MINUTO DO MUSA – 05/02/2026 – OURO E PRATA: BOLA DA VEZ? O QUE NINGUÉM ESTÁ FALANDO | BRUNO MUSA
Bruno Musa explica queda do ouro e da prata e alerta para “efeito manada”
Em seu canal, o economista Bruno Musa analisou a forte volatilidade recente de ouro e prata, após uma sexta-feira marcada por uma queda histórica: a prata recuou mais de 25% (chegando a cair acima de 30% no intradiário) e o ouro caiu mais de 10%. Para ele, o episódio expôs a mecânica do mercado e como o investidor de varejo pode ser levado a decisões emocionais que favorecem os grandes participantes.
Ao longo do comentário, Musa defendeu que entender o “funcionamento do sistema” é mais importante do que reagir ao preço do dia. Na leitura dele, movimentos bruscos costumam desalavancar o varejo e abrir espaço para compras de instituições com mais capital, especialmente em um mercado que, no caso da prata, enfrenta sinais de escassez física.
Um recado central: volatilidade deve continuar
Bruno Musa afirmou que a volatilidade tende a ser a realidade nos próximos meses, principalmente em ouro e prata. Ele associou o movimento recente a uma combinação de fatores: fluxo especulativo, mudanças de expectativa sobre política monetária nos EUA e, sobretudo, desequilíbrios entre o mercado “de tela” (derivativos, ETFs e futuros) e a disponibilidade do metal físico.
Na visão do economista, o investidor de varejo costuma entrar “na alta” e sair “na baixa”, repetindo um padrão que ele diz já ter visto em diferentes ciclos — de ações a Bitcoin. O resultado, segundo Musa, é a dilapidação de patrimônio por decisões tomadas sob medo e comportamento de manada.
Londres no centro do mercado físico de metais
Para explicar a mecânica, Musa lembrou que Londres é, há mais de um século, o coração do mercado de metais preciosos. Segundo ele, bancos definem referências globais de preço negociando barras físicas guardadas em cofres espalhados pela cidade, com liquidação física diária — inclusive com logística de transporte.
Esse pano de fundo é importante, na avaliação do economista, porque o mercado depende de grandes estoques para manter liquidez. E, no caso da prata, esses estoques estariam diminuindo há anos.
Por que a prata ficou mais sensível: demanda industrial e estoques menores
Musa atribuiu parte do aperto no mercado de prata a uma demanda industrial crescente — com exemplos como painéis solares, semicondutores e chips de alta capacidade — enquanto a produção das minas não acompanharia esse ritmo. Ele também citou um aumento repentino de demanda na Índia e na China, somado à escassez de barras físicas disponíveis em Londres.
No contexto apresentado, o economista destacou números que, para ele, reforçam a tese de aperto: estoques de prata física em Londres teriam caído cerca de um terço desde meados de 2021; e o volume “realmente disponível” para negociação, mantido em grande parte por bancos, teria despencado 75% desde 2019, para perto de 200 milhões de onças.
“Follow the money”: o paralelo com o fluxo em ações
Para ilustrar a ideia de seguir o fluxo, Musa fez um paralelo com o mercado de ações. Ele citou gráficos de fluxo na bolsa brasileira em 2026, destacando estrangeiros comprando enquanto outros grupos venderiam — um exemplo, segundo ele, de como “seguir o dinheiro” pode ser mais eficiente do que seguir o emocional.
A mensagem, aplicada aos metais, é que quedas fortes tendem a ocorrer justamente quando o varejo está mais exposto e menos preparado para oscilações abruptas.
Alavancagem, opções e liquidações: como a queda pode acelerar
Outro ponto levantado por Musa foi o papel de derivativos. Ele explicou que, em movimentos de alta, muitos participantes vendem ou operam opções (como calls) e podem ficar expostos a chamadas de margem. Se não conseguem cobrir a margem, posições são liquidadas, o que pode gerar uma onda de vendas e acelerar a queda.
Na avaliação dele, esse tipo de dinâmica pode ocorrer de forma “natural” em mercados alavancados, mas também pode ser explorada por grandes participantes para provocar movimentos que gerem pânico e liquidez.
Dólar, dívida e o “barômetro” do sistema fiduciário
Bruno Musa conectou a alta anterior de ouro e prata ao temor com o endividamento crescente no Ocidente, especialmente nos Estados Unidos. Para ele, déficits elevados exigem mais emissão de dívida e, na prática, mais oferta de moeda — o que pressiona a desvalorização cambial.
