Shakira processada por plágio no Brasil: o que muda para a indústria da música
Destaques
- Foi ajuizada no Rio de Janeiro uma ação que alega que Shakira e Bizarrap teriam reproduzido a “estrutura central” de Tu tu tu, atribuída a cinco compositores brasileiros e popularizada por Mariana Fagundes e Léo Santana.
- A ação cita também empresas ligadas à Sony Music, com argumento de exploração comercial sem autorização e sem créditos.
- Até o momento, não foram localizados número do processo, petição inicial, decisões judiciais ou laudos periciais nas fontes disponíveis; nenhuma das partes teria se manifestado oficialmente.
- O resultado prático mais imediato tende a ser a profissionalização do clearance, ajuste de metadados e eventuais negociações para reduzir risco financeiro e reputacional.
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Nesta matéria
- Shakira processada por plágio: o que se sabe sobre a ação judicial no Rio
- O que muda na prática quando um hit global vira alvo no Brasil
- O núcleo jurídico: o que precisa ser provado
- Incentivos e poder de barganha
- O custo oculto: créditos, metadados e plataformas
- “Plágio” no debate público vs. disputa autoral no processo
- Por que esse tipo de ação pode crescer no Brasil
- Contraste com os casos fiscais na Espanha
- O que ainda precisa aparecer para verificação
- Cenários possíveis e consequências
- O que observar daqui em diante
- Fontes e Referências
- Perguntas Frequentes
Shakira processada por plágio: o que se sabe sobre a ação judicial no Rio
Segundo reportagem do NaTelinha/UOL, cinco compositores brasileiros ajuizaram ação na Justiça do Rio de Janeiro alegando que Shakira e Bizarrap teriam copiado elementos de Tu tu tu na faixa “Shakira: BZRP Music Sessions Vol. 53”. A notícia indica que o processo também inclui empresas do grupo Sony Music e sustenta ausência de autorização e créditos.
“estrutura central”
É preciso distinguir o que pode ser verificado nas fontes disponíveis e o que ainda não foi comprovado documentalmente: há relato jornalístico sobre a existência da ação e suas alegações, mas não foram encontrados na cobertura pública o número do processo, a petição inicial, decisões judiciais, despacho de citação ou laudos periciais.
“nenhuma das partes teria se manifestado oficialmente até o momento”
Na prática, a cobertura pública está, por ora, ancorada na notícia da demanda e não em peças processuais acessíveis ao leitor.
O que muda na prática quando um hit global vira alvo no Brasil
Os efeitos imediatos costumam ocorrer em três frentes:
Risco reputacional e de catálogo
Gravadoras e editoras revisam metadados, cadeias de titularidade e documentação de criação, o que gera custo operacional e pode afetar negociações de sincronização e licenciamento.
Risco financeiro e de contingências
Grupos podem constituir provisões, ajustar apólices e rever cláusulas contratuais. Mesmo sem condenação, custos jurídicos e possibilidade de acordo entram no cálculo econômico.
Precedente de jurisdição e enforcement
Autores brasileiros processando repertório internacional no Brasil podem criar incentivo para novas demandas locais, especialmente quando a exploração econômica ocorreu no país.
O episódio intensifica a pressão por processos internos formais de clearance, contrapondo-se à produção acelerada de hits digitais.
O núcleo jurídico: o que precisa ser provado
Em disputas de direitos autorais, três eixos são centrais:
- Protegibilidade: identificar quais elementos são protegidos por direito autoral e quais são lugares-comuns de gênero.
- Acesso: demonstrar que a parte ré teve acesso plausível à obra anterior — prova que costuma ser objeto de disputa.
- Similaridade substancial: provar semelhança relevante em trechos protegidos, normalmente com perícia técnica.
Sem petição e perícia, termos como “estrutura central” permanecem juridicamente elásticos e não permitem avaliação segura do mérito.
