Lewandowski manteve contrato milionário com Banco Master após assumir MJ

Lewandowski
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Destaques

  • Ricardo Lewandowski prestou consultoria — por meio do Lewandowski Advocacia — ao Banco Master com pagamentos mensais de R$ 250 mil.
  • O total dos repasses é estimado entre R$ 5 milhões e R$ 6,5 milhões, segundo apurações da imprensa.
  • Relatórios indicam que pagamentos ao escritório continuaram durante parte do período em que Lewandowski já era ministro do Ministério da Justiça.
  • Lewandowski afirma que se desligou do escritório e suspendeu a inscrição na OAB ao assumir o cargo; reportagem levanta dúvidas sobre a continuidade contratual e a aparente participação de familiares na banca.

Tempo de leitura estimado: 6 minutos

Nesta matéria

Introdução

Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública no governo Lula, Ricardo Lewandowski atuou como “consultor” do Banco Master por meio de contrato firmado com seu escritório de advocacia, com pagamentos mensais de R$ 250 mil e valor total estimado entre R$ 5 milhões e R$ 6,5 milhões. As informações constam de apurações publicadas por g1 e pelo site SCTD, com repercussão também em Gazeta do Povo, CNN Brasil e O Tempo.

Ex-ministro Ricardo Lewandowski atuou como “consultor” do Banco Master: o que dizem os contratos e os pagamentos

Segundo as reportagens, o vínculo foi formalizado em contrato de “serviços de consultoria jurídica e institucional” entre o Banco Master e o escritório Lewandowski Advocacia. O acordo, reportam as investigações, previa também a participação de Lewandowski em reuniões do Comitê Estratégico do banco, o que sugere atuação com potencial influência institucional, e não apenas tarefas técnicas pontuais.

“serviços de consultoria jurídica e institucional”

As cifras reportadas convergem nos pontos centrais:

  • Pagamento mensal de R$ 250 mil, segundo g1 e SCTD.
  • Total estimado entre R$ 5 milhões e R$ 6,5 milhões, conforme g1, SCTD e Gazeta do Povo.
  • Vigência indicada entre 28 de agosto de 2023 e setembro de 2025, segundo g1 e SCTD.

O ponto de maior sensibilidade institucional é temporal: Lewandowski assumiu o Ministério da Justiça em fevereiro de 2024, mas o contrato, conforme noticiado, teria permanecido ativo por cerca de 21 meses após sua entrada no governo, com pagamentos ao escritório durante esse período, segundo g1 e SCTD.

Linha do tempo: do fim no STF ao contrato com o banco e a chegada ao governo

  • Abril de 2023: Lewandowski deixou o STF e retornou à advocacia privada, segundo CNN Brasil e O Tempo.
  • 28 de agosto de 2023: contratação, conforme reportagens (g1; SCTD).
  • Janeiro–fevereiro de 2024: convite e posse no Ministério da Justiça (convidado em janeiro; assumiu em fevereiro), segundo g1 e CNN Brasil.
  • 17 de janeiro de 2024: data em que o escritório teria registrado formalmente a saída de Lewandowski e a suspensão na OAB, segundo SCTD.

O que Lewandowski e o escritório afirmam sobre a consultoria

Lewandowski reconheceu que prestou consultoria jurídica ao Banco Master após deixar o STF, mas sustentou que interrompeu a atuação quando foi nomeado para o Ministério da Justiça. A posição é relatada por g1, CNN Brasil e O Tempo.

“cessando de atuar em todos os processos”

A controvérsia não se limita ao ato de advogar: as apurações colocam sob escrutínio a permanência do contrato e dos repasses financeiros ao escritório em período posterior à posse no Executivo, apontada por g1 e SCTD.

Pagamentos continuaram após a posse? O que apontam as reportagens

As publicações registram uma diferença entre a narrativa de afastamento pessoal de Lewandowski e a continuidade dos pagamentos relacionados ao contrato:

  • g1 afirma que o escritório recebeu R$ 5 milhões do Banco Master, trazendo como elemento central a persistência dos repasses mesmo após a entrada no governo.
  • SCTD descreve que os pagamentos mensais de R$ 250 mil seguiram, com o contrato abrangendo aproximadamente 21 meses após o início da gestão no Ministério da Justiça.
  • Gazeta do Povo repercute montante superior a R$ 6 milhões e destaca a vinculação do escritório à família.

Do ponto de vista institucional, a questão não é apenas se houve prestação de serviços — admitida pelo próprio ex-ministro no período posterior ao STF —, mas se a estrutura contratual e financeira permaneceu ativa quando ele já integrava o núcleo do governo em uma pasta sensível.

O papel de Jaques Wagner na indicação e o que ele declarou

Reportagens indicam que o senador Jaques Wagner (PT‑BA), líder do governo no Senado, teria recomendado Lewandowski ao Banco Master, segundo g1 e SCTD. O SCTD relata que Wagner confirmou ter sugerido o nome como jurista qualificado e negou responsabilidade por outros arranjos de consultoria associados a terceiros.

