Os registros de internações por abortos classificados como realizados por razões médicas ou previstas em lei no Sistema Único de Saúde (SUS) alcançaram o maior nível da série histórica. Dados do Ministério da Saúde mostram que a média mensal desses procedimentos passou de 149 casos, entre 2009 e 2022, para 297 a partir de 2023, primeiro ano do atual governo.
Em 2025, foram contabilizadas 4.092 internações, o maior número anual desde o início da série. O total representa um aumento de 21,2% em relação a 2024 e de 72,5% na comparação com 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro. Os meses com os maiores registros também foram concentrados entre 2025 e 2026.
Mudanças nas regras marcaram o período
O crescimento dos registros ocorreu após uma série de mudanças administrativas e decisões judiciais relacionadas ao acesso ao aborto previsto em lei. Em 2023, o Ministério da Saúde revogou uma norma editada no governo anterior que orientava os serviços de saúde a comunicar a polícia em casos de suspeita ou confirmação de violência sexual. Depois, novas disputas envolveram procedimentos em gestações mais avançadas, incluindo decisões do Supremo Tribunal Federal e mudanças em normas de órgãos públicos.
O Ministério da Saúde foi questionado sobre o aumento dos registros, possíveis mudanças na forma de classificação dos casos e eventuais orientações que possam ter influenciado os números. Até a publicação da reportagem, a pasta ainda não havia apresentado resposta.

Debate do aborto leva à discussões
O avanço dos registros reacendeu o debate sobre a fiscalização dos procedimentos realizados na rede pública e sobre os critérios adotados para o atendimento dos casos previstos em lei. Enquanto a discussão continua entre autoridades, entidades médicas e especialistas, os dados mostram que o número de internações segue em um patamar superior ao observado antes de 2023, mantendo o tema entre os mais sensíveis da agenda pública.