Nesse ponto, Musa comentou o que chamou de paradoxo da política econômica de Donald Trump: defender um dólar mais fraco para reequilibrar contas externas e incentivar reindustrialização, mas ao mesmo tempo buscar manter a moeda como hegemonia global. Ele também citou o DXY (índice do dólar contra uma cesta de moedas) como referência para observar a perda de valor da moeda americana.
Na leitura do economista, ouro e prata funcionam como “barômetro” do sistema fiduciário: quando sobem muito, aumentaria a desconfiança nas moedas emitidas por bancos centrais. Por isso, ele sugeriu que movimentos de correção também ajudam a reduzir, no curto prazo, a percepção de fragilidade do sistema.
ETFs, “papel” versus metal: o descasamento que pode aparecer na crise
Um dos pontos centrais do vídeo foi o descasamento entre instrumentos financeiros e o metal físico. Musa argumentou que ETFs e contratos podem crescer em volume mais rápido do que a capacidade de reposição do estoque físico, criando vulnerabilidade: há mais “exposição” ao preço do que metal disponível para entrega.
Ele também mencionou que, em momentos de estresse, o prêmio do físico pode aparecer. Como exemplo, citou uma diferença de US$ 5 a US$ 8 entre o preço negociado em mercados de referência e o preço do metal físico em Xangai, o que, para ele, sinaliza escassez.
O gatilho da sexta-feira: Fed, Kevin Warsh e reação dos juros
Musa apontou como gatilho do movimento a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve, em substituição a Jerome Powell. Segundo ele, o mercado interpretou a mudança como relevante para a trajetória de inflação e juros, com impacto imediato nas taxas dos títulos públicos americanos de 10 anos, que teriam caído no dia da indicação e depois voltado a subir, em um ambiente de volatilidade.
Na leitura do economista, esse tipo de evento pode servir como catalisador para movimentos mais amplos — e, naquele dia, grandes participantes teriam aproveitado a queda para recompor posições, especialmente em um mercado com restrição de oferta física.
Bancos, custódia e recomposição de estoques
Ao falar de custódia, Musa citou o JP Morgan como um dos maiores detentores de prata física. Ele também mencionou práticas de mercado como “spoofing” e defendeu que, em alguns casos, grandes instituições podem forçar movimentos de venda para gerar pânico e liquidez, permitindo compras a preços mais atrativos.
Para ele, a queda forte teria desalavancado o varejo, enquanto o “dinheiro inteligente” aumentaria posição — uma dinâmica que, segundo Musa, se repete em diferentes classes de ativos.
Risco de entrega e o papel da Comex
O economista também chamou atenção para a Comex (bolsa de commodities nos EUA) e a necessidade de entrega física em determinados contratos. Na hipótese apresentada, se o metal físico continuar sendo drenado do Ocidente para o Oriente, pode haver dificuldade de entrega em momentos de estresse, o que exigiria um reajuste de preços para reequilibrar o sistema.
Musa citou ainda que a London Bullion Market Association (LBMA) teria reconhecido estar ciente da escassez no mercado de prata e que monitora a situação.
Principais pontos abordados:
- A queda forte de ouro e prata expôs, na visão de Bruno Musa, a dinâmica entre varejo emocional e grandes players
- Londres segue como centro do mercado físico, mas estoques de prata estariam em queda há anos
- Demanda industrial (solar e semicondutores) e compras de Índia e China aumentariam a pressão sobre a prata física
- Derivativos, chamadas de margem e desalavancagem podem acelerar movimentos de queda
- O descasamento entre ETFs/contratos e metal físico pode gerar estresse e prêmio no mercado físico
- A indicação de Kevin Warsh ao Fed foi citada como gatilho para a volatilidade, em meio a mudanças de expectativa sobre juros
Conclusão
Ao encerrar, Bruno Musa reforçou que o episódio não deveria ser lido apenas como um “dia de preço”, mas como uma aula prática sobre fluxo, alavancagem e estrutura de mercado. Para ele, preservação de capital é um jogo de longo prazo e exige preparo emocional para atravessar quedas intensas sem agir por manada — especialmente em ativos que podem seguir voláteis.
Para mais análises sobre economia e mercado financeiro, acompanhe o canal de Bruno Musa e as atualizações do Fio Diário.




