Delcy Rodríguez desafia os EUA: “Chega de ordens de Washington”

Delcy Rodríguez desafia os EUA
Foto: Agencia de Noticias ANDES

“Chega de ordens de Washington”, diz presidente interina da Venezuela: Delcy Rodríguez desafia os EUA e propõe solução interna para a crise

 

Destaques

  • Delcy Rodríguez declarou em rede nacional: “Chega de ordens de Washington”, defendendo solução interna para os conflitos venezuelanos.
  • O governo dos EUA tem condicionado flexibilização de sanções a reformas econômicas e privatizações.
  • Reações internas variam entre nacionalistas que aplaudem e setores empresariais que temem isolamento.
  • O Brasil e outros países da região adotam tom moderado, reforçando o princípio de soluções pactuadas e respeito à soberania.

 

Tempo de leitura estimado: 4 minutos

 

 

O contexto: Pressão externa e desafio à soberania nacional

As declarações de Delcy Rodríguez foram proferidas em rede nacional no dia 25 de janeiro de 2026, em um cenário de crescente pressão do governo dos EUA sobre a agenda reformista do atual governo de transição venezuelano. O governo norte-americano tem exigido avanços rápidos em reformas econômicas, incluindo privatizações de setores estratégicos e políticas orientadas ao mercado, condicionando apoio financeiro e flexibilização de sanções a esses compromissos.

 

A presidente interina, com histórico como ministra e vice-presidente no regime anterior, posiciona-se hoje como figura central na resistência ao que chama de “tutela estrangeira”. Em sua fala, ela enfatizou a necessidade de que os venezuelanos conduzam suas próprias soluções institucionais e econômicas.

 

“Estamos fartos de sermos tratados como protetorado. Que os conflitos venezuelanos sejam resolvidos por venezuelanos, de acordo com nossa soberania. Chega de ordens de Washington.”

 

As reações dentro e fora da Venezuela

Nacionalismo e divisão interna

A declaração de Delcy Rodríguez provocou reações contrastantes no plano doméstico. Movimentos nacionalistas, sindicatos e setores próximos à antiga guarda chavista celebraram a postura como um resgate da autodeterminação e uma rejeição ao que denominam “imperialismo”. Esses grupos, profundamente afetados pela crise social, seguem céticos em relação a reformas vinculadas à influência externa e defendem a preservação dos recursos nacionais.

 

Em contrapartida, setores empresariais, lideranças liberais e parte da oposição alertaram para o risco de isolamento internacional. Analistas apontam que um discurso nacionalista, sem medidas técnicas e transparência, pode afastar capitais necessários para recuperar infraestrutura, segurança alimentar e serviços de saúde.

 

Diplomacia e interesses regionais

Para a América Latina, incluindo o Brasil, a movimentação venezuelana reacende o debate sobre soberania e soluções autóctones. O Itamaraty reiterou apoio ao direito dos venezuelanos de escolher seu destino, desde que dentro de parâmetros constitucionais e respeito aos direitos civis — postura que busca evitar imposições externas, proteger fluxos comerciais e conter crises migratórias, especialmente em estados de fronteira como Roraima e Amazonas.

 

Países como a China e a Rússia, que ampliam presença na América do Sul, observam o episódio como reforço ao discurso multipolar e à limitação da influência norte-americana na região.

 

A crise como oportunidade de redirecionamento estratégico

Apesar do profundo colapso socioeconômico que assola a Venezuela, o governo interino tenta transformar a adversidade em discurso de afirmação nacional. A promessa central é que reformas — incluindo privatizações, abertura econômica e repactuação política — sejam conduzidas sob critérios nacionais, evitando imposições externas.

 

Economistas consultados pelo veículo referenciado apontam que a Venezuela dificilmente prescindirá de acordos com o FMI ou o Banco Mundial, mas sinalizam que uma negociação firme pode proporcionar termos mais favoráveis ao país e reduzir riscos de dependência automática.

 

O impacto para o Brasil

O Brasil, como principal ator econômico regional, monitora os desdobramentos. A reabertura do comércio bilateral representa oportunidade para exportadores brasileiros de alimentos, energia e manufaturados, caso a Venezuela precise reconstruir sua matriz produtiva.

 

Ao mesmo tempo, o governo brasileiro precisa agir diplomaticamente para evitar que instabilidades em Caracas provoquem novas ondas migratórias ou riscos de segurança nas fronteiras. Analistas em Brasília veem na declaração de Rodríguez um reforço à tradição diplomática de buscar soluções pactuadas, sem imposições agressivas, preservando o equilíbrio institucional e a vontade popular.

 

Os próximos passos: autonomia negociada ou isolamento?

O desafio do governo interino é duplo: mostrar firmeza para consolidar legitimidade interna e, ao mesmo tempo, manter canais de diálogo com parceiros internacionais para a reabilitação econômica. O risco de isolamento é real, especialmente se medidas nacionalistas forem adotadas sem planejamento técnico e transparência.

 

Os próximos meses devem revelar o ritmo das reformas, o acesso a crédito internacional e as respostas de parceiros regionais. A comunidade internacional acompanha com atenção, porque o desfecho pode influenciar não apenas o futuro da Venezuela, mas o papel dos EUA e de outros atores no equilíbrio hemisférico.

 

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Fontes e Referências

 

Perguntas Frequentes

P: A Venezuela pode recusar ajuda financeira dos EUA e de organismos multilaterais?

R: Na prática, a Venezuela dificilmente prescindirá de acordos com organismos como o FMI ou o Banco Mundial. O que se coloca é a tentativa do governo interino de negociar termos que preservem maior autonomia e evitem dependência excessiva.

 

P: Como o Brasil deve reagir a essa declaração?

R: O posicionamento brasileiro, via Itamaraty, tende à moderação: defender soluções internas respeitando a constituição e os direitos civis, ao mesmo tempo em que busca conter impactos econômicos e migratórios nas regiões de fronteira.

 

P: Existe risco real de isolamento internacional da Venezuela?

R: Sim, há risco se o discurso nacionalista se traduzir em políticas que afugentem investimentos e bloqueiem negociações técnicas. Contudo, uma estratégia bem articulada de negociação pode mitigar esse risco.

 

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Marco Antonio Costa

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