Aliança Falcão-Cleitinho reorganiza direita mineira rumo a 2026
Destaques
- Luís Eduardo Falcão, presidente da AMM, sinaliza aproximação com o senador Cleitinho Azevedo para 2026, incluindo hipótese de compor chapa.
- A movimentação transforma a presidência da AMM em um ativo de coordenação política, pressionando partidos por legenda e palanques municipais.
- O Republicanos ganha poder de barganha; a indefinição partidária de Falcão amplia essa margem.
- Há risco institucional: a AMM pode ver reduzida sua capacidade de interlocução se a presidência for associada a um projeto eleitoral específico.
- A sinalização altera incentivos para pré-candidatos da direita em Minas, encurtando janela para candidaturas de baixa intensidade.
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Nesta matéria
- Contexto e sinalização de aliança
- Efeitos institucionais e políticos
- O que está em jogo para Cleitinho
- O papel da AMM
- Estratégia de Falcão e dilemas temporais
- Republicanos como fiel da balança
- PL, PSD e o problema do palanque
- Efeito sobre Gabriel Azevedo e Mateus Simões
- Declarações relevantes
- Impactos para prefeitos
- Custo reputacional e governança local
- O que muda e o que ainda não existe
- Cenários plausíveis para 2026
- Fontes e referências
- Perguntas Frequentes
Contexto e sinalização de aliança
Em entrevista ao Estado de Minas em 29/01/2026, Luís Eduardo Falcão, prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), confirmou diálogos frequentes com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e relatou reunião recente, inclusive admitindo a hipótese de filiação ao Republicanos e de compor chapa.
“sem exigir cargo”
Falcão qualificou a possibilidade como condicionada a um “projeto para Minas para o futuro” e reconheceu que a liderança de pesquisas do senador é um dado “incontestável”.
“incontestável”
Efeitos institucionais e políticos
O elemento central não é apenas a retórica de unidade, mas a tentativa de transformar a presidência da AMM — com sua capilaridade municipal — em moeda de coordenação política para 2026. Três efeitos imediatos são observáveis:
- Efeito de coordenação: prefeitos e lideranças locais tendem a recalibrar expectativas sobre viabilidade e estrutura, evitando apostas minoritárias.
- Efeito de barganha: partidos com fundo eleitoral e tempo de TV passam a ser pressionados a oferecer legenda e condições para acomodar a capilaridade municipalista.
- Efeito de risco institucional: a AMM corre o risco de desgaste interno e perda de neutralidade, o que pode reduzir sua eficácia como representante de municípios de diferentes campos.
O que está em jogo para Cleitinho
Cleitinho Azevedo, senador pelo Republicanos, tem tração eleitoral e visibilidade, mas precisa transformar popularidade em viabilidade de governo mediante coalizões, estrutura partidária e palanques regionais. A aproximação de Falcão atua sobre três deficiências típicas de candidaturas pessoais:
- Capilaridade municipal: rede de prefeitos reduz custos de campanha e facilita presença regional.
- Selo de gestão: o perfil gestor municipal de Falcão pode complementar a imagem comunicativa e confrontacional do senador.
- Governabilidade inicial: pontes com municipalismo ajudam a reduzir atrito na implantação de políticas públicas no primeiro ano.
No entanto, governabilidade exige também alianças legislativas e prioridades compatíveis com restrições fiscais — um desafio para um partido como o Republicanos, que não é majoritário estadualmente.
O papel da AMM
A AMM coordena demandas de prefeitos sobre transferências, convênios, ICMS, saúde, educação e infraestrutura. A presidência da entidade confere:
- acesso a pautas sensíveis para o caixa municipal;
- proximidade com secretarias estaduais e bancadas federais;
- legitimidade para falar em nome dos municípios, mesmo com divergências internas.
Quando o presidente da entidade se posiciona como potencial vice ou articulador eleitoral, emergem duas leituras concorrentes: pragmatismo municipalista versus captura política da entidade. O custo institucional depende da intensidade da associação entre AMM e projeto eleitoral.
Estratégia de Falcão e dilemas temporais
Falcão deixou o Novo em abril de 2025 e opera desde então como ator “sem partido”, buscando filiação até o fim de janeiro de 2026 para ganhar estrutura.
“sem partido”
A ausência de filiação aumenta seu valor de negociação, mas há limites: decisões tardias reduzem tempo de construção de chapa, previsibilidade para prefeitos e o poder de negociação diante de diretórios nacionais que moldam arranjos finais.
