Professor Christian Lohbauer – 09/02/2026 – LUTAR PELO BRASIL
Em episódio publicado no YouTube, o professor Christian Lohbauer refletiu sobre um tema recorrente nas conversas entre brasileiros: a sensação de desilusão com o país e o desejo de emigrar. Ao longo da análise, ele organiza argumentos sobre as dificuldades atuais do Brasil, mas também sobre aspectos culturais e sociais que, segundo ele, tornam o país um lugar singular — e por isso merecedor de engajamento e esforço de melhora coletiva.
A desilusão e a ideia de “pegar o avião de ida”
Lohbauer abre o episódio descrevendo comentários que diz ouvir com frequência, de pessoas que veem o Brasil como um país “programado para dar errado” e que consideram buscar uma vida fora. Sem “fazer o mundo da Pollyanna”, como ele menciona, o professor propõe um olhar com mais critério: reconhecer problemas reais, mas também refletir sobre o que cada indivíduo pode fazer para melhorar a vida coletiva.
Na leitura apresentada no vídeo, o Brasil atravessa um período que não desperta entusiasmo, e sim indignação. Ele cita temas como corrupção, dificuldades de governo e críticas ao funcionamento das instituições, como parte do cenário que alimenta o pessimismo.
Morar fora: experiência, expectativas e limites
Na sequência, Lohbauer discute o imaginário de que viver no exterior seria automaticamente melhor. Ele menciona destinos frequentemente idealizados — como Portugal, Estados Unidos, Japão e países europeus — e sugere que, antes de decidir, as pessoas considerem com objetividade o que fariam nesses lugares, quais empregos teriam e como seria o cotidiano.
O professor ressalta que, mesmo em sociedades ricas e organizadas, existem problemas profundos, além de desafios práticos de adaptação. Nesse ponto, ele enfatiza uma ideia central: o brasileiro, mesmo com fluência no idioma e conhecimento cultural, tende a ser visto como estrangeiro.
Como referência, Lohbauer relata que viveu três anos na Alemanha, onde observou funcionamento eficiente de serviços e qualidade de bibliotecas, universidades e vida cultural. Ainda assim, explica que não quis permanecer no país e prefere viver no Brasil.
O que o Brasil tem de “difícil de comparar”
Parte importante do episódio é dedicada a listar elementos que, na visão do professor, são subestimados por quem deseja sair. Lohbauer argumenta que muitos brasileiros não tiveram oportunidade de comparar o país com outras realidades e, por isso, idealizam destinos externos.
Ele destaca a força cultural brasileira — idioma, comida, esportes, música e dança — e chama atenção para uma característica social que considera rara: a convivência diária entre pessoas de diferentes condições no mesmo espaço, citando exemplos simples do cotidiano, como a padaria e a interação espontânea entre desconhecidos.
Segundo ele, há uma “brasilidade” que ainda precisaria ser melhor compreendida e descrita, por ser um traço cultural específico e não facilmente replicável em outros lugares.
Problemas internos e a ideia de que o país ainda “está vivo”
Mesmo reconhecendo dificuldades políticas e sociais, Lohbauer sustenta que o Brasil ainda tem “vida”, no sentido de potência social, cultural e capacidade de transformação. Ele afirma que há muito a corrigir e muito pelo que lutar, e que esse esforço pode ocorrer mesmo em meio a conflitos e insatisfações com lideranças e instituições.
O professor também aponta fatores geográficos e ambientais como vantagens: a dimensão continental, a presença do oceano, a floresta, além de recursos naturais e biodiversidade. Para ele, o país oferece beleza, água, sol, praia e natureza sem que seja necessário “rodar o mundo” para encontrar lugares atraentes.
“Círculos concêntricos”: do cotidiano à política institucional
Na parte final, Lohbauer propõe uma espécie de roteiro de ação prática, baseado no que chama de “círculos concêntricos”. A ideia é começar pelo que está mais próximo:
- colocar a casa em ordem;
- cuidar da família e da educação dos filhos;
- organizar o condomínio e a rua;
- melhorar o bairro;
- avançar para formas de participação social e política.
Nesse caminho, ele inclui a possibilidade de atuação por meio de representação e engajamento nas instituições democráticas, citando o Congresso Nacional como um espaço a ser influenciado por trabalho, organização e participação.
Reflexão final: emigrar não elimina dilemas
Encerrando o episódio, Lohbauer retoma a tese de que a civilização brasileira é jovem, que sua consolidação leva tempo e que a saída do país nem sempre corresponde às expectativas. Ele afirma que muitas pessoas que moram fora gostariam de voltar em um cenário doméstico menos deteriorado e sugere que parte de quem deseja emigrar não conhece, de fato, as dificuldades de se estabelecer no exterior.
A mensagem final do professor é de reflexão: repensar a idealização de outros países e, ao mesmo tempo, reconhecer motivos concretos para valorizar o Brasil e trabalhar por mudanças começando do nível individual até a esfera pública.
Este conteúdo integra o Portal Fio Diário e está relacionado ao trabalho desenvolvido no canal parceiro Professor Christian Lohbauer.




