Representantes da indústria se reuniram nesta terça-feira (26) com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para defender o adiamento da discussão sobre o fim da escala 6×1 para depois das eleições de outubro. Segundo entidades do setor produtivo, mudanças na jornada de trabalho exigem análise mais ampla e não deveriam avançar em meio ao calendário eleitoral.
Entre os participantes do encontro esteve o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf, que criticou a condução da proposta e acusou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de incentivar o debate com motivação “eleitoreira”.
Skaf afirmou que a discussão envolve impactos distintos em milhares de setores econômicos e defendeu que alterações na jornada sejam tratadas por negociação entre empregadores e trabalhadores. Segundo ele, mudanças constitucionais podem comprometer a flexibilidade criada pela reforma trabalhista.
Senado ameaça setor produtivo para aumento de custos
O parecer apresentado pelo relator Leo Prates prevê redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, com transição de 14 meses. Sessenta dias após a promulgação da PEC, a carga cairia para 42 horas semanais, chegando às 40 horas ao fim do período de adaptação.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban, afirma que os textos em discussão podem elevar os custos de produção em até 8%. Segundo ele, a proposta precisa ser debatida “com profundidade” para evitar impactos sobre preços, produtividade e geração de empregos.
As PECs em tramitação são de autoria da deputada Erika Hilton e do deputado Reginaldo Lopes. O tema vem sendo tratado como uma das principais pautas trabalhistas do Congresso e deve enfrentar forte pressão de setores empresariais durante a tramitação no Senado.




