O Brasil registrou em 2026 o maior índice de endividamento familiar desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Em abril, 80,9% das famílias declararam possuir algum tipo de dívida, de acordo com levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Segundo especialistas, o avanço do endividamento é resultado de uma combinação de fatores, como juros elevados, aumento do custo de vida, uso crescente do crédito rotativo e expansão das apostas online. O cartão de crédito continua sendo o principal fator de endividamento, presente em 83,6% das famílias endividadas. As taxas do crédito rotativo podem ultrapassar 400% ao ano.
Endividamento com juros altos pressionam orçamento das famílias
Dados do Banco Central apontam que quase um terço da renda das famílias brasileiras já está comprometida com o pagamento de dívidas. O percentual saltou de cerca de 22% em 2019 para 29,7% no fim de 2025.
As apostas online passaram a ser vistas como um novo fator estrutural de pressão sobre o orçamento doméstico. Estimativa da CNC indica que cerca de R$ 30 bilhões por mês deixaram de circular no consumo tradicional para abastecer plataformas de apostas desde a regulamentação do setor.
Como resposta ao cenário, o Congresso discute propostas voltadas ao combate ao superendividamento e à ampliação de programas de renegociação de dívidas, como o Novo Desenrola Brasil. Especialistas defendem ainda medidas de educação financeira, crédito mais acessível e maior equilíbrio fiscal para reduzir o peso dos juros sobre famílias e empresas.





