Recuperação judicial bate recorde em 2025 e encarece crédito às empresas

Recuperação judicial
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Recuperação judicial vira rotina e bate recorde em 2025: o que muda com juros altos, inadimplência e pressão fiscal na gestão Lula-Haddad

Destaques

  • Em 2025 houve recorde de pedidos de recuperação judicial, com 4.965 empresas no primeiro semestre (alta de 17,6% ante 2024) e março com 187 pedidos.
  • Cerca de 80% dos casos concentram-se em micro e pequenas empresas; setores mais afetados: serviços, comércio, construção e, recentemente, agronegócio.
  • Juros elevados (Selic em torno de 15% ao ano), inadimplência crescente e custo do capital de giro são os principais motores apontados.
  • A normalização da recuperação judicial altera preço e disponibilidade do crédito, aumenta seletividade e tende a empurrar risco para os pequenos.
  • O debate fiscal — expectativas sobre tributação e gasto — funciona como canal institucional que pode sustentar juros mais altos, sem que as fontes atribuam causalidade direta exclusiva.

Tempo de leitura estimado: 6 minutos

 

Recuperação judicial em 2025: recordes, perfil das empresas e a mudança de patamar

O fenômeno de 2025 é, segundo levantamentos citados, um ponto de ruptura ou de consolidação de tendência: mais pedidos, maior capilaridade setorial e um componente de “rotina” que afeta o preço do crédito e a confiança entre empresas. Nos primeiros meses do ano foram registrados mais de 4.900 pedidos, com o primeiro semestre chegando a 4.965 empresas — alta de 17,6% sobre 2024. Março destacou-se como recorde mensal, com 187 solicitações.

Perfil e números relevantes

  • Predominância de micro e pequenas empresas (aprox. 80% dos casos).
  • Setores intensivos em giro: serviços, comércio e construção; em 2025 o agronegócio também sobe com 628 pedidos no acumulado do terceiro trimestre, segundo a Serasa Experian.
  • Referências de inadimplência e mortalidade: menção a 7,2 milhões de empresas inadimplentes e que cerca de quase 30% das empresas que concluem o processo acabam falindo.

“Quando a recuperação judicial se normaliza, ela deixa de ser ‘exceção’ para se tornar um instrumento recorrente de renegociação forçada.”

Esse deslocamento transforma comportamento de credores, encarece crédito novo e aumenta seletividade, empurrando ainda mais risco para os menores.

O que muda na prática quando a recuperação judicial vira “rotina”

A normalização do instrumento gera incentivos e consequências mensuráveis:

  • Crédito mais seletivo e mais caro: spreads maiores e exigência de garantias.
  • Pior ambiente de prazo entre empresas: fornecedores encurtam prazos ou exigem pagamento antecipado.
  • Efeito em cascata na cadeia: inadimplência de um nó prejudica fornecedores, estoque e emprego.
  • Judicialização do ajuste: maior dependência do Judiciário, com custos de transação e incerteza temporal.
  • Risco moral: frequência de RJ pode incentivar operação com expectativa de renegociação forçada.

Na prática, o recorde de 2025 não é só um termômetro — pode funcionar como mecanismo de retroalimentação do problema se as condições de financiamento forem reprecificadas de forma generalizada.

Por que os juros aparecem como fator central: Selic alta e o custo do capital de giro

As fontes destacam a elevada taxa básica, com a Selic mencionada em torno de 15% ao ano, como explicação dominante. O vínculo com a recuperação judicial ocorre por descasamento de caixa: empresas que rolavam dívida ou financiavam estoques passam a enfrentar custos muito maiores para renovar linhas e para antecipação de recebíveis.

Impactos práticos sobre empresas

  • Renovação de linhas mais cara;
  • Limites de crédito reduzidos e bancos mais conservadores;
  • Vulnerabilidade superior das MPEs — grandes conseguem instrumentos de mercado, pequenas dependem de crédito comercial.

O componente institucional: juros não caem só no discurso — caem na credibilidade

A relação entre política fiscal e juros costuma operar por expectativas: dificuldade de ajuste ou percepções de gasto persistente elevam o prêmio de risco, o que sustenta juros mais altos e encarece o crédito privado. Isso não equivale a afirmar, sem evidência adicional, que aumentos de impostos ou gasto em si causaram o recorde, mas aponta um canal institucional que vale considerar.

Inadimplência recorde e fechamento de empresas: o ambiente que empurra para a RJ

Além dos juros, há referência a inadimplência elevada — 7,2 milhões de empresas inadimplentes — e ao fechamento de quase 100 mil empresas no quadrimestre de 2025. Quando o estoque de inadimplentes cresce, a tolerância do sistema ao risco diminui e a recuperação judicial pode virar uma ponte cara para uma falência adiada.

