André Mendonça e PF: o que se sabe (e o que não) sobre o caso Lulinha
Destaques
- Não foi encontrada comprovação em fontes abertas de que André Mendonça tenha se queixado especificamente da lentidão da Polícia Federal no chamado “caso Lulinha”.
- Fontes consultadas mostram que Mendonça atua como relator que movimenta, levanta sigilo ou decide sobre medidas cautelares, mas não registram a queixa apontada.
- A percepção de “lentidão” pode decorrer de gargalos institucionais (PF, PGR/MP e Judiciário), não apenas de falha operacional da PF.
- Para confirmar a alegação seriam necessários despachos, ata, decisão ou cobertura jornalística com lastro documental, além da identificação formal do inquérito.
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Nesta matéria
- O que as fontes indicam sobre a alegação
- Por que “não encontrei” não é o mesmo que “não existe”
- Casos em que Mendonça aparece ligado a investigações
- “Caso Lulinha”: por que a alegação exige documentos
- O que está em jogo quando um ministro critica a PF
- A dinâmica real do “atraso”
- Implicações políticas
- Onde há fato verificável
- O que observar daqui para frente
- Fontes e Referências
- Perguntas Frequentes
O que as apurações em fontes abertas indicam sobre a frase “André Mendonça se queixa da lentidão da PF no caso Lulinha”
A checagem das fontes listadas e dos resultados de busca disponíveis aponta para um dado básico: há menções a André Mendonça em contextos variados — decisões que afetam investigações conduzidas pela Polícia Federal —, mas não há, nessas fontes, qualquer referência ao “caso Lulinha” nem a uma queixa de Mendonça contra a PF por lentidão.
Quando um ministro do STF “se queixa”, o normal é que haja rastro verificável em despacho de inquérito, manifestação em sessão, nota oficial, cobertura jornalística com citação de documento, ou peças processuais acessíveis. Nas fontes disponíveis, constam episódios em que Mendonça:
- movimenta procedimento parado e determina providências;
- toma decisões relacionadas a apurações com participação da PF;
- decide sobre levantamento de sigilo e medidas cautelares.
Conclusão defensável: com base no material apresentado, não é possível confirmar, em fontes abertas, a existência da queixa atribuída a André Mendonça sobre lentidão da PF nas apurações do “caso Lulinha”.
Por que “não encontrei” não é o mesmo que “não existe”: controle de risco editorial e evidência institucional
No jornalismo responsável há diferença entre ausência de evidência pública identificada e evidência de inexistência. No ambiente do STF, esse cuidado é essencial, porque muitos inquéritos tramitam sob sigilo, despachos podem não ser publicados integralmente e falas informais podem não ter registro.
Mesmo que uma queixa tenha ocorrido, ela poderia estar em autos não públicos, em audiência sem transcrição, ou em declaração não registrada por fontes adequadas. Mas, sem documento, a afirmação não pode ser tratada como fato:
“Sem documento, não há afirmação categórica.”
Casos em que Mendonça aparece ligado a investigações: o que muda na prática quando o STF “destrava” (ou não destrava) apurações
Os episódios encontrados ajudam a entender o mecanismo institucional que frequentemente produz a percepção de lentidão: inquéritos parados por indefinição de competência, mudança de foro, falta de manifestação do Ministério Público ou ausência de despacho judicial. Três exemplos ilustram a dinâmica.
1) Inquérito de Paulinho da Força: quando a investigação “fica parada”
A reportagem da CNN Brasil sobre o inquérito ligado ao deputado Paulinho da Força registra que André Mendonça movimentou um inquérito após cerca de dois anos de inatividade, determinando que a PGR se manifestasse. Segundo a apuração, a PF buscou orientação do STF em 2023 após mudança de foro, sem resposta até a ordem do ministro.
O que isso revela: em investigações com foro, a marcha do procedimento pode depender de atos do STF (decisão sobre competência, autorizações). Quando há dúvida sobre quem decide, a PF tende a ser cautelosa para evitar nulidades. A consequência é que o gargalo pode ser institucional e processual — envolvendo PF, MP e Judiciário — e não apenas operacional da PF.
2) Levantamento de sigilo: transparência seletiva e disputa por narrativa
Há menção em vídeo a episódio em que Mendonça levantou sigilo de fase de apuração envolvendo irregularidades em descontos de entidades no INSS. A referência aparece em um vídeo no YouTube sobre “Operação Sem Desconto”, que exige cautela quanto ao recorte, mas confirma que decisões de levantamento de sigilo alteram o equilíbrio de informação entre órgãos, investigados e imprensa.
Impactos práticos do levantamento de sigilo: aumenta controle social e escrutínio, mas também o risco de politização e de circulação de peças seletivas fora de contexto.
3) Medidas cautelares e prisões: o STF como árbitro de poder policial
Relatos em veículos e notas taquigráficas do Senado registram decisões de Mendonça sobre pedidos de revogação de prisões, bloqueios de contas e debate sobre habeas corpus. Por exemplo, há referência a notas taquigráficas do Senado em documentos públicos do Senado.
O ponto central é que o STF, embora não “mande” operacionalmente na PF, frequentemente condiciona diligências e autorizações. A pressão por rapidez pode colidir com garantias processuais e gerar instabilidade nas decisões, o que amplia a percepção de lentidão.
