SHOW DA MANHÃ – CASO BOLSONARO – LUDMILA LINS GRILO EXCLUSIVO – 24/11/2025

A Prisão de Bolsonaro e a Vigília de Oração: Moraes Criminaliza a Fé para Consolidar o Autoritarismo

A detenção do ex-presidente Jair Bolsonaro, fundamentada na convocação para uma vigília de oração, expõe a perigosa escalada do Judiciário brasileiro, que agora mira na fé e na liberdade de expressão como pretextos para a perseguição política.

A recente prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro representa um ponto de inflexão sombrio na já combalida democracia brasileira. Para além do ato em si, a justificativa apresentada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revela a consolidação de um regime que não hesita em instrumentalizar a lei para silenciar adversários. A decisão, que utiliza a convocação de uma vigília de oração como prova de um suposto “modus operandi” criminoso, não é apenas um ataque a um indivíduo, mas um atentado direto às liberdades mais fundamentais de todos os cidadãos: a de crer, a de se reunir e a de se manifestar pacificamente.

Este episódio não surge no vácuo. Ele é o ápice de um processo contínuo de perseguição que já forçou figuras como o deputado federal Alexandre Ramagem ao exílio, temendo uma prisão arbitrária e sem crime cometido. O que assistimos é a materialização de um sistema que não tolera o contraditório e que, sob o manto da “defesa das instituições”, ataca as próprias bases que sustentam um Estado de Direito.

A Justificativa Inaceitável: A Criminalização da Oração

O ponto mais alarmante e bizarro da decisão de Moraes reside na sua fundamentação. O ministro utiliza uma postagem do senador Flávio Bolsonaro, que convidava apoiadores para uma vigília pacífica, como o estopim para justificar a prisão. O argumento é de que tal ato se enquadraria em uma “ação deliberada desse grupo criminoso que ataca as instituições”.

Para sustentar sua tese, Moraes retrocede a 2022, resgatando outra publicação do senador que continha críticas ao governo da época e uma citação bíblica sobre ímpios e justos. A conexão forçada entre uma manifestação de fé e um plano de insurreição é um salto lógico que beira o delírio, mas que cumpre um objetivo claro: criminalizar qualquer forma de mobilização ou discurso que desafie o poder estabelecido.

“O senador da República faz uso do mesmo modus operandi empregado pela organização criminosa que tentou golpe de estado no ano de 2022, utilizando a metodologia da milícia digital para disseminar por múltiplos canais mensagens de ataque e ódios contra as instituições”, afirma um trecho da decisão, fazendo uma conexão insustentável entre um chamado à oração e uma suposta tentativa de golpe.

Essa lógica perversa transforma a crítica política em crime e a manifestação de fé em ato antidemocrático. Se uma vigília é motivo para uma prisão preventiva, qual será o próximo passo? Proibir cultos, missas ou reuniões que o sistema julgue “perigosas”?

O Exílio Como Sintoma: O Caso Ramagem

A situação de Alexandre Ramagem, ex-diretor da ABIN e hoje deputado federal, é um sintoma claro desta escalada. Forçado a deixar o país para não ser vítima de uma prisão iminente e injusta, seu depoimento no exílio é um retrato da asfixia democrática em curso.

“Eu não ia ficar no Brasil para ser preso sem ter cometido crime algum, eu sofrer diante de uma ditadura. Eu não sei quanto tempo vai levar, mas a gente vai virar esse Brasil”, declarou Ramagem em um reencontro emocionante com a família.

Sua condição de exilado político em pleno século XXI evidencia que a perseguição não é aleatória. Ela mira estrategicamente em quem possui conhecimento sobre os bastidores do poder e capacidade de se opor ao consórcio que hoje governa o país. Ramagem, assim como outros, é alvo porque representa uma ameaça real ao sistema.

A Invasão da Privacidade e a Instrumentalização do Sistema

A arbitrariedade não se limita aos tribunais. A recente filmagem da residência de Bolsonaro por um drone da TV Globo, que flagrou uma visita do deputado Nicolas Ferreira, exemplifica como a mídia e o sistema político atuam em sinergia. A imagem, que invade a privacidade de um cidadão, foi prontamente utilizada pela deputada Erika Hilton (PSOL) para protocolar uma notícia-crime contra Nicolas, acusando-o de colaborar em uma suposta tentativa de fuga.

O episódio é emblemático: a violação de um direito fundamental (privacidade) serve de matéria-prima para a perseguição política, validada por um Judiciário que aceita qualquer pretexto para avançar sua agenda.

A Resposta da Direita: Entre a Indignação e a Paralisia

Diante deste cenário, a direita brasileira se vê em uma encruzilhada. Há um clamor por manifestações massivas, mas também um medo legítimo de retaliação, uma vez que o próprio ato de protestar foi criminalizado desde o 8 de janeiro. A crítica recai sobre uma parcela da liderança política que, em nome de um suposto “acordo institucional”, optou por uma postura tímida e conciliadora com a tirania.

Movimentos de rua foram castrados, pautas foram limitadas — chegou-se ao absurdo de manifestações onde era proibido criticar o STF ou citar o nome de Alexandre de Moraes. Essa estratégia de apaziguamento se provou desastrosa, pois não se negocia com um tigre quando se tem a cabeça em sua boca. A ausência de uma reação popular robusta, somada à omissão de governadores e outras lideranças, apenas encoraja o avanço do autoritarismo.

Principais Pontos da Análise

  • Fundamentação Absurda: A prisão de Bolsonaro foi justificada pela convocação a uma vigília de oração, configurando uma perigosa criminalização da liberdade religiosa e de manifestação.
  • Perseguição Sistemática: O caso de Alexandre Ramagem, forçado ao exílio, demonstra que há uma estratégia deliberada para neutralizar figuras-chave da oposição.
  • Sinergia Autoritária: A mídia tradicional, setores do Legislativo e o Judiciário atuam de forma coordenada para perseguir, vigiar e punir adversários políticos.
  • Liderança Vacilante: A hesitação e a estratégia de conciliação de parte da liderança da direita enfraqueceram a capacidade de reação popular e pavimentaram o caminho para abusos maiores.
  • Resistência Cultural: A luta não pode se restringir ao campo político. É urgente a produção de livros, documentários e arte que registrem e denunciem a tirania em curso, criando uma resistência cultural duradoura.

Conclusão: A Resistência é a Única Saída

A prisão de Jair Bolsonaro, sob o pretexto mais frágil e autoritário imaginável, não é o fim da história, mas um chamado à ação. O sistema deixou claro que não há mais limites para sua sanha persecutória. A indiferença ou a paralisia são convites para que a tirania se aprofunde até que não reste mais nenhum espaço para a liberdade.

A resistência deve ser travada em todas as frentes: nas ruas, com a devida cautela, mas sem covardia; no Congresso, com obstrução real e enfrentamento direto; e, crucialmente, no campo das ideias e da cultura. É preciso documentar, analisar e expor cada abuso, cada contradição, cada ato de tirania. A história não perdoará os omissos. A liberdade exige mais do que indignação passageira; exige coragem, organização e, acima de tudo, resiliência.


Qual a sua opinião sobre esta análise? Deixe seu comentário e compartilhe para fortalecer o debate.

Compartilhe:

Assine o fio diário+

Venha fazer parte dessa luta pela liberdade e pelo fim do monopólio da comunicação do consórcio que hoje domina e manipula a mente de milhões de brasileiros.

Receba dicas e recursos gratuitos diretamente na sua caixa de entrada, inscreva-se, agora!