Indicações informais não são, por si só, ilegais; contudo, do ponto de vista de integridade pública, elas aumentam a necessidade de clareza sobre escopo, contrapartidas e eventual interseção entre interesses privados e decisões públicas — em especial quando a indicação vem de um líder governista e o indicado passa a ocupar cargo ministerial.

O escritório continuou operando com familiares, segundo as apurações

As reportagens destacam que a banca Lewandowski Advocacia permaneceu em operação com familiares — esposa e filho — como sócios, mantendo o Banco Master como cliente, segundo Gazeta do Povo e material repercutido em vídeo (YouTube).

Esse dado é central para interpretar a divergência descrita pela imprensa: ainda que Lewandowski tenha formalizado sua saída e suspendido a inscrição na OAB, a atividade empresarial vinculada ao seu nome teria continuado prestando serviços ao banco e recebendo pagamentos.

O que diz o Banco Master

Segundo o SCTD, o Banco Master afirmou que os contratos de consultoria foram executados dentro de parâmetros profissionais, regulares e técnicos. A defesa do banco é tratá‑los como prestação de serviços especializados, sem conotação política e dentro da normalidade contratual do mercado.

Aspectos institucionais: onde estão os pontos de atenção

As reportagens não afirmam, de forma conclusiva, a ocorrência de crime ou irregularidade administrativa. O que existe, até aqui, é a exposição de dados contratuais e financeiros e versões conflitantes sobre o marco temporal do encerramento da atuação de Lewandowski.

Ainda assim, o caso acende alertas institucionais comuns em democracias consolidadas:

  1. Transparência e rastreabilidade de vínculos privados — espera‑se clareza sobre relações econômicas relevantes associadas a estruturas empresariais conectadas ao nome de um ministro.
  2. Separação material entre função pública e interesses privados — continuidade de contratos de alto valor com clientes relevantes pode gerar dúvidas sobre a real separação material, especialmente se o escritório opera com familiares.
  3. Aparência de conflito de interesse — a confiança pública depende também da ausência de situações que possam indicar benefício privado associado ao prestígio ou ao acesso decorrente do cargo.
  4. Previsibilidade e integridade na administração — episódios que levantam dúvidas sobre governança aumentam custo reputacional e podem exigir apurações formais.

O que já é fato reportado e o que permanece em disputa

Para evitar confusões entre dado e interpretação, segue separação entre elementos reportados e pontos em disputa.

Fatos reportados por veículos citados

  • Existência de contrato de consultoria entre Banco Master e o escritório de Lewandowski, descrito como “consultoria jurídica e institucional” (SCTD).
  • Pagamentos mensais de R$ 250 mil, com total entre R$ 5 milhões e R$ 6,5 milhões, conforme g1, SCTD e Gazeta do Povo.
  • Contrato iniciado em agosto de 2023 e com vigência até setembro de 2025, segundo g1 e SCTD.
  • Declaração de que Lewandowski se retirou da banca e suspendeu a OAB ao assumir o ministério (CNN Brasil; g1).
  • Afirmação de que Jaques Wagner recomendou o nome de Lewandowski ao banco (g1; SCTD).

Ponto em disputa

A principal disputa reportada é a compatibilidade entre a alegação de interrupção da atuação pessoal de Lewandowski e a continuidade de pagamentos ao escritório durante sua passagem pelo ministério, conforme destacado por g1 e SCTD. A distinção é relevante para avaliar participação direta, influência indevida ou eventual benefício irregular, que exigem evidências adicionais e análise de órgãos competentes.

Por que o caso importa para a agenda de governança e controle

Ministros ocupam posições de alta confiança. O Ministério da Justiça, em particular, coordena políticas de segurança pública e interage com órgãos de persecução penal. Por isso, espera‑se padrão rigoroso de integridade e previsibilidade.

Em termos de custo público, episódios como este podem gerar:

  • Custo reputacional — desgaste político e pressão por explicações.
  • Custo de governança — necessidade de apurações e reforço de compliance.
  • Custo de incerteza — prolongamento de debates sobre integridade pode afetar previsibilidade política.

Próximos passos: o que acompanhar

Desdobramentos relevantes a monitorar:

  • Divulgação mais detalhada do escopo dos serviços contratados (entregáveis, pareceres, participação em comitês), como descrito pelo SCTD.
  • Novas manifestações públicas de Lewandowski, do escritório e do Banco Master esclarecendo o marco exato de encerramento de atuação e a razão para continuidade dos pagamentos.
  • Esclarecimentos adicionais de lideranças citadas, como Jaques Wagner, sobre o papel na recomendação.

A resposta institucional mais sólida combina documentação, transparência e delimitação clara de papéis — reduzindo espaço para versões contraditórias e minimizando desgaste político desnecessário.

Fontes e Referências

Ao longo dos próximos dias, novas informações documentais e eventuais esclarecimentos formais podem definir com mais precisão o que foi prestação de serviço encerrada, o que foi manutenção contratual e quais mecanismos de compliance foram acionados. Se você quer acompanhar atualizações com contexto e checagem de fatos, compartilhe a reportagem, deixe seu comentário e assine a newsletter do Portal Fio Diário.

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Marco Antonio Costa

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