A Ofensiva do STF: Da Perseguição a Zambelli à Vitória de Eduardo Bolsonaro, os Bastidores do Poder em Brasília
Em uma semana de alta tensão, a absolvição de Eduardo Bolsonaro no Conselho de Ética da Câmara contrasta com a intensificação da perseguição judicial a Carla Zambelli e Flávia Magalhães, revelando a complexa guerra travada nos corredores do poder e a subserviência da mídia tradicional.
A política brasileira opera em múltiplas frentes de batalha, e a recente absolvição do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados representa um raro, porém significativo, respiro para a oposição. Em uma votação de 11 a 7, o conselho decidiu pelo arquivamento da representação movida pelo PT, que buscava a cassação do seu mandato. Contudo, essa vitória pontual não deve iludir: ela é apenas uma trincheira defendida com sucesso em uma guerra muito mais ampla e implacável, orquestrada por um ativismo judicial que expande seus tentáculos para além das fronteiras nacionais.
Enquanto a oposição celebra um recuo tático de seus adversários no Legislativo, o Judiciário avança de forma implacável contra figuras como Carla Zambelli e a cidadã brasileira Flávia Magalhães, expondo a natureza de uma perseguição que não reconhece limites constitucionais ou geográficos.
A Vitória de Eduardo Bolsonaro: Um Respiro em Meio à Caça às Bruxas
A decisão de arquivar o processo contra Eduardo Bolsonaro revela mais sobre a pragmática do “Centrão” do que sobre um súbito apreço pela legalidade. Este grupo, que se move por um instinto de sobrevivência política, percebeu o perigo de abrir um precedente que, amanhã, poderia se voltar contra seus próprios membros. A esquerda, por sua vez, já sinalizou que não aceitará a derrota. Liderados pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), o partido coletou 82 assinaturas para levar um recurso ao plenário da Câmara, buscando reverter a decisão.
A tensão está posta. O Centrão, ciente de que a “caça às bruxas” pode se tornar uma prática indiscriminada, hesita em fornecer a corda que poderá enforcá-lo no futuro. É um cálculo frio, não uma defesa de princípios. Enquanto isso, a oposição ganha tempo, mas a ameaça permanece latente, aguardando o momento político oportuno para um novo ataque.
A Imprensa como Sindicato da Narrativa Oficial
A análise da mídia tradicional sobre o caso é um espetáculo de hipocrisia e subserviência. Em uma análise na GloboNews, o jornalista Otávio Guedes desqualificou a Câmara dos Deputados, referindo-se a ela como um mero “sindicato de deputados” que protege seus filiados.
A Câmara se apequena e vira sindicato dos deputados. […] O sindicato está admitindo que um de seus filiados possa não trabalhar. É disso que se trata.
A crítica seria válida se não viesse de um ambiente midiático que historicamente glorifica o sindicalismo de esquerda e fecha os olhos para o absenteísmo de parlamentares aliados. Onde estava essa mesma indignação quando deputados como Aécio Neves (PSDB-MG) registram presença sem sequer comparecerem fisicamente ao Congresso? A indignação é seletiva e serve apenas para reforçar a narrativa de que a oposição é ilegítima, enquanto as prerrogativas parlamentares só valem para os amigos do regime.
A Extradição de Zambelli e a Perseguição em Solo Estrangeiro
Se no Legislativo a oposição conseguiu uma vitória, no cenário internacional a situação é crítica. O Ministério Público da Itália emitiu um parecer favorável à extradição da deputada Carla Zambelli, presa em Roma. A decisão final, de natureza política, caberá à primeiraministra Giorgia Meloni.
A esperança de que um governo de direita na Itália pudesse barrar um processo claramente político se esvai diante da realidade de um “deep state” consolidado. Assim como no Brasil, a máquina burocrática e judicial italiana parece imune a alternâncias de poder. A esquerda, com sua capilaridade internacional, construiu ao longo de décadas uma estrutura de poder permanente dentro do Estado. A capacidade de Meloni de confrontar essa institucionalidade é, no mínimo, duvidosa.
O caso de Zambelli é emblemático de uma justiça que atropela o devido processo legal. As acusações são frágeis, baseadas em provas circunstanciais e no depoimento de um hacker marginal. Ignora-se completamente o princípio da ampla defesa em nome de uma perseguição implacável contra uma voz da oposição.
O Caso Flávia Magalhães: A Sombra de um Sequestro nos EUA
A extraterritorialidade do autoritarismo brasileiro atinge seu ápice no caso de Flávia Magalhães. Cidadã com dupla nacionalidade, residente na Flórida, ela relatou um episódio gravíssimo: uma suposta tentativa de sequestro planejada pela Polícia Federal em solo americano. Segundo seu depoimento, agentes brasileiros a monitoravam com o objetivo de capturá-la de forma ilegal.
A denúncia, que está sendo acompanhada por advogados nos Estados Unidos, é um escândalo de proporções internacionais. Demonstra que o aparato estatal brasileiro, sob as ordens do Supremo Tribunal Federal, sente-se à vontade para violar a soberania de outras nações em sua cruzada contra cidadãos que ousam criticar o regime. O silêncio cúmplice do governo Biden e a perseguição por um simples post em rede social mostram a que ponto chegamos.
Pontos-Chave da Análise
- Vitória no Conselho de Ética: O arquivamento do processo contra Eduardo Bolsonaro foi uma vitória tática, mais ligada ao pragmatismo do Centrão do que à justiça.
- Hipocrisia Midiática: A grande imprensa utiliza dois pesos e duas medidas, atacando a Câmara como “sindicato” ao defender um opositor, mas silenciando sobre as falhas de seus aliados.
- Perseguição Internacional: O avanço do processo de extradição de Carla Zambelli na Itália e a grave denúncia de uma tentativa de sequestro de Flávia Magalhães nos EUA revelam a dimensão global do autoritarismo judicial.
- Violação de Soberania: A suposta ação da Polícia Federal na Flórida, se confirmada, representa uma grave violação da soberania americana e das leis internacionais.
- Justiça Politizada: Tanto o caso Zambelli quanto o de Flávia evidenciam que o STF age sem freios, utilizando o aparato estatal para perseguir desafetos políticos dentro e fora do Brasil.
Conclusão: A Luta pela Sobrevivência da Democracia
A semana política demonstra que, embora seja possível vencer batalhas pontuais no campo legislativo, a guerra principal continua sendo travada contra um poder judiciário que se tornou um partido político com poder de polícia. A absolvição de Eduardo Bolsonaro é uma exceção que confirma a regra: a regra de um sistema que busca aniquilar seus opositores por qualquer meio necessário.
A perseguição a Zambelli e Flávia Magalhães não são casos isolados; são a manifestação mais explícita de um regime que não hesita em exportar seus métodos autoritários. A defesa da liberdade e da soberania do Brasil passa, impreterivelmente, por expor e combater essa ofensiva implacável contra os direitos e garantias fundamentais.
Qual a sua opinião sobre esta análise? Deixe seu comentário e compartilhe para fortalecer o debate.


