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STF adia julgamento sobre Moraes e deixa decisão para após eleições

Alexandre de Moraes olhando para o lado sério no STF
(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista nesta terça-feira (15) e interrompeu o julgamento que analisa se o ministro Alexandre de Moraes será investigado por suposto envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A suspensão deve durar cerca de 90 dias, levando a retomada da discussão para depois das eleições de outubro.

Antes do pedido de vista, o plenário analisava uma questão de ordem apresentada pelo ministro Gilmar Mendes. Ele defendeu que o caso envolvendo Moraes fosse julgado em conjunto com o processo relacionado ao ministro André Mendonça, além da redistribuição do caso, que está sob relatoria do presidente do STF, Edson Fachin.

Placar fica em 4 a 3 pela análise separada dos casos no STF

Até a interrupção, a votação sobre a questão de ordem estava em 4 a 4. Votaram pela unificação dos processos Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes. Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia defenderam a manutenção dos processos separados.

Com o pedido de vista, o voto de Dino deixou de ser considerado no placar provisório, que ficou em 4 a 3 pela manutenção da análise separada dos casos de Moraes e Mendonça.

A discussão ocupou toda a sessão e impediu que o plenário analisasse o ponto central: as suspeitas relacionadas a Moraes após a divulgação de mensagens atribuídas a ele e a Vorcaro.

Dino critica sessão antes do período eleitoral

Durante a sessão, Flávio Dino classificou como “desastrada” a realização do julgamento às vésperas do período eleitoral. A crítica foi direcionada a Edson Fachin, presidente da Corte.

Dino também questionou o rito definido para a análise do caso e defendeu que Moraes e Mendonça fossem submetidos ao mesmo procedimento.

STF entra em recesso e adia julgamentos importantes para agosto
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O caso chegou ao plenário após informações obtidas pela Polícia Federal a partir da quebra do sigilo do celular de Daniel Vorcaro. Segundo a apuração citada no processo, o ex-banqueiro teria trocado cerca de 50 mensagens com um número atribuído a Moraes antes de sua prisão, em novembro do ano passado.

PGR defendeu anulação de relatório da Polícia Federal

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também aparece nas mensagens analisadas, defendeu a anulação do relatório da PF que identificou as conversas. Segundo a manifestação apresentada ao STF, André Mendonça teria aprofundado a apuração sobre as mensagens envolvendo Moraes sem autorização prévia do plenário.

A retomada do julgamento deverá ocorrer após o período eleitoral, em data ainda não definida.

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Marco Antonio Costa
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