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Correios acumulam prejuízo de R$ 5,5 bilhões no primeiro semestre

Correios acumulam prejuízo de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre
(Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

Os Correios acumularam prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre de 2026, resultado 30,4% superior à perda registrada no mesmo período de 2025. O cenário financeiro da estatal levou à adoção de um plano de reestruturação, com redução de despesas, revisão de contratos e medidas para aumentar as receitas.

O resultado negativo ocorre mesmo após uma melhora no segundo trimestre. Entre abril e junho, os Correios registraram prejuízo de R$ 2,39 bilhões, 24,4% abaixo dos R$ 3,16 bilhões contabilizados nos primeiros três meses do ano. A receita líquida também cresceu 3,8% no período, passando de R$ 3,86 bilhões para R$ 4,01 bilhões.

Estatal recorre a empréstimos e cortes

Para enfrentar a crise financeira, os Correios contrataram no fim de 2025 um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União. A empresa afirma que a operação ajudou a regularizar compromissos de curto prazo e alongar o perfil da dívida. Um novo empréstimo de R$ 7 bilhões, também com garantia federal, está em estágio avançado, enquanto a estatal negocia outros R$ 2,9 bilhões com o Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco do Brics.

A reestruturação inclui ainda programas de demissão voluntária e o fechamento previsto de aproximadamente mil pontos, entre agências e unidades de tratamento de cargas. O primeiro programa resultou na saída de cerca de 6,5 mil funcionários. A empresa afirma que as medidas buscam recuperar a sustentabilidade financeira e melhorar a eficiência operacional.

O quadro também deve exigir novos recursos públicos. A proposta de Orçamento de 2027 deverá prever R$ 6 bilhões em aportes da União para os Correios, segundo informações divulgadas pela Revista Oeste. A estatal reconhece que o resultado acumulado permanece desafiador e afirma que a recuperação depende da continuidade das medidas de reestruturação.

Lula descarta privatização

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) descartou a privatização dos Correios e afirmou que pretende recuperar a estatal. Em declaração recente, Lula atribuiu parte da crise à dificuldade da empresa em se adaptar às mudanças no mercado de entregas e defendeu o enxugamento das despesas.

Apesar do agravamento das contas, os Correios destacam que houve melhora de indicadores entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026. A companhia afirma que trabalha na recuperação das receitas, na redução de custos e na modernização do modelo de negócios.

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Foto: Wilton Junior
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Marco Antonio Costa
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