Destaques
- Banco Master foi submetido à liquidação extrajudicial pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025 por insolvência e irregularidades.
- Apurações envolvendo Polícia Federal e prisões de executivos, com menção a fraude da ordem de R$ 12 bilhões; estimativa de ressarcimento do FGC em torno de R$ 41 bilhões.
- Impactos esperados: reprecificação do risco, aumento do custo do crédito, pressão sobre bancos digitais e debate intenso entre BC, TCU e mercado.
- Questões de governança, captação agressiva por CDBs “turbinados” e necessidade de previsibilidade regulatória para reduzir prêmios de risco.
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Nesta matéria
- Resumo do caso e importância
- O que aconteceu e cronologia
- Origem e crescimento acelerado
- Sinais de deterioração e suspeitas
- Liquidação extrajudicial na prática
- Clientes, investidores e o FGC
- Efeitos no custo do crédito
- Bancos digitais sob escrutínio
- Disputa institucional: BC x TCU
- Efeito político e conduta institucional
- Lições e impactos de longo prazo
- O que vem agora
- Fontes e Referências
- Perguntas Frequentes
Banco Master e os impactos da economia: resumo e por que isso importa
A liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025 — por insolvência, alto grau de deterioração e irregularidades — tornou-se um evento de referência para avaliar riscos de modelos de crescimento baseados em captação cara e ativos de risco. Embora o episódio não seja apontado como sistêmico, ele afeta a confiança, reprecifica risco, pressiona spreads e amplia o escrutínio sobre bancos médios e digitais.
O que aconteceu, em que ponto estamos e por que isso importa
Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, com parada das atividades, afastamento da diretoria, nomeação de liquidante e início do processo de realização de ativos para pagamento de credores. Houve congelamento de recursos acima da cobertura do FGC e expectativa de pagamentos relevantes ao longo de 2026, dada a escala.
Prisões e apurações criminais
No mesmo dia, a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro e outros executivos em investigação que inclui acusações de gestão fraudulenta, organização criminosa e emissão de títulos de crédito falsos; Vorcaro foi posteriormente solto com tornozeleira eletrônica. Autoridades mencionaram investigação de fraude da ordem de R$ 12 bilhões, ligada a carteiras de crédito sem lastro e emissões irregulares de títulos.
Da origem ao crescimento acelerado: como o Master se tornou um case
O Banco Master, com raízes nos anos 1990, passou por reestruturação a partir de 2018 com a entrada de Daniel Vorcaro e capitalização de cerca de R$ 400 milhões. Entre 2018 e 2023 o patrimônio líquido teria escalado de R$ 219 milhões para mais de R$ 5 bilhões, enquanto a receita anual saltou de R$ 190 milhões para mais de R$ 1 bilhão em dado ano.
Modelo de negócio e pontos críticos
O crescimento foi associado à compra e reestruturação de empresas em crise, alocação em ativos de risco e captação via CDBs com taxas muito acima do mercado — prática apontada como crítica por diversas análises. Em 2024, o Master assumiu o controle do will bank, ampliando sua presença digital.
Sinais de deterioração e suspeitas de fraude
Sinais de fragilidade já apareceram em 2022, com dúvidas sobre a saúde financeira. Em 2025 houve tentativas de solução privada, como a proposta de compra do BRB por 58% do Master (bloqueada pelo BC) e propostas de aporte envolvendo a holding Fictor e investidores estrangeiros que não se concretizaram antes da liquidação.
Relatos apontam que o banco registrava ativos de baixa qualidade como se fossem bons e usava recursos de novos investidores para pagar compromissos antigos, além de ofertar CDBs com retornos “irreais” em relação ao risco. A investigação criminal indica emissões irregulares de títulos e carteiras sem lastro, com menção a fraude de aproximadamente R$ 12 bilhões.
Liquidação extrajudicial: o que isso significa na prática
A liquidação extrajudicial é uma medida para tratar insolvência com ritos próprios e limitar danos ao sistema. No caso do Master, o BC fundamentou a decisão na insolvência, grau de deterioração e irregularidades detectadas em conjunto com a PF.
- Paralisação das atividades e interrupção de operações;
- Afastamento da diretoria e nomeação de liquidante;
- Congelamento de recursos acima da cobertura do FGC;
- Início do processo de pagamento de credores conforme ordem legal.
Clientes, investidores e o FGC: quem está protegido
O FGC protege depósitos e aplicações como contas, CDBs, LCIs e LCAs até R$ 250 mil por CPF/CNPJ por instituição. A estimativa de cobertura no caso Master foi tratada como o maior resgate da história do fundo, com volume estimado em R$ 41 bilhões, e muitos pagamentos previstos apenas ao longo de 2026 devido à complexidade operacional.
