Mais de 60% dos advogados de SP registram avaliação negativa ao STF, diz pesquisa da OAB

Advogados criticam Ministros do STF que aparecem na imagem
Advogados participam de levantamento da OAB-SP que aponta maioria de avaliação negativa ao STF e defesa de mudanças no modelo de escolha dos ministros. Foto: Gustavo Moreno/STF

Um levantamento realizado pela seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aponta que a maioria de advogados consultados avalia de forma negativa a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os 12.700 participantes, 62,82% classificaram a atuação da Corte como negativa ou muito negativa. Outros 13,51% indicaram avaliação positiva, enquanto 3,84% afirmaram não ter opinião.

Os dados foram apresentados em evento promovido pela entidade, que discutiu temas relacionados ao funcionamento das instâncias superiores e ao acesso ao sistema de Justiça. A pesquisa foi conduzida pela comissão de estudos sobre Reforma do Judiciário.

Apenas 8% dos advogados de SP defendem permanência dos ministros do STF

O levantamento também tratou do formato de permanência dos ministros do Supremo. Apenas 8,31% defendem a manutenção do modelo atual. A maioria, 84,73%, indicou preferência por mandato com prazo definido. Dentro desse grupo, 64,10% sugerem período de oito anos e 10,63% optam por dez anos.

A comissão responsável reúne nomes que já ocuparam cargos no Judiciário e no Executivo, como Ellen Gracie, Cezar Peluso, José Eduardo Cardozo e Miguel Reale Júnior.

Indicação de Jorge Messias para o Supremo

O estudo foi divulgado em um momento em que está em andamento a indicação de Jorge Messias para o Supremo. A nomeação depende de análise no Senado, presidido por Davi Alcolumbre. No levantamento, 81,89% dos advogados defendem mudanças no processo de escolha dos ministros, enquanto 10,23% apoiam a manutenção do modelo atual.

A pesquisa foi realizada entre dezembro de 2025 e março de 2026 e incluiu perguntas sobre o funcionamento do sistema de Justiça. A demora na tramitação de processos foi apontada como o principal problema por 55,63% dos participantes.

Dados do Conselho Nacional de Justiça indicam que uma ação judicial leva, em média, dois anos e três meses para ser concluída. No Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, o tempo médio informado é de três anos e dez meses.

Outro ponto citado foi o descumprimento de regras processuais. Para 50,52% dos respondentes, o tema é considerado gravíssimo.

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Marco Antonio Costa

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