Malandragem ou trapaça? O que diz a regra sobre o lance de Andreas Pereira no Dérbi

Andreas Pereira
fonte: Motivo Nulo
  • O lance: Andreas Pereira mexe na marca do pênalti durante a paralisação e o vídeo viraliza.
  • O debate: “malandragem” aceitável x conduta antidesportiva que a regra prevê punição.
  • O que diz a arbitragem: em geral, alterar/mexer na marcação do campo pode render cartão amarelo.
  • VAR e punição posterior: entenda por que o vídeo nem sempre resolve e o que pode ir ao TJD-SP.

Tempo de leitura estimado: 4–6 minutos

Nesta matéria

O que aconteceu no lance (e por que viralizou)

A polêmica Andreas Pereira Corinthians x Palmeiras ganhou força nas redes por um detalhe que passou batido na hora, mas apareceu com clareza nas imagens. Durante a preparação de um pênalti para o Corinthians no Dérbi, com jogadores discutindo a marcação e a partida paralisada, Andreas Pereira se aproximou da marca e, com os cravos, desgastou o local onde a bola seria posicionada.

Na sequência, o cobrador corintiano Memphis Depay foi para a batida, escorregou no momento do chute e desperdiçou a cobrança. O recorte do lance virou motivo de debate: foi um “truque” do jogo ou uma infração que deveria ter sido punida na hora?

O que diz a regra: mexer na marca do pênalti é infração?

Em termos de regra e interpretação, o ponto central é simples: jogador não pode alterar a marcação do campo para obter vantagem. No entendimento de analistas de arbitragem, ações como riscar, cavar, apagar ou deformar a marca do pênalti tendem a ser enquadradas como conduta antidesportiva.

Isso significa que, na prática, não é “apenas provocação” ou “catimba verbal”: é uma atitude que interfere no ambiente físico da cobrança. Por isso, costuma haver recomendação de cartão amarelo quando a arbitragem identifica o ato.

Cartão amarelo e reposição da marca: o que a arbitragem costuma fazer

Quando o árbitro ou assistentes percebem que a marca foi manipulada, o procedimento mais comum é:

  • advertir o jogador por comportamento antidesportivo (cartão amarelo);
  • recompor a marca (com cal) e/ou orientar o posicionamento correto da bola;
  • retomar a cobrança com o campo em condição adequada.

É justamente aí que a polêmica Andreas Pereira Corinthians x Palmeiras se intensifica: o ato aparece no vídeo, mas não houve intervenção imediata visível da equipe de arbitragem para coibir, advertir ou refazer a marca antes da cobrança.

O VAR entra nisso? Entenda os limites do protocolo

Outra parte do debate envolve a expectativa de que o VAR “resolva tudo”. Mas o VAR tem um protocolo: ele é acionado prioritariamente para lances capitais (como gol, pênalti, cartão vermelho direto e identidade equivocada).

Em situações que se encaixam como cartão amarelo por conduta antidesportiva, o padrão é que a decisão fique com a arbitragem de campo. Isso ajuda a explicar por que, mesmo com imagens claras na transmissão, o lance pode não ter sido tratado no calor do jogo.

Malandragem ou trapaça? Onde fica a linha

Clássico costuma ter “catimba”: atrasar reposição, discutir com o árbitro, tentar desconcentrar o cobrador. O problema é que existe uma diferença importante entre pressão psicológica e alteração material do local de jogo.

É por isso que a polêmica Andreas Pereira Corinthians x Palmeiras divide opiniões. Para alguns, trata-se de esperteza típica do futebol competitivo. Para outros, é um tipo de ação que ultrapassa o aceitável porque mexe numa condição objetiva da disputa — o ponto de apoio e a marca de uma cobrança decisiva.

Pode haver punição depois do jogo? O caminho no TJD-SP

Mesmo quando a arbitragem não pune durante a partida, existe a possibilidade de análise posterior por órgãos disciplinares (como o TJD-SP, no caso do Paulista), a depender do que constar em súmula/relatórios e do entendimento do tribunal sobre o enquadramento.

Na prática, o debate jurídico costuma girar em torno de artigos do CBJD ligados a conduta contrária à disciplina/ética ou conduta antidesportiva, com variação de penas conforme a interpretação do caso. O ponto decisivo costuma ser: houve intenção clara de obter vantagem e a ação é comprovável pelas imagens?

Por enquanto, o fato concreto é que a polêmica Andreas Pereira Corinthians x Palmeiras segue como um daqueles episódios que expõem um dilema recorrente do futebol brasileiro: até onde vai a “malandragem” e quando ela vira algo que precisa ser coibido para proteger a integridade do jogo?

Fontes e referências

Gostou dessa matéria? Veja muito mais em Fio Diário.

Compartilhe:

Publicidade

Banner 300x250 00000 1
Marco Antonio Costa

Assine o fio diário+

Venha fazer parte dessa luta pela liberdade e pelo fim do monopólio da comunicação do consórcio que hoje domina e manipula a mente de milhões de brasileiros.

Receba dicas e recursos gratuitos diretamente na sua caixa de entrada, inscreva-se, agora!