentos de diárias e deslocamentos. As publicações dizem também que não houve resposta do TRF-2 às perguntas dos repórteres sobre critérios e detalhes dessa operação de segurança (Arquivosa; Servidor Público MS).

Questão institucional

A questão que ultrapassa o debate político imediato é: qual é o limite aceitável para o custeio público de segurança em deslocamentos e estadias de autoridades sem agenda oficial? Ministros do STF demandam proteção, mas a sensibilidade pública recai sobre relação entre custo-benefício, transparência e natureza das viagens.

Encontros com André Esteves e Luiz Pastore

Vídeos datados de 25 de janeiro de 2023 mostram o ministro em ambiente informal no resort, recebendo convidados como o banqueiro André Esteves (BTG Pactual) e o empresário Luiz Pastore. As imagens estão em vídeos no YouTube (vídeo, vídeo) e foram noticiadas em veículos como o Blog do BG.

Esses materiais, por si só, não provam que tenham sido discutidos temas judiciais ou favorecimentos. Ainda assim, do ponto de vista de prudência institucional, imagens de um ministro do Supremo em confraternização com agentes econômicos relevantes em espaço privado alimentam dúvidas sobre a percepção de imparcialidade — elemento central para a credibilidade do Judiciário.

“Resort do Toffoli”? Propriedade e frequências

Reportagens citam depoimentos de funcionários que afirmam que Toffoli seria o

“verdadeiro dono”

do resort, apesar de registro de venda oficial em abril de 2025 ao advogado Paulo Humberto Barbosa (Arquivosa; Santa Portal).

Mesmo após a venda formal, as apurações indicam que o ministro teria realizado sete visitas, totalizando 58 dias, o que reforçou a percepção local de que o Tayayá passou a ser conhecido como “resort do Toffoli” em relatos de moradores, hóspedes e funcionários citados nas matérias (Arquivosa; Santa Portal).

Privilégios relatados

A cobertura descreve acesso exclusivo a uma casa de luxo na área chamada Ecoview, barco particular no píer, chegada de helicóptero e missas celebradas por seu irmão, o padre José Carlos — informações presentes em vídeos e reportagens (Servidor Público MS; vídeo 1, vídeo 2, vídeo 3).

Isoladamente, tais descrições retratam estilo de vida. A notícia ganha relevo quando cruzada com o custo público de segurança e a presença de convidados influentes, em contexto de restrições fiscais, em que a sociedade exige sobriedade e previsibilidade no uso de recursos públicos.

Estrutura do resort e relatos de “pequeno cassino”

As apurações mencionam a existência de um espaço de jogos no resort, com máquinas de vídeo loteria e mesas de blackjack. As reportagens observam que a vídeo loteria teria tratamento permitido no Paraná, enquanto mesas de blackjack configurariam atividade de aposta com dinheiro real, potencialmente ilegal (Servidor Público MS; vídeo).

A associação de um ministro do STF a locais que abrigam práticas questionáveis, ainda que não comprovadas como ilícitas, pode gerar problemas reputacionais relevantes para a Corte.

Documentos de propriedade e indícios citados

Relatos indicam que registros do empreendimento listariam parentes do ministro — dois irmãos e um primo — por meio de uma empresa com endereço apontado como “fictício” em Marília, cidade natal de Toffoli. Ao mesmo tempo, o advogado Paulo Humberto Barbosa afirmaria ser o proprietário exclusivo após aquisições no final de 2024 (vídeo; vídeo; Santa Portal).

Controvérsias dessa natureza dependem de três camadas de prova: (1) registros societários e imobiliários; (2) fluxo financeiro e beneficiário final; (3) testemunhos e padrões de uso. Até aqui, predominam relatos e material audiovisual; o esclarecimento ideal viria de documentos públicos e manifestação formal dos envolvidos.

Ausência de resposta oficial e necessidade de transparência

As matérias consultadas indicam que não houve resposta pública do TRF-2 às indagações sobre custeio e operação de segurança, e também não há, nesse conjunto de links, uma nota detalhada do ministro ou do STF enfrentando ponto a ponto as alegações (Arquivosa; Servidor Público MS).

Boa governança pública sugere: quanto maior o poder, maior a obrigação de prestar contas. O dever de transparência é particularmente sensível quando há uso de recursos do contribuinte para proteção em deslocamentos e estadias.

Impacto para o contribuinte e credibilidade institucional

O ponto central em termos de erário é a normalização de despesas públicas elevadas em contextos sem vínculo claro à missão oficial. Cidadãos e investidores exigem saber qual foi o fundamento administrativo para envio de equipes, critérios para número de agentes e rodízio, custo total por deslocamento e se existiam alternativas mais eficientes de proteção.

A credibilidade do Judiciário não depende apenas da legalidade formal, mas também de comportamento público prudente que preserve a percepção de independência frente a interesses privados.

O que acontece agora: perguntas que seguem sem resposta

Com base nas matérias citadas, seguem-se perguntas centrais que permanecem sem resposta pública:

  1. Qual foi a justificativa formal para o volume de diárias e o modelo de rodízio de segurança? (Arquivosa)
  2. Há documentação pública que comprove inequívocamente a cadeia de propriedade do resort e seus beneficiários finais? (Santa Portal)
  3. Na festa de fim de 2025, existe algum elemento verificável que sustente a afirmação de “consumo liberado”, ou trata-se de extrapolação sem base documental? (Arquivosa)
  4. Como o STF e o próprio ministro avaliam o impacto reputacional de encontros com figuras do mercado em ambiente de lazer, registrados em vídeo? (Blog do BG)

Conclusão

A controvérsia sobre a festa privada de Toffoli no Tayayá e a alegação de “consumo liberado a convidados” não contam, nas fontes disponíveis, com comprovação específica e documental desse ponto. Entretanto, o núcleo noticioso é mais amplo: o conjunto de fatos reportados — 168 dias de estadias desde 2022, R$ 548,9 mil em diárias de segurança, eventos exclusivos e encontros informais com empresários — exige esclarecimentos formais.

Autoridades mantêm direitos individuais, mas em posição de alta responsabilidade institucional têm dever acrescido de transparência. O próximo passo natural é que os órgãos citados e os envolvidos apresentem explicações documentais claras para eliminar dúvidas e permitir avaliação pública.

Fontes e Referências

Perguntas Frequentes

O que significa “consumo liberado a convidados”?

No uso jornalístico estrito, refere-se a fornecimento de alimentos e bebidas sem cobrança individual, normalmente formalizado por contrato ou nota fiscal (open bar). Nas matérias citadas não há documentação pública que comprove esse regime para a festa de fim de 2025.

Os valores de segurança foram pagos com dinheiro público?

As reportagens indicam que diárias de segurança foram pagas pelo TRF-2, totalizando R$ 548.900. As matérias também relatam ausência de resposta do TRF-2 sobre critérios e detalhamento das despesas.

As imagens provam irregularidade judicial?

Imagens de confraternização e encontros informais não comprovam, por si só, favorecimento ou decisão judicial irregular. Elas, contudo, alimentam questões de percepção pública sobre imparcialidade e prudência institucional.

O que seria necessário para esclarecer o caso?

Esclarecimentos oriundos de documentos oficiais: registros societários e imobiliários, contratos ou notas fiscais relativos ao evento, comprovação detalhada de critérios administrativos para custeio da segurança e manifestação formal do ministro e do STF.

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Marco Antonio Costa

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