Incentivos e poder de barganha: por que gravadoras entram no alvo
Incluir empresas como rés tem objetivo prático: atingir quem tem capacidade financeira, controle de catálogo e estrutura para negociar. Isso transforma a disputa em um conflito sobre a cadeia de exploração econômica, aumentando a probabilidade de acordo ou de decisões com impacto direto sobre repasses e créditos.
O custo oculto: créditos, metadados e o efeito dominó nas plataformas
Os impactos concretos no back office incluem revisão de créditos autorais, ajustes de metadados, discussões sobre percentuais e retroativos, e renegociação de contratos com produtores e coautores. Risco de litígio pode também inviabilizar sincronizações com marcas e audiovisual.
“Plágio” no debate público vs. disputa autoral no processo: por que a diferença importa
A palavra “plágio” funciona como julgamento moral. Em juízo, o foco é delimitar trechos alegadamente reproduzidos, comprovar originalidade protegível, demonstrar semelhança técnica e quantificar dano. A cobertura responsável deve lembrar que a existência de ação não é prova de plágio.
Por que esse tipo de ação pode crescer no Brasil
- Monetização por streaming gera base rastreável para cálculo de valores e retroativos.
- Exploração global com consumo local incentiva titulares brasileiros a litigar no país.
- Para grandes players, acordos podem ser mais baratos do que longos processos, incentivando composições.
Se o Judiciário fixar padrão mínimo de prova em medidas urgentes, isso terá efeito decisivo sobre o volume futuro de ações.
O contraste com os casos fiscais na Espanha: por que misturar temas confunde a análise
Processos citados na cobertura envolvendo Shakira na Espanha tratam de questões fiscais e não de autoria musical. Entre as referências públicas há relato de acordo por suposta evasão e arquivamento de outro caso por falta de prova de intenção fraudulenta. Misturar temas tributários e autorais gera ruído reputacional, mas não afeta diretamente o mérito da disputa autoral brasileira.
O que ainda precisa aparecer para que o caso seja verificável em nível institucional
Para sair do campo do noticiário jornalístico e entrar na verificação institucional, são necessários, no mínimo:
- número do processo e consulta de andamento;
- petição inicial com pedidos (indenização, créditos, tutela de urgência, perícia);
- decisões ou despachos que definam produção probatória ou perícia;
- laudos de musicologia ou perícia técnica apresentados pelas partes.
Cenários possíveis e consequências: do acordo silencioso ao precedente judicial
Quatro desfechos típicos e seus efeitos:
- Arquivamento/indeferimento inicial — reduz incentivo a ações mal instruídas.
- Prosseguimento com perícia — eleva custos e pressão por acordo.
- Acordo com ajuste de créditos/pagamento — incentiva resolução via negociação e pode estimular demandas semelhantes.
- Decisão de mérito reconhecendo violação — cria precedente forte para práticas de clearance e compliance.
O ponto central para o leitor: o que observar daqui em diante
Principais indicadores a acompanhar:
- publicação de decisão judicial confirmando existência e conteúdo dos pedidos;
- determinação de perícia e delimitação dos trechos a serem comparados;
- sinais de tentativa de conciliação ou negociação privada;
- ajustes de créditos em plataformas, que podem indicar acordo;
- manifestações documentais das partes além de notas públicas genéricas.
Fontes e Referências
Perguntas Frequentes
Shakira foi condenada por plágio no Brasil?
Não. Há, conforme a cobertura citada, uma ação ajuizada no Rio de Janeiro que alega semelhança, mas não há, até o momento, decisão judicial ou documentos processuais públicos comprovando condenação.
O que significa “estrutura central” na petição?
O termo aparece em reportagens como descrição da tese dos autores, mas é juridicamente elástico. Apenas a petição e uma perícia técnica poderiam esclarecer quais trechos ou elementos musicais são apontados como protegidos e indevidamente reproduzidos.
Como o mercado musical reage a esse tipo de ação?
Gravadoras e editoras tendem a revisar créditos e metadados, avaliar provisões financeiras e negociar acordos para reduzir incerteza. O efeito prático costuma ser maior profissionalização do clearance e maior cautela em lançamentos globais.




