O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan após o registro de casos graves que não haviam sido observados durante os estudos clínicos do imunizante. A medida foi anunciada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e permanecerá em vigor até a conclusão das investigações.
Segundo a pasta, estão sob análise duas mortes, um caso que exigiu internação em unidade de terapia intensiva (UTI) e outros 42 registros de eventos adversos considerados relevantes. Os episódios foram identificados após a vacinação de cerca de 500 mil pessoas.
Padilha afirmou que ainda não há comprovação de relação direta entre a vacina e os casos graves, mas classificou as ocorrências como um sinal de alerta que justificou a interrupção preventiva da campanha.

Casos sob investigação não apareceram nos testes clínicos
De acordo com o Ministério da Saúde, uma das mortes envolve uma mulher de 48 anos que desenvolveu dengue grave com comprometimento neurológico 19 dias após receber a vacina. O segundo caso fatal foi registrado em um homem de 58 anos, que apresentou febre poucos dias depois da imunização e evoluiu rapidamente para um quadro grave da doença.
O terceiro caso investigado é o de uma mulher de 39 anos que precisou ser internada em UTI após apresentar sintomas graves. Ela recebeu alta posteriormente.
Segundo o governo, os eventos analisados não haviam sido identificados nos estudos realizados antes da aprovação da vacina, o que levou autoridades sanitárias e especialistas a recomendar a suspensão temporária da estratégia de vacinação.
Decisão aumenta pressão por respostas rápidas das autoridades sobre vacina da dengue
A interrupção ocorre poucos meses após o início da aplicação do imunizante e abre uma nova frente de atenção para o Ministério da Saúde e para os órgãos de vigilância sanitária.
Enquanto as investigações seguem em andamento, a orientação é que as doses já distribuídas permaneçam armazenadas e não sejam utilizadas. O governo afirma que a suspensão tem caráter preventivo e será reavaliada à medida que novos dados forem analisados.
A decisão coloca sob escrutínio um dos principais projetos de vacinação lançados neste ano e amplia a pressão para que as autoridades esclareçam rapidamente se existe ou não relação entre os casos registrados e o imunizante desenvolvido pelo Butantan.