Republicanos como fiel da balança
O Republicanos ocupa posição típica de partido médio com ativo nacional: pode optar por palanque próprio com Cleitinho ou por aliança com outro polo. Cada escolha tem vantagens e riscos:
- Palanque próprio: autonomia e narrativa de renovação, mas necessidade de ampliar coalizão para governabilidade.
- Aliança: reduzem riscos eleitorais e facilitam composição legislativa, mas enfraquecem a marca e mobilização própria.
A sinalização de Falcão fortalece a credibilidade de um palanque próprio ao acrescentar capacidade de organização municipal.
PL, PSD e o problema do palanque
Em Minas, a decisão sobre lançar candidatura própria é instrumental: um palanque competitivo puxa votos para eleições proporcionais e facilita financiamento e mobilização. Lançar uma candidatura fraca consome recursos e pode isolar o partido.
Cleitinho surge como solução intermediária para siglas que buscam palanque sem controle total; porém, isso exige contrapartidas e disciplina organizacional — espaços onde a articulação municipal de Falcão tem valor.
Efeito sobre Gabriel Azevedo e Mateus Simões
Gabriel Azevedo e Mateus Simões foram citados por Falcão como nomes em circulação; há registro de reunião com Gabriel para discutir regiões e equipe. A consolidação precoce em torno de um nome com pesquisa reduz alternativas e pressiona pré-candidatos a acelerar ou compor.
Declarações relevantes
Além das referências a reuniões e hipóteses de filiação, Falcão explicitou posicionamentos políticos que orientam interpretações estratégicas:
- Negou ser base do governo federal e minimizou aproximações com o MDB, ao mesmo tempo em que se declarou próximo do Republicanos.
“Não serei base do Lula”
Essa sinalização estreita caminhos políticos e indica tendência a compor um campo mais oposicionista ao Planalto, com implicações eleitorais e de gestão de convênios federais.
Impactos para prefeitos
Para prefeitos, a eleição estadual representa previsibilidade de repasses e interlocução. A aproximação Falcão–Cleitinho oferece a promessa implícita de:
“capilaridade + popularidade = viabilidade”, mas falta um compromisso programático explícito sobre regras de distribuição e critérios técnicos — peça central para municipalismo.
Custo reputacional e governança local
Ao ganhar protagonismo estadual, Falcão aumenta a exposição de sua gestão em Patos de Minas e de sua atuação na AMM. Isso tende a atrair fiscalização política e jornalística, com efeitos ambíguos: maior accountability, mas risco de paralisia por cálculo eleitoral.
O que muda e o que ainda não existe
Há diferença entre sinalizar e formalizar. Até o momento não há filiação assinada, anúncio de chapa, programa de governo ou alinhamento formal de bancadas. O que mudou no curto prazo é o ambiente de incentivos:
- Maior assimetria na disputa interna da direita mineira;
- Aumento do poder de negociação do Republicanos;
- A entrada da AMM no radar eleitoral, exigindo cautela institucional.
Cenários plausíveis para 2026
Três caminhos possíveis emergem:
- Chapa Cleitinho–Falcão: exigirá ampliação para além do Republicanos e acordos para legislatura; beneficiaria do discurso municipalista.
- Cleitinho candidato; Falcão como coordenador (sem vice): preserva AMM e reduz custo de renúncia, mantendo capilaridade operacional.
- Falcão em composição com outro candidato do campo (PSD/MDB/PL): mantém municipalismo na mesa, mas dilui marca e autonomia.
A variável decisiva em todos os cenários é quem converte intenção em coalizão com governabilidade e programa crível diante das restrições fiscais do estado.
Fontes e referências
Reportagens e análises consultadas incluem:
Perguntas Frequentes
Falcão já está filiado a algum partido? Não: até o fechamento desta matéria, a filiação não foi formalizada; ele atua como ator “sem partido” em processo negocial.
Existe chapa formal Cleitinho–Falcão? Ainda não: há sinais e reuniões, mas nenhuma chapa foi anunciada oficialmente.
Qual o principal risco para a AMM? A percepção de alinhamento partidário pode reduzir sua capacidade de interlocução com diferentes governos e fragmentar apoio interno entre prefeitos.
O que prefeitos devem observar? Além da viabilidade eleitoral, é crucial buscar compromissos programáticos explícitos sobre regras de distribuição de recursos e critérios técnicos para convênios.




