Racha entre Tarcísio e Kassab eleva custo da governabilidade em SP

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custo da governabilidade em SP

Destaques

  • Tarcísio de Freitas e Gilberto Kassab saíram do modo “aliança disciplinada” para uma fase de disputa por controle de agenda, sem ruptura formal pública.
  • O desgaste tem duas camadas: gestão do tempo político (governo vs. eleição) e disputa sobre posicionamento nacional (bolsonarismo vs. centro-direita agregador).
  • Risco prático: aumento do custo de coordenação na Alesp, perda de previsibilidade para investidores e impacto em concessões/privatizações como a Sabesp.
  • Três cenários plausíveis vão de reacomodação pragmática a separação negociada — o mais provável no curto prazo é acomodação para preservar governabilidade.

Tempo de leitura estimado: 6 minutos

Resumo e problema central

A pergunta “Tarcísio de Freitas e Gilberto Kassab: a lua de mel política acabou! e agora como fica?” resume a mudança de dinâmica entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o presidente do PSD, Gilberto Kassab, que também ocupa a Secretaria de Governo e Relações Institucionais. O núcleo não é apenas troca de declarações — é o impacto prático na coordenação da base na Alesp, na previsibilidade para investidores em processos de concessão/privatização e na margem de manobra do governador ao longo de 2026.

Onde está o atrito real

O atrito reportado se organiza em três eixos principais, com efeitos institucionais concretos para a governabilidade do estado.

1) Exposição e protagonismo nas articulações de 2026

Aliados de Tarcísio relataram incômodo porque Kassab teria “aparecer demais” em negociações e conversas eleitorais, contrariando o objetivo do governador de manter distância pública do calendário de 2026 por enquanto. A crítica foca em quem conduz o processo e quem arca com o custo de parecer já em campanha.

“aparecer demais”

2) Bolsonaro como “âncora” ou como “teto”

Kassab chegou a afirmar que Tarcísio teria “exagerado um pouco” ao se apresentar como bolsonarista e sugeriu que o governador construísse uma identidade de centro-direita mais ampla. A leitura institucional é direta: como operador de coalizões, Kassab tende a preferir um candidato agregador, com menos dependência de um único padrinho.

“exagerou um pouco”

3) Disputa de “propriedade” da influência dentro do governo

Há relatos de incômodo do governador com a forma como o secretário se apresenta como detentor de influência decisiva no Palácio. O articulador procura crédito para impor disciplina; o chefe do Executivo quer evitar a imagem de tutela. Quando o articulador vira personagem central, a cadeia de comando perde nitidez e secretários ou bancadas podem operar por centros paralelos, reduzindo previsibilidade.

Como começou: por que a aliança parecia “sólida” até 2025

A relação entre Tarcísio e o PSD foi construída publicamente como estratégica. O partido ajudou a estruturar a base política e a imagem de governabilidade; Kassab foi retratado como conselheiro influente. Um marco simbólico foi a produção de comerciais do PSD associando a marca do partido à gestão do governador.

Kassab também teve papel em escolhas como a indicação do vice-governador Felício Ramuth (PSD) e fez elogios públicos ao governador em diferentes momentos, reforçando a ideia de um projeto compartilhado.

O que muda na prática: governabilidade, Alesp e a agenda econômica de SP

O impacto prático do desgaste precisa ser avaliado em termos de gestão de base e execução da agenda. Três áreas concentram risco institucional imediato.

1) Base aliada na Alesp: custo de coordenação sobe

  • Aumento do preço de votos: partidos e bancadas passam a cobrar mais emendas, cargos e influência nas nomeações.
  • Risco de pautas-bomba: a base deixa de ser automática e torna-se transacional tema a tema.
  • Mais ruído na comunicação: a oposição explora divergências internas para travar projetos.

Se a coordenação entrar em modo competição interna, o governo pode gastar mais energia para aprovar matérias e reduzir a velocidade de reformas e concessões, afetando a reputação de gestão.

2) Privatizações e concessões: aprovar pior é o risco real

A agenda econômica depende de segurança jurídica, maioria legislativa e narrativa pública de previsibilidade. Ruído no topo tende a provocar inserção de exceções em textos legislativos, condicionantes que encarecem projetos, atrasos que mudam janelas de mercado e aumento do custo de capital por incerteza política. Projetos de grande porte, como a privatização da Sabesp, exigem coalizão coesa por meses — e ruído contamina a cadeia.

