Em um episódio especial do “Boteco do Ventura”, no canal parceiro @NãoMintaPraMim, Ricardo Ventura adiantou a tradicional conversa de sexta-feira para a quinta e convidou o público a participar, em formato de bate-papo, sobre temas que repercutiram na semana. Entre os assuntos, Ventura destacou a comoção em torno da morte do cachorro Orelha, discutiu como as pessoas formam opiniões sobre justiça e punição e, em seguida, comentou casos de grande exposição nas redes envolvendo influenciadores e celebridades.
O caso Orelha e a comoção nas redes
Ventura contextualizou a morte do cachorro Orelha, descrito como um cão comunitário conhecido há anos na região da Praia Brava, em Santa Catarina. Ele relatou que o animal foi atacado por um grupo de adolescentes, sofreu maus-tratos graves e, após ser socorrido e levado a uma clínica veterinária, precisou passar por eutanásia devido à gravidade dos ferimentos.
Ao explicar por que o caso ganhou tanta repercussão, Ventura associou a comoção ao vínculo afetivo que muitas pessoas têm com animais, especialmente cães, que ele descreve como símbolos de companhia, proteção e reciprocidade. Ele também observou que episódios de maus-tratos acontecem com frequência, mas, neste caso, a notoriedade do animal na comunidade teria ampliado a indignação.
“Esquerda e direita” versus “povo e bandido”, segundo a análise do apresentador
Ao comentar manchetes que associavam o caso a uma união “entre esquerda e direita”, Ventura alertou para o risco de análises que reforçam divisões ideológicas como eixo central da discussão pública. Na avaliação apresentada no programa, ele defendeu que o debate social deveria se orientar menos por rótulos políticos e mais por uma distinção entre “povo” (pessoas funcionais, trabalhadoras e contrárias à violência e à corrupção) e “bandido” (e quem, segundo ele, defende ou relativiza a criminalidade).
Ventura também comentou que, diante da indignação, viu pessoas sugerindo que facções criminosas “resolvessem” o caso — algo que ele apontou como sinal de descrença no Estado e de risco de avanço da barbárie, ao substituir a busca por justiça institucional por soluções fora da lei.
Um exercício sobre justiça: o que muda conforme o lado de quem julga?
Na interação com o chat, Ventura propôs um exercício para discutir como as pessoas reagem a crimes e punições. Ele perguntou ao público o que desejaria que acontecesse em situações graves — como a morte de um filho em um atropelamento — e, em seguida, inverteu o cenário para refletir sobre como seria o julgamento se a pessoa estivesse do outro lado, envolvida em um acidente sem intenção.
A partir disso, Ventura defendeu a ideia de que a justiça, na prática, existe para manter a vida em sociedade e conter a escalada da vingança. Ele argumentou que, muitas vezes, as pessoas tendem a exigir punição máxima quando observam a situação de fora, mas buscam compreensão e pena menor quando a situação envolve alguém próximo.
O caso Tadala e o debate sobre limites por visibilidade e dinheiro
Na sequência, Ventura abordou a repercussão em torno de Rafinha Tadala (Fábio Marques), mencionando polêmicas recentes e a entrada do influenciador na produção de conteúdo adulto, tema que gerou grande circulação nas redes.
No episódio, Tadala participou respondendo perguntas e comentando o próprio constrangimento e a repercussão do conteúdo. Ventura, por sua vez, avaliou que justificativas públicas e tentativas de se defender de críticas podem indicar incômodo interno com a situação. Ele ampliou o tema para discutir o limite do que alguém aceita fazer por sucesso, alertando que exposições na internet tendem a permanecer acessíveis por muito tempo.
Durante a conversa, Gabriel (Conversa de Botequim) também participou, trazendo reflexões sobre monetização, ambição e fronteiras pessoais na busca por reconhecimento.
Exposição permanente e arrependimento: casos citados no programa
Ainda dentro do tema “limites”, Ventura citou exemplos de pessoas públicas que, segundo ele, lidam com consequências duradouras de escolhas ligadas à exposição. Ele mencionou o caso de Rita Cadillac, comentando um episódio em que ela não gostaria de voltar a falar sobre produções antigas, e usou isso como gancho para reforçar que decisões tomadas aos 18 ou 20 anos podem ser sentidas de outra forma décadas depois.
O programa também exibiu um trecho de vídeo de uma atriz de conteúdo adulto, utilizado como referência dentro da discussão, em que ela comenta aspectos legais e sociais do tema abordado no corte mostrado.
Cariúcha e a lógica da repercussão acima de critérios tradicionais
Ventura ainda comentou a presença de Cariúcha em uma polêmica envolvendo um médico e, na sequência, mencionou o convite para que ela assumisse um espaço como apresentadora. A partir disso, ele analisou um cenário em que a visibilidade — “estar em alta”, ser comentado — passa a ter peso decisivo na ocupação de espaços, independentemente de a repercussão ser positiva ou negativa.
Nesse ponto, Ventura comparou a dinâmica ao tipo de lógica retratada em narrativas como “Black Mirror”, citando a ideia de que popularidade e atenção pública podem funcionar como moeda social.
Golpe contra a mãe de Adriano e a reflexão sobre segurança e criminalidade
Outro tema do episódio foi o relato de Adriano sobre um golpe em que sua mãe teria feito um depósito após alguém se passar por ele. Ventura atualizou o caso conforme os vídeos exibidos, destacando que a família teria registrado ocorrência e reforçado alertas para que o público redobre cuidados com fraudes.
Ventura usou o episódio para retomar uma preocupação central do programa: a percepção de parte da população de que o Estado não responde de forma efetiva a crimes, o que pode estimular tentativas de “resolver por conta própria”, com riscos para a convivência social.
Encerramento: a provocação central do episódio
Ao final, Ventura retomou a mensagem que atravessou diferentes temas do “Boteco”: a proposta de olhar menos para polarizações e mais para escolhas práticas do cotidiano social. Para ele, o ponto central é refletir “de que lado a pessoa está” — se do lado de quem trabalha e busca viver com segurança, ou do lado de quem normaliza a criminalidade.
Ventura encerrou reforçando o convite para que o público envie temas e notícias por direct, explicando que o “Boteco” é um formato de comentários da semana com ótica psicocomportamental, diferente dos episódios analíticos do canal e também distinto do podcast.




