VALE GÁS Quando a ignorância legislativa vira política de Estado

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VALE GÁS ou Gás do Povo Quando a ignorância legislativa vira política de Estado

A frase “no Brasil se pune o sucesso com impostos e se beneficia o fracasso com auxílio” não surge do nada nem é mero ressentimento retórico. Ela expressa uma percepção recorrente da sociedade diante de um modelo político-legislativo que, há décadas, demonstra profunda incapacidade de compreender princípios básicos de economia, incentivos, produtividade e geração de riqueza. Mais grave ainda: essa ignorância não é inocente. Ela se converte em leis, tributos, subsídios e distorções que moldam o comportamento econômico de milhões de brasileiros.

O Congresso Nacional brasileiro é majoritariamente composto por parlamentares sem formação técnica compatível com a complexidade das decisões que tomam. Isso, por si só, não seria um problema se houvesse assessorias qualificadas, escuta ativa de especialistas e respeito por evidências empíricas. O que se observa, no entanto, é o oposto: decisões baseadas em slogans ideológicos, populismo fiscal e uma visão infantilizada da economia, como se o Estado fosse um ente mágico capaz de distribuir riqueza sem se preocupar com quem a produz.

A lógica predominante é simples e perigosa: quem produz, investe e cresce deve ser visto como suspeito; quem fracassa ou depende do Estado deve ser tratado como vítima permanente. Assim, o sucesso econômico passa a ser moralmente condenado, enquanto a dependência estatal é romantizada como justiça social. O resultado é um sistema tributário punitivo, regressivo e confuso, que desestimula o empreendedorismo, a inovação e a formalização.

Não se trata de negar a importância de políticas de proteção social. Qualquer sociedade minimamente civilizada precisa de redes de amparo para os mais vulneráveis. O problema surge quando o Legislativo brasileiro confunde assistência social com incentivo à improdutividade, criando programas sem portas de saída, sem exigências de qualificação e sem mecanismos reais de ascensão econômica. Isso revela não empatia, mas ignorância estrutural sobre como as pessoas efetivamente melhoram de vida.

Enquanto isso, o empreendedor — especialmente o pequeno e médio — é esmagado por uma carga tributária caótica, por burocracias irracionais e por um Estado que o trata como inimigo potencial. Parlamentares frequentemente aprovam aumentos de impostos sem compreender conceitos elementares como curva de Laffer, elasticidade tributária ou efeitos de segunda ordem. Agem como se arrecadação fosse apenas uma questão de vontade política, ignorando que tributar demais reduz a base produtiva e empurra atividades para a informalidade.

A desinformação legislativa também se manifesta na demonização do lucro. Em discursos rasos, o lucro é tratado como exploração, quando na verdade é o principal sinal econômico de eficiência, risco assumido e valor gerado. Ao penalizá-lo excessivamente, o Estado sinaliza que não vale a pena investir, crescer ou inovar no país. Não por acaso, o Brasil exporta cérebros, capitais e empresas, enquanto importa discursos vazios sobre justiça social.

Outro sintoma da ignorância é a crença de que o Estado cria riqueza. Parlamentares falam como se o dinheiro público surgisse espontaneamente, esquecendo — ou fingindo esquecer — que todo recurso estatal vem da sociedade produtiva. Ao ampliar gastos sem responsabilidade e criar auxílios sem lastro econômico, o Legislativo contribui para inflação, endividamento e perda de poder de compra, afetando justamente os mais pobres que diz proteger.

Essa desconexão entre discurso e realidade revela um Parlamento mais preocupado com aplausos imediatos do que com resultados de longo prazo. Políticas econômicas viram instrumentos eleitorais, não estratégias de desenvolvimento. A ignorância, nesse contexto, deixa de ser falha individual e passa a ser método político.

Enquanto países que prosperam investem em educação técnica, ambiente de negócios estável e incentivo à produtividade, o Brasil insiste em premiar o curto prazo, o clientelismo e a mediocridade institucional. O sucesso é tratado como privilégio indevido; o fracasso, como direito adquirido. Essa inversão moral e econômica não é obra do acaso — é fruto direto de representantes legislativos despreparados para a função que exercem.

Criticar essa realidade não é falta de solidariedade, mas exigência de maturidade. Um país não se desenvolve punindo quem dá certo e eternizando quem não consegue avançar. Desenvolve-se criando condições para que mais pessoas tenham sucesso — e isso exige conhecimento, responsabilidade e, sobretudo, legisladores menos ignorantes e mais comprometidos com a realidade.

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Marco Antonio Costa

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