“Caso Lulinha”: por que a alegação exige documentos específicos (e quais seriam)
O material consultado mostra um trecho confuso que vincula “caso Lulinha” a “Mauro Cid” e ao INSS, o que acende alerta editorial: o termo “Lulinha” remete a múltiplas referências, sem um único caso universalmente definido. Sem delimitação, aumenta o risco de erro factual.
Para confirmar a afirmação de que “Mendonça se queixou da lentidão da PF no caso Lulinha”, seriam necessários ao menos um dos seguintes elementos:
- Despacho ou decisão assinada pelo ministro no inquérito correspondente, com menção expressa a atraso;
- Registro oficial (ata, transcrição, despacho de gabinete, nota do STF) contendo a crítica;
- Cobertura jornalística verificável citando a fala com data, contexto e confirmação documental;
- Número do inquérito/processo que permita checagem em bases públicas.
Sem esse conjunto mínimo, tratar a queixa como fato cria fragilidade editorial: dependeria de circulação em redes sociais ou recorte sem lastro.
O que está em jogo quando um ministro do STF critica (ou não critica) a PF por demora
Mesmo sem confirmação do episódio específico, a hipótese é relevante porque sinaliza tensão institucional. Três pontos-chave:
- Se um ministro critica a PF, há disputa de responsabilidade pública sobre quem responde pelo atraso e quais medidas são necessárias para destravar procedimentos.
- A PF tem incentivos a atuar de forma conservadora quando o risco de nulidade é alto, o que aumenta prazos.
- O STF também sofre custo reputacional quando inquéritos “apodrecem” por falta de decisão, afetando a credibilidade institucional.
A dinâmica real do “atraso”: três gargalos típicos (PF, PGR/MP e Judiciário)
A lentidão em apurações complexas costuma derivar de três gargalos cumulativos:
- Operacional (PF): equipes, perícias, tecnologia, cooperação internacional e prioridades institucionais.
- Acusatório (PGR/MP): iniciativas e pedidos do Ministério Público que impulsionam diligências.
- Judicial (STF/juízo competente): autorizações, delimitação de escopo e decisões sobre foro.
O público tende a enxergar apenas o primeiro gargalo e atribuir tudo à PF, mas episódios em que Mendonça movimenta processos indicam que o gargalo decisório pode estar no rito judicial.
Implicações políticas: por que alegações sem documento viram arma de curto prazo — e desinformação de longo prazo
Atribuir a um ministro do STF uma crítica sem prova verificável pode gerar efeitos negativos:
- Curto prazo: a frase vira munição política para reforçar narrativas pré-existentes.
- Longo prazo: corrói o debate público sobre prazos, competências e responsabilidades, substituindo diagnóstico por rótulos.
Onde há fato verificável: Mendonça aparece mais como agente de movimentação de procedimentos
O conjunto de fontes desenha um perfil em que André Mendonça decide, destrava, levanta sigilo ou aprecia pedidos defensivos — o papel esperado de um ministro-relator. A reportagem da CNN Brasil é um exemplo objetivo: um procedimento esteve parado e foi movimentado por ordem do ministro para manifestação da PGR.
Já a tese de que “Mendonça se queixou da lentidão da PF no caso Lulinha” permanece, com as fontes disponíveis, não comprovada.
O que observar daqui para frente: como a história pode ser confirmada ou descartada com segurança
Se o episódio for real, há três caminhos prováveis para confirmação responsável:
- Identificação formal do procedimento (número do inquérito/processo) para checagem;
- Publicação de decisão/despacho indicando cobrança de diligências ou prazos;
- Registro jornalístico com lastro documental que cite peça processual, ata ou confirmação oficial.
Sem esses elementos mínimos, a tendência é permanecer no campo da circulação informal, com alto custo institucional e baixa utilidade pública.
Fontes e Referências
- Reportagem da CNN Brasil sobre o inquérito de Paulinho da Força
- Vídeo no YouTube sobre a Operação Sem Desconto
- Notas taquigráficas do Senado
- Vídeo no YouTube (referência adicional)
- Reportagem do Reporter Diário sobre pedido de revogação de prisão
Perguntas Frequentes
A checagem afirma que a queixa não ocorreu?
A checagem indica que, com as fontes abertas consultadas, não foi possível confirmar que André Mendonça tenha se queixado da lentidão da PF no “caso Lulinha”. Isso não prova que a queixa jamais existiu; prova apenas que não há registro público verificável disponível até o momento.
Quais documentos confirmariam a afirmação?
Despacho ou decisão do ministro com menção a atraso, transcrição de sessão, ata, nota oficial do STF ou reportagem jornalística com lastro documental e identificação formal do processo permitirão confirmar ou descartar a alegação.
Por que as investigações demoram?
A demora pode resultar de gargalos operacionais na PF, de falta de iniciativas do MP/PGR, ou de indefinições e autorizações judiciais no STF ou juízo competente. Frequentemente é a combinação desses fatores que produz a percepção de paralisação.
O Portal Fio Diário seguirá acompanhando publicações oficiais e movimentações processuais que permitam reavaliar a alegação com base em evidências. Se houver documento verificável, envie nos comentários.




