Dólar cai a R$ 5,20 e Ibovespa bate recorde com aposta em Brasil

Dolar
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Destaques

  • O dólar fechou em forte queda em 27/01/2026, por volta de R$ 5,206–R$ 5,207, após um dia de queda contínua atribuída a fraqueza do dólar global e entrada de capital estrangeiro.
  • O Ibovespa marcou máxima histórica (patamares citados próximos a 181.919 e referências a ~183 mil), enquanto juros futuros (DI) recuaram, sobretudo nos vencimentos longos.
  • O IPCA-15 de janeiro ficou em 0,20% (abaixo da projeção de 0,22%), com inflação em 12 meses em 4,50%, criando espaço para reavaliação de expectativas sobre cortes de juros.
  • O principal risco identificado é a dependência de fluxo externo: entrada de capital que reduz prêmio de risco hoje pode se reverter com rapidez.

Tempo de leitura estimado: 4 minutos

Dólar inicia sessão em baixa: o que o pregão sinalizou

O dólar abriu e percorreu o dia em queda contínua em 27/01/2026, encerrando próximo das mínimas do pregão em torno de R$ 5,206–R$ 5,207. O recuo diário foi de aproximadamente 1,38% a 1,41%, levando o câmbio ao menor patamar em cerca de 20 meses (desde o fim de maio de 2024, conforme relatos).

Movimentos com baixa volatilidade intradiária e trajetória linear de queda costumam indicar presença de fluxo efetivo — neste caso, venda de dólares para compra de ativos em reais. A proximidade das decisões do Federal Reserve (Fed) e do Copom aumentou a sensibilidade do câmbio, já que qualquer alteração nas expectativas de diferencial de juros altera incentivos de carry e apetite por emergentes.

O que muda na prática com dólar a R$ 5,20?

  • Empresas importadoras: alívio de custo de curto prazo e potencial recomposição de margens ou redução de repasses.
  • Banco Central e política monetária: apreciação do real pode reduzir pressão inflacionária via bens comercializáveis, melhorando o ponto de partida do debate sobre juros.
  • Exportadores: queda do dólar pressiona receitas em reais, aumentando demanda por hedge e reequilíbrios em derivativos.

“comprando Brasil” — expressão usada por mercados para descrever estratégia tática de exposição a ativos brasileiros diante de combinação de câmbio apreciado, bolsa em alta e juros longos em queda.

O alívio é real, mas condicionado: se a apreciação for majoritariamente explicada por fluxo externo, pode inverter-se com rapidez sem mudança nos fundamentos domésticos.

Bolsa em recorde e queda dos DIs: o tripé que reprecifica risco no Brasil

No mesmo pregão, o Ibovespa fechou em máxima histórica, com menções a patamares próximos de 181.919 e referências a ~183 mil pontos, em alta de cerca de 2%. Simultaneamente, os juros futuros (DI) recuaram, sobretudo nos vencimentos longos, sinalizando reprecificação de expectativas sobre trajetória de juros.

Exemplos citados incluem: DI jan/2027 por volta de 13,60% (de 13,68%) e DI jan/2030 por volta de 13,035% (de 13,15%). Esse conjunto — câmbio apreciado, bolsa em alta e juros longos caindo — costuma indicar redução do prêmio de risco e maior exposição a ativos locais.

Quem ganha e quem perde

  • Ganha: setores dependentes de financiamento de longo prazo e valuation (empresas intensivas em capital, setores com maior duration, Tesouro na margem se a curva aliviar).
  • Perde: exportadores sem proteção cambial e investidores posicionados para alta de juros.

Importante lembrar: a queda de juros futuros é uma aposta do mercado, não um ato do Copom. Comunicação do Banco Central ou choques fiscais podem desmentir essa aposta e provocar correções abruptas.

O motor do dia: fraqueza global do dólar e sinais políticos nos EUA

Parte do movimento foi atribuída à fraqueza do dólar global, com menção ao índice DXY rompendo tendência de alta, além de declarações do presidente americano Donald Trump que, conforme análises de mercado, relativizaram preocupações sobre depreciação do dólar em função de uma estratégia de reindustrialização.

Separando fato de interpretação: o fato foi a enfraquecida do dólar global; a interpretação é que sinais políticos nos EUA podem alterar o piso psicológico do dólar forte e incentivar alocação de risco fora dos EUA. Para o Brasil, um dólar global fraco tende a aliviar pressões cambiais quando há juros reais elevados e liquidez para absorver fluxo.

Fluxo estrangeiro: componente determinante e instável

Fontes citam forte entrada de recursos estrangeiros, especialmente para renda variável, como vetor central da queda do dólar. Fluxo envolve conversão de moeda e execução, e responde a diferencial de juros, expectativas de inflação e cenário externo.