Eficácia da recuperação

O dado mais incômodo: recuperação judicial não é sinônimo de recuperação econômica. A menção de que cerca de quase 30% das empresas que concluem o processo vão à falência revela limitações na capacidade do instrumento de preservar atividade e emprego em cenários de inadimplência massiva.

Setores mais atingidos: serviços, comércio, indústria e um agronegócio mais judicializado

No segundo trimestre de 2025 os números apontam para concentração por setor: indústria (1.121 pedidos), serviços (1.117) e comércio (1.003). Esses setores combinam sensibilidade ao consumo, dependência de capital de giro e exposição a custos de energia e logística.

O salto do agronegócio

A Serasa Experian registra 628 pedidos acumulados no terceiro trimestre de 2025 contra 254 em 2024, incluindo produtores pessoa física e jurídica, com concentração em culturas como soja e bovinos e em estados como Mato Grosso, Goiás e Paraná. O resultado aponta para reprecificação do risco rural e impacto sobre crédito rural, contratos de barter e relacionamento com tradings e cooperativas.

Política de impostos e gasto: o que dá para afirmar com segurança a partir das fontes

As matérias consultadas não sustentam, isoladamente, uma afirmação de causalidade direta entre aumento de impostos/excesso de gastos e o recorde de recuperações. Há duas leituras possíveis: uma afirmação forte, não suportada diretamente, e uma leitura institucional prudente em que dificuldade de coordenação fiscal e expectativas afetam o prêmio de risco e, por via indireta, o custo do crédito.

Em suma: a evidência empírica disponível aponta os juros altos, inflação persistente e inadimplência como motores imediatos; a política fiscal funciona como pano de fundo institucional relevante, mas não como prova única e direta do recorde.

Fator externo: sanções e tarifas dos EUA como risco adicional

Menções a riscos externos — como sanções e tarifas dos EUA — indicam que choques sobre demanda externa podem afetar termos de troca e cadeias exportadoras, mas as fontes sugerem que o coração do recorde permanece doméstico: juros, crédito e inadimplência. Choques externos são, no entanto, um elemento que pode atrasar a recuperação ao aumentar incerteza.

O custo invisível do recorde: produtividade, investimento e a “economia defensiva”

  • Investimento recua à medida que empresários priorizam sobrevivência;
  • Produtividade sofre quando gestão concentra-se em contencioso e renegociação;
  • Emprego torna-se mais precário;
  • Concorrência pode ficar distorcida por empresas em RJ que mantêm preços por prazos.

O ambiente favorece menos risco, menos inovação e menor horizonte de planejamento — risco de crescimento mais fraco e maior judicialização.

O que observar daqui para frente: indicadores e decisões que podem alterar o quadro

  1. Trajetória de juros reais e spreads de crédito;
  2. Evolução da inadimplência empresarial, especialmente entre MPEs;
  3. Capacidade do Judiciário: tempo de processamento e efetividade dos planos aprovados;
  4. Desfecho do PL 3/2024 e eventuais mudanças na Lei 11.101/2005;
  5. Sinalização fiscal consistente entre arrecadação, gasto e metas.

No curto prazo, o problema parece decorrente de combinação entre custo do dinheiro elevado, demanda fraca em segmentos sensíveis e inadimplência — uma única medida dificilmente resolverá o quadro sem coordenação entre política monetária, fiscal e reformas institucionais.

Fontes e Referências

Conclusão

O recorde de recuperação judicial em 2025 tende a permanecer no centro do debate porque não é apenas sintoma: ele altera o funcionamento do crédito, o apetite ao risco e o comportamento de cadeias produtivas inteiras. Se a combinação de juros elevados, inadimplência e incerteza fiscal persistir, a rotina da RJ pode consolidar um patamar de crescimento menor, com mais judicialização e menos investimento. Para acompanhar os desdobramentos, com análise institucional rigorosa, comente e compartilhe este artigo e assine a newsletter do Portal Fio Diário.

Perguntas Frequentes

O que explica, imediatamente, o aumento de pedidos de recuperação judicial?

As fontes enfatizam juros altos, inflação persistente e inadimplência como causas imediatas, que pressionam o custo do capital de giro e reduzem liquidez das empresas, sobretudo das pequenas.

A política fiscal do governo Lula-Haddad é a causa direta do recorde?

As matérias consultadas não sustentam uma causalidade direta e exclusiva. A percepção sobre fiscalidade pode elevar prêmio de risco e, por via institucional, sustentar juros mais altos — mas essa é uma mediação, não uma prova isolada.

O que deve ser observado para saber se 2025 é pico ou novo patamar?

Trajetória dos juros reais, spreads de crédito, evolução da inadimplência entre MPEs, capacidade do Judiciário em processar casos e decisões legislativas sobre a lei de insolvência são os principais sinais a acompanhar.

 

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Marco Antonio Costa

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