O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, assumiu a condução da crise interna da Corte após suspender decisões conflitantes dos ministros André Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal. A medida mantém Andrei Rodrigues no cargo de diretor-geral da PF e busca interromper a sequência de decisões divergentes entre integrantes do Supremo.
Mendonça havia determinado o afastamento de Rodrigues, alegando suspeitas relacionadas à produção de relatórios de inteligência da Polícia Federal. Menos de 24 horas depois, Flávio Dino decidiu reintegrar o diretor-geral e o chefe de Inteligência Policial, Leandro Almada. Fachin suspendeu as duas decisões e determinou que o tema seja analisado pelo plenário do STF.
Fachin também assume inquérito das fake news
Além de intervir na disputa sobre a Polícia Federal, Fachin retirou Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news, que estava sob responsabilidade do ministro havia mais de sete anos. O presidente do STF também determinou que novas investigações envolvendo ministros da Corte dependam de autorização da presidência do tribunal.
A decisão ocorre no contexto da crise envolvendo o Banco Master e informações extraídas de aparelhos do empresário Daniel Vorcaro. O caso provocou um embate entre Moraes e Mendonça depois que um relatório da PF mencionou o ministro e foi utilizado por Moraes em um pedido de investigação contra Mendonça.

Sessão extraordinária será realizada
Fachin convocou uma sessão plenária extraordinária do Supremo para 15 de setembro. Até lá, ministros e autoridades envolvidos deverão prestar esclarecimentos sobre os episódios que levaram à escalada da crise.
O presidente do STF afirmou que pretende evitar decisões contraditórias e preservar a segurança jurídica. A disputa também envolve a competência para definir o comando da Polícia Federal, já que a Advocacia-Geral da União questionou a decisão de Mendonça e sustentou que a nomeação e a exoneração do diretor-geral da PF são atribuições do presidente da República.
A intervenção de Fachin ocorre em um dos momentos de maior tensão interna do Supremo nos últimos anos, com divergências públicas entre ministros e repercussões políticas em meio à campanha eleitoral de 2026.