Aplicações acima do limite ou em produtos não cobertos ficam sujeitas ao resultado da liquidação, com risco de perdas parciais ou significativas.
Efeitos no custo do crédito
Mesmo sem caráter sistêmico, a liquidação tende a gerar reprecificação do risco. Investidores exigem maiores prêmios, bancos aumentam spreads e há maior seletividade, especialmente em relação a bancos médios e digitais. Os principais canais de impacto:
- Cautela e spreads mais altos, com maior exigência de retorno por risco percebido.
- Reprecificação do funding, elevando custos de captação e de crédito ao consumidor final.
- Menos competição se instituições médias/digitais perderem espaço, potencialmente reforçando concentração nos grandes bancos.
Bancos digitais sob escrutínio
O episódio não condena o modelo digital em si, mas evidencia riscos quando crescimento acelerado vem sem controles de risco e capital compatível. Pontos repetidos nas análises:
- Gestão de risco de crédito e liquidez como fator decisivo;
- Dependência de captação com taxas acima da média;
- Crescimento sem governança robusta.
Para o investidor de varejo: taxa alta pode sinalizar risco. Reguladores e mercado devem buscar equilíbrio entre proteção ao investidor e manutenção de competição.
Disputa institucional: TCU pressiona, mercado defende o BC
O TCU questionou o BC sobre três pontos centrais: se alternativas de mercado foram esgotadas (incluindo aporte de R$ 3 bilhões via Fictor), a “cronologia atípica” que coincidiu com operações da PF, e a demonstração técnica da insolvência. O episódio gerou reação de associações financeiras que divulgaram nota de apoio ao Banco Central, alertando para riscos de instabilidade regulatória caso decisões técnico-regulatórias sejam revistas.
“Invalidar decisões técnico-regulatórias do BC pode causar graves impactos ao funcionamento da economia brasileira e enfraquecer a autoridade financeira nacional.”
Fonte do comentário das associações: reportagens da CNN Brasil e Gazeta do Povo.
Efeito político mais amplo
O caso também impulsionou debates sobre conduta institucional e pedidos de códigos de conduta para autoridades, com empresários cobrando regras mais claras para evitar politização de decisões econômicas. A incerteza institucional eleva prêmio de risco e encarece o capital no país.
Lições e impactos de longo prazo
Principais impactos previstos pelos analistas:
- Reguladores: necessidade de supervisão contínua sobre captação agressiva e ativos de risco;
- Mercado: maior escrutínio sobre ofertas de CDBs e revisão de modelos de rating e compliance;
- Economia: risco de encarecimento e restrição de crédito no curto e médio prazo;
- Consumidores: reforço na importância da pulverização de aplicações e preferência por governança consolidada.
O que vem agora: ressarcimentos, apurações e estabilidade regulatória
No curto prazo, o foco é a liquidação extrajudicial, o cronograma de pagamentos via FGC (com pagamentos estendidos para 2026 em muitos casos) e o avanço das investigações criminais. No médio prazo, o grande desafio é reforçar governança e previsibilidade técnica sem ruídos políticos, de modo a reduzir prêmios de risco e baixar o custo do capital.
Em síntese: a liquidação do Master é um teste sobre confiança, regulação e custo do capital — e, nesse teste, o custo final recai sobre o cidadão, via juros e menor disponibilidade de crédito.
Fontes e Referências
- Economia Pereira — Análise sobre Banco Master e bancos digitais
- Vídeo análise (YouTube)
- Times Brasil — Cobertura sobre TCU e liquidação
- CNN Brasil — Nota de apoio ao BC e reações
- Gazeta do Povo — Defesa do BC por bancos
- JOTA — Análise sobre o abalo no sistema bancário
- Revista Oeste — Debates sobre conduta institucional
Perguntas Frequentes
O que cobre o FGC?
O FGC cobre contas, CDBs, LCIs e LCAs até R$ 250 mil por CPF/CNPJ por instituição. Valores acima desse limite dependem da evolução do processo de liquidação.
Quando vou receber se tenho valores no Master?
Devido ao volume estimado de cobertura (aprox. R$ 41 bilhões), muitos pagamentos coordenados pelo FGC têm previsão de se estender ao longo de 2026. O calendário depende da operacionalização e das etapas legais da liquidação.
A liquidação do Master vai provocar crise bancária?
As análises das fontes indicam que não houve diagnóstico de risco sistêmico imediato, mas há efeitos importantes de reprecificação de risco e potencial aumento do custo do crédito, além de maior cautela sobre bancos médios e digitais.
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