3) Máquina pública e nomeações: controle do “varejo”

Secretarias de articulação operam o diálogo com prefeitos, deputados e partidos, além de influenciar nomeações. Se o governador entender que o secretário capitaliza influência em benefício próprio, ele pode centralizar decisões, criar canais paralelos, substituir quadros e conter crédito público ao articulador. Desmontar uma engrenagem política custa eficiência no curto prazo.

2026 como variável que distorce tudo

O pano de fundo do conflito é que Tarcísio e Kassab têm incentivos diferentes no tempo: o governador busca preservar entregas e decidir o momento certo para se posicionar; o líder partidário busca mapear cenários cedo para otimizar o valor do PSD.

Incentivos de Tarcísio

Tarcísio precisa manter entregas, preservando a governabilidade e evitando que o governo vire campanha permanente, o que reduziria foco em gestão e abriria flancos em áreas como finanças e investimentos.

Incentivos de Kassab

Kassab busca maximizar bancada, prefeituras e poder de barganha do PSD, posicionando o partido bem em cenários múltiplos. Como operador, prefere um candidato de centro-direita agregador, com menos dependência de um polo específico.

O ponto Bolsonaro: ativo eleitoral, passivo de coalizão

Ser associado a Jair Bolsonaro oferece mobilização e fidelidade de um segmento, mas também impõe barreiras para atrair setores de centro e parte do empresariado. Tarcísio invoca gratidão e lealdade como ativo de confiança; Kassab aponta custo de teto para formar coalizões mais amplas. Em suma, trata-se de equilibrar identidade e amplitude.

A vice e o PSD no governo: por que Felício Ramuth vira peça sensível

A vice-governadoria funciona como seguro político e ponte com prefeitos e partidos. Manter Felício Ramuth no cargo preserva espaço do PSD; trocar o vice por pressão de outro polo reduz a influência do partido e encarece a permanência de Kassab no arranjo. É um exemplo concreto de como tensão política vira decisão prática.

Três cenários plausíveis

Com base nos sinais públicos e na lógica de coalizões, destacam-se três caminhos possíveis.

Cenário 1 — Reacomodação pragmática (mais provável)

Tolerância mútua: Tarcísio preserva Kassab no governo, mas reduz exposição do secretário e recentraliza comunicação; Kassab modera críticas públicas e mantém o PSD como pilar de governabilidade. Resultado: estabilidade relativa e manutenção da maioria.

Cenário 2 — Convivência tensionada

Relação sem ruptura, porém marcada por microcrises públicas e recados. A base cobra mais, projetos avançam com concessões e atrasos, e o custo político de governar aumenta.

Cenário 3 — Separação negociada

Se o conflito nacional antecipar decisões ou se o governador optar por recompor o núcleo, pode ocorrer saída do articulador e reorganização da coalizão. Isso produz risco de paralisia temporária e custo de transição na entrega da agenda.

O que observar daqui para frente (sinais verificáveis)

Sinais concretos — mais do que declarações — indicarão se o atrito vira custo institucional:

  • Mudanças na Secretaria de Governo e Relações Institucionais: troca de adjuntos, redivisão de atribuições ou criação de canais paralelos.
  • Comportamento do PSD na Alesp: disciplina em votações-chave, especialmente em temas econômicos e administrativos.
  • Desenho de chapa e compromissos públicos: sinais sobre vice, alianças municipais e composição para 2026.
  • Agenda de concessões/privatizações: alterações de cronograma, modelagem legislativa, judicialização ou atrasos recorrentes.

Conclusão

O atrito entre Tarcísio de Freitas e Gilberto Kassab indica o fim da fase de alinhamento automático, mas não implica ruptura imediata. No curto prazo, a tendência é acomodação pragmática, porque ambos perdem mais com a separação do que com a manutenção da coalizão. O teste será a evidência em votações, nomeações e cronogramas de projetos estruturantes: se esses movimentos mudarem, o desgaste terá se transformado em custo institucional.

Fontes e Referências

Portal Fio Diário seguirá acompanhando os movimentos verificáveis — especialmente na Alesp e na agenda econômica do governo. O leitor pode comentar, compartilhar esta análise e assinar a newsletter do Portal Fio Diário para receber atualizações e bastidores com foco institucional.

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Marco Antonio Costa

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