Operações típicas que se beneficiam do cenário: carry trade, apostas em duration (ganhos com queda de juros longos) e realocação para bolsa. O problema: o fluxo é condicionado a risco global, liquidez e percepção política — portanto, reversível.

“superquarta” — rótulo de mercado para o dia que concentra decisões do Fed e do Copom e que costuma elevar a volatilidade.

IPCA-15 e a leitura sobre o Copom

O IPCA-15 de janeiro registrou alta de 0,20%, abaixo da projeção mencionada de 0,22%, com inflação acumulada em 12 meses em 4,50%. Esse resultado não resolve o desafio inflacionário, mas abre margem para debate sobre cortes futuros de juros.

O Copom decide olhando adiante; mesmo com melhora corrente, a autoridade monitora risco fiscal, indexação, choques de oferta e comportamento do câmbio. Uma curva que cai antes do Copom aumenta o custo reputacional para a autoridade se ela frustrar expectativas; se o BC for cauteloso, pode haver correção nos DIs e no câmbio.

“Superquarta”: assimetria entre Fed e Brasil

A “superquarta” concentra vetores distintos: o Fed define o preço do dinheiro global e imprime direção ao dólar; o Copom define prêmio local. O mercado faz a soma: diferencial de juros + risco fiscal/político + cenário externo. Em 27/01 essa conta favoreceu o real, mas há assimetria — choques externos podem sobrepujar acertos locais.

Setores e ativos: por que bancos, commodities e utilities lideram

O rali foi disseminado com liderança de financeiras, commodities e utilities. Motivações:

  • Bancos: beneficio potencial de queda de juros longos e melhoria de perspectiva de crédito; são também porta de entrada para fluxo estrangeiro.
  • Commodities: narrativa própria e sensibilidade a menor aversão ao risco global; menção a alta de metais preciosos no exterior (prata e ouro).
  • Utilities: ativos de duration longa se valorizam com queda de juros futuros.

Houve, ainda, seletividade: alguns papéis de energia e varejo recuaram, indicando que o rali teve componentes setoriais e não foi homogêneo.

O nível de R$ 5,20: alívio psicológico, mas não mudança de regime

O patamar de R$ 5,20 tem efeito psicológico por retornar a níveis não vistos há meses. Porém, não é prova de melhora estrutural. O mercado precificou cenário de curto prazo (dólar global mais fraco, fluxo, inflação cedeu marginalmente e expectativa de política menos restritiva).

Risco invisível: valorização cambial pode reduzir urgência por reformas e ajuste fiscal, transformando ganho de curto prazo em risco acumulado caso haja relaxamento nas políticas fiscais.

O que observar nas próximas sessões

Checklist para avaliar se o movimento é consistente:

  • Fluxo estrangeiro: contínuo ou episódico?
  • Curva de juros: segue caindo ou devolve parte do movimento?
  • DXY e yields americanos: confirmam ambiente “risk-on” ou revertêm?
  • Comunicação do Copom e conduta do Banco Central: preservam credibilidade ou geram surpresa?
  • Preço do petróleo e choques externos: canais clássicos de contaminação inflacionária e cambial.

A abertura de 28/01 e o teste de continuidade

Na abertura do dia seguinte (28/01) o dólar apresentou nova queda de cerca de 0,22%, negociado em torno de R$ 5,1944, com o Ibovespa mantendo viés positivo. O recado: o mercado tentou prolongar o movimento, mas o teste de sustentabilidade depende de comunicados e decisões que moldam expectativas para semanas.

Conclusão

O pregão de 27/01/2026 — dólar em queda forte perto de R$ 5,20, bolsa em recorde e juros futuros em recuo — sinaliza redução do prêmio de risco e entrada de capital, apoiada por ambiente externo menos favorável ao dólar. Isso pode aliviar pressões inflacionárias e melhorar condições financeiras no curto prazo.

O custo é a dependência de cenário externo benigno e de fluxo. O próximo passo racional do mercado é testar a consistência do movimento diante do Fed e do Copom: se permanecerem dólar global fraco + diferencial de juros favorável + credibilidade monetária, parte do ganho pode se sustentar; se qualquer pilar falhar, a reversão tende a ser rápida.

Fontes e Referências

  • Reportagem da CNN Brasil sobre os movimentos do mercado em 27/01/2026.
  • Reportagem da Agência DC News detalhando a entrada de fluxo estrangeiro.
  • Reportagem do G1 com números do câmbio e do Ibovespa.
  • Reportagem da Agência Brasil (EBC) sobre o menor patamar do dólar em 20 meses.
  • Vídeo de análise disponível no YouTube citado nas fontes consultadas.
  • Análise da CONTRACS sobre o câmbio no dia.

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Marco Antonio